Sei também que o fato de eu ser assim não me dá o direito de criticar outras pessoas que não sejam do mesmo jeito, ou exigir que 100% da população seja estudiosa, mas há certas coisas que acontecem em nosso cotidiano (sim no nosso, pois não sou a única vítima) que me deixam passada, de cabelos em pé e me provoca dores no pâncreas. Não se trata de nenhuma doença nova, mas pura e simplesmente do uso inadequado de nossa querida língua portuguesa. E o que mais agride meus ouvidos é constatar que tais sacrilégios são proferidos por pessoa com um suposto nível intelectual maior que o meu. Aprecie as situações:
“Na reunião de cúpula do departamento financeiro da empresa em que trabalho….”
Estou sentada atentando a todos os detalhes da nova estrutura do setor, os empréstimos e pagamentos feitos quando o gerente pergunta se alguém gostaria de expor mais alguma dúvida e uma dita – cuja começa:
- Eu gostaria de saber, a nível de comprometimento do nosso caixa, qual o impacto que isso causaria?
Puxa, a nível de? A minha vontade foi de parar a reunião e dizer que a nível de é uma expressão utilizada em Engenharia e arquitetura para designar a posição de um objeto no espaço, como por exemplo, ao nível do solo, ao nível do mar.
“Numa conversa com uma tele-atendente do meu banco…..”
Solicitei a proposta de um consórcio para aquisição de imóveis usados, para saber o quanto tenho de poupar se quiser comprar uma casa e a telefonista termina ligação dizendo.
- Dentro de cinco dias eu vou estar enviando para sua residência a proposta para ser analisada, e caso a senhora esteja de acordo a senhora poderia estar assinando e estar nos devolvendo a mesma assinada pelo correio?
Tudo bem eu sei que o treinamento das tele atendentes é baseado nos modelos Americanos, e o inglês usa e abusa do “Ing” já que ele faz parte da estrutura da língua, mas aqui no Brasil, e em Português não dá.
“Na sala de aula no meio da aula de Administração da Produção…”.
Meu professor estava explicando quais os requisitos básicos para o bom funcionamento da gestão integrada de produção, vulgo MRP II, quando uma aluna da frente (ah, esse povinho que senta na frente viu) lança a seguinte questão.
- Professor, o senhor poderia dar exemplos para mim entender como isso se aplica ao mundo real?
Antes que eu tivesse um ataque epiléptico, o professor me salvou chamando a atenção da sala inteira para o fato de que o “mim” na língua portuguesa não pede verbo e não provoca ação. Mim” não faz nada. O correto na frase acima seria para eu entender, a propósito.






