Os Gregos e Romanos da antigüidade tinham por costume queimar os corpos das pessoas que partiam, e colocavam em seus olhos duas moedas que, segundo sua crença, seriam pagas ao barqueiro que atravessa as almas através do rio da morte. Os “festejos” funerários, além das olimpíadas, eram os únicos eventos que interrompiam as constantes guerras. Na Odisséia (poema de Homero) há uma passagem que fala que a guerra de Tróia foi interrompida por alguns dias para que fosse “sepultado” o corpo do príncipe troiano Heitor, assassinado por Aquiles.
Recentemente também foi encontrado o “túmulo” mais antigo da Europa, com uma família inteira, datando de aproximadamente 10 mil anos. É interessante notar que nesse caso foi possível descobrir hábitos alimentares e de caça, e saber que muitíssimos antes de Cristo as pessoas se importam em cuidar dos corpos das pessoas queridas que partiam, já que o túmulo foi encontrado em perfeitas condições de conservação.
Mas, antes mesmo dos nossos amigos europeus os egípcios demonstravam certo fascínio pela morte. Como bem sabemos muitas pirâmides do Egito são grandes moradas definitivas dos Faraós e os seus tesouros. Os corpos eram embalsamados e mumificados, pois eles acreditavam que um dia as almas voltariam ao corpo e como todo bom rei que se preze seria bastante interessante retornar e encontrar tudo o que foi seu em vida ao seu dispor. Há descobertas que revelam que junto do corpo dos Faraós além dos habituais tesouros, havia também os corpos de seus escravos, esposas, filhos e até animais de estimação.
Andando um pouco no tempo e indo mais para o oriente encontramos os ritos funerários no Japão, que além de ascender incenso e entoar cânticos para os que se vão ainda costumam levar ao funeral os alimentos que a pessoa apreciava em vida, além de colocar nas mãos da pessoa uma nota de Yen, com o mesmo objetivo de pagar o barqueiro do rio da morte, além claro da técnica de maquiar os cadáveres.
Voltando ao começo do texto, e aos Mexicanos, no dia dos mortos não há motivo para tristeza. As crianças costumam brincar de esqueletos que aliás, é o tema de paradas. Os cemitérios são enfeitados, e as pessoas costumam preparar para os entes queridos que se foram tudo aquilo que gostavam em vida e isso inclui, além de comida, música, bebida, coisas como cigarro, roupas e afins. Tais oferendas são levadas até o túmulo e as pessoas dançam, cantam e se divertem no cemitério ou em suas residências. Tudo é motivo de alegria e “fiesta”. E certamente grande parte dessa crença vem dos costumes antepassados dos povos Maias e Astecas que habitavam essa região antes da chegada dos Espanhóis, cuja base religiosa é totalmente cristã.
Podemos ver que, um pouco diferente da nossa cultura – quase que totalmente amparada na crença católica de que existe céu e inferno e sofrimento para os pecados -, em outras culturas a morte é vista de modo diferente e até com certa alegria, pois nessas culturas há a certeza de que haverá um reencontro das pessoas queridas em algum lugar, algum dia.
Porém, essa não é uma visão unanime visto que nosso país e nossa cultura sofrem a influência de outras religiões e culturas. Algumas pessoas como o Dener preferem acreditar que a Morte é um cara bacana que usa moicano e escuta punk rock no seu MP3 como ele descreveu nesse texto aqui.
Eu já prefiro acreditar, assim como Neil Gaiman, que a Morte (ou Death como ele a chama) é uma garota muito simpática, bem humorada, inteligente, branquinha de cabelos negros que ama todas as pessoas e as entende, e sempre que lhe é permitido torna a passagem delas algo mais gentil, já que ela está lá desde tempos imemoráveis e nos conhecer melhor do que ninguém.






