Atacando de crítica musical*

Quem me conhece e lê minhas crônicas sabe que sou amante de música até a medula. Mas, claro que há coisas que são intragáveis aos meus sensíveis ouvidos de Soprano (não esqueçam que já fui solista de um coral). Então resolvi pegar a letra de uma bandinha que anda aí na moda e fazer uma pequena análise, passo – a – passo para ver se existe vida fora do rock.

[PLAY]
Parece até conto de fadas
mas assim aconteceu
éramos dois apaixonados
Julieta e Romeu

[PAUSE]
Bonitinho o começo, parece até poesia mas a pessoa acabou se perdendo ali. Poderia ter sido mais criativa ao invés de rimar aconteceu como Romeu. De qualquer forma vamos em frente

[PLAY]
naquela noite encantada
pedi pra lua dos amantes
iluminasse essa hora
pra esse amor eternizar

[PAUSE]
Ok. Vou tentar não chutar o pau da barraca. Lua dos amantes?! Então agora cada um pode escolher o tipo de luar que quer? Existe Lua dos Filósofos? Lua dos Poetas? Lua dos góticos? Ar… vamos em frente.

[PLAY]
mas num passe de mágica
você desapareceu
um eclipse maldito
o encanto se perdeu
e o meu coração partido
foi sofrendo e foi sofrendo
tentando te encontrar na madrugada
fria madrugada!!!

[PAUSE]
Ora, mas então o bem querer da pessoa que escreveu a música era David Coperfild?! A pessoa sumiu num passe de mágica?! Ah não, fala sério no mundo real as pessoas não somem num passe de mágica! Se um relacionamento está ruim as pessoas se afastam, mas tudo tem um porque. Isso de que: “Ah, você sumiu sem dar notícias” não me desce a garganta. Se fosse amor não acabaria, e se acabou não era amor. Grumpf.

[PLAY]
(Refrão)
a lua me traiu (2x)
acreditei que era pra valer!!!
a lua me traiu
fiquei sozinha e louca por você!!!
aaa aaa não consigo te esquecer
aaa aaa apaixonada por você

[STOP]
Como assim a lua a traiu?! Então ela se apaixonou por um babaca sem caráter incapaz de levar um relacionamento de uma forma honesta e a culpa é da lua?! E não venham me falar de figuras de linguagem. Parei!
Vou voltar ao rock. Ao Metal!
E como diria uma música do Metalica:
Die, Die my Darling
Don´t utter a single word
Die, Die my Darling
Just shut your pretty eyes
I´ll be seeing you again
I´ll be seeing you in Hell.

Ou….
Morra, Morra minha Querida
Não diga uma única palavra
Morra, Morra minha Querida
Apenas feche seus lindos olhos
Eu vou te ver de novo
Eu vou te ver no Inferno.

(Vou tentar parar de escrever textos às segundas feiras. Ele saem muito ranzinzas)

*Texto originalmente publicado em 23 de Março de 2006 e comentários dos amigos re-publicados logo abaixo.

Dragões (?!)

Desde que eu me conheço por gente capaz de ler por horas a fio sem perder o interesse pelo assunto, uma das coisas que sempre mais me chamou a atenção são as lendas e histórias mitológicas.
Eu acho que meus pais até pensavam que tinha uma filha problemática tamanho o entusiasmo. Sério mesmo!
Um dos meus maiores prazeres na época do ginásio/colegial era ir à alguma biblioteca pública, procurar o tema dos meus trabalhos (os Gregos, os Astecas, os Maias, Alexandre o Grande, Cleópatra), me debruçar sobre eles (os livros) e começar a extrair as tão valiosas informações que fariam parte do meu trabalho. Sem falar lógico das cópias P&B que depois eram coloridas à mão para fazer parte dos cartazes expositivos que me ajudariam nos seminários. Falar em público também nunca foi problema uma vez que me sentia muito a vontade com os assuntos tratados. E nem as brincadeiras dos colegas me importunavam (não importunam até hoje, diga-se de passagem).
Mas uma das minha maiores tristezas é que os livros acadêmicos nunca traziam informações sobre os seres mitológicos em si. Nunca encontrei em um livro de escola algo sobre a Medusa, o Pégasus, ou a Hydra. E dentre esses todos jamais encontrei nada sobre uma das minha maiores paixões: Os Dragões. Sim! Aquelas enorme criaturas aladas, cuspidoras de fogo que eram o terror dos nosso parentes distantes da idade média.
Eu sempre tive grande fascínio por essas criaturas, imaginado como povos tão distintos e de épocas tão diferentes podiam cada um ao seu modo deixar relatos sobre tais animais sem nunca jamais terem se cruzado. Dúvida de tais provas? Ora, basta ver que em vitrais da Idade Média há dragões pintados nas janelas. Na China antiga os dragões foram retratados em milhares e milhares de vasos. Os povos Andinos os deixaram registrados em suas paredes. E esses povos nunca se encontraram. Então alguém me explica como todos faziam referências aos dragões?
Um canal de TV por assinatura parece ter ouvido minhas indagações e foi a fundo na questão. Ontem a noite eu parei de estudar a matéria da faculdade (coisa feia) quando ouvi um chamado do canal dizendo que haviam encontrado nas montanhas da Romênia o que podia tratar-se de um dragão inteiro completamente preservado!
Imaginem minha cara quando eu ouvi isso? Não pode ser verdade! Mas eles conseguiram cutucar o bicho da curiosidade dentro de mim. E às 20 horas lá estava eu estática em frente à maquininha de fazer doido, sem piscar acompanhando os detalhes do programa.
Tudo começa dentro do Museu de História Natural de Londres. Um dos mais respeitados no meio científico.
O programa começava com uma teoria muito louca de que um dos Tiranossauros (só os ossos dele claro) exposto tinha sido dizimado (pasmem) por uma espécie de dragão do tempo das cavernas. Mas por que meu espanto não é? Ora, os dinossauros são parentes distantes dos lagartos de hoje em dia não? Logo os dragões também, já que eram grandes lagartos alados, só que diferente de outras espécies, possuía seis membros. Dois pés, dois braços e duas asas. Um verdadeiro salto no processo evolutivo dos animais. Mas calmaé, você deve estar fazendo. Se os dragões eram vizinhos dos dinossauros como sobreviveram à nuvem de poeira que encobriu a terra e dizimou os largatões. Fácil, caros colegas. Se tubarões, baleias e outras espécies sobreviveram ao meteoro como poderiam os dragões tem levado uma vidinha pacata e sossegada até a Idade Média? É porque os dragões alados que batiam nos T-Rex tinham primos aquáticos também, ou vai me dizer que você nunca ouviu falar das terríveis serpente marinhas que apavoravam os piratas? Ou do monstro do Lago Ness? Bom, simplificando, foi assim que eles atravessaram as eras e chegaram até a turma do Rei Arthur. Um belo dia um dragão aquático cansado de viver de peixe e plancton saiu da água (visto que como seu primo jacaré ele era anfíbio) e resolveu procurar o que comer em outras paragens.
Seguindo a linha lógica e racional de todos os outros animais é plenamente possível que os dragões tenham se espalhado ao redor do mundo: China, Europa, América do Sul.
Pena que no especial da TV, eles mostram que provavelmente nossos amigos cuspidores de fogo foram extintos por um animal muito pior que ele: o ser humano.
Claro que para nossos ancestrais cabeça dura ver um largato enorme e alado comendo suas ovelhas e vacas não devia ser lá uma coisa agradável, tanto que costumavam chamar os dragões da idade média de Demônios da Montanha.
Por fim, lógico que um documentário sobre os dragões não é a prova exata de que eles realmente tenham existido, mas eu acredito do fundo da minha alma curiosa que existiram sim!!!
Tanto que quem estiver lá para ver daqui alguns anos vou fazer uma marca permanente dessa minha paixão. Já até estou pensando nos detalhes.


Ô mãe! Deixa eu ter um desse em casa? Ah, deixa vai? Ele é bonzinho, e útil! Imagina o que faríamos com tanto fogo!

* Texto orignalmente publicado em 06 de Março às 23:59hs e comentários originais dos amigos re-publicados logo abaixo.

Será?*

Os últimos meses têm se mostrado apenas como um turbilhão de idéias confusas e muito rápidas. Passei da ternura, ao desespero, ao martírio de sentimentos de volta ao desespero e me vejo caindo nas graças da ternura de novo. Será… ?
Não, eu não fui mordida por nenhum inseto transmissor de uma doença nova. E tudo o que eu estou sentindo tem uma única fonte: um rapaz de olhos cor de mel e cabelos pretos. Passei muito tempo tentando evitar que isso acontecesse, mas um sábio por aí já disse que não temos controle sobre nossos próprios sentimentos. E esse sábio realmente sabia das coisas.
Tudo começou de uma forma inocente, um passeio ao shopping, horas de palavras trocadas ao telefone. Muitos risos e sorrisos. Uma amizade muito legal e sincera entre duas pessoas. Depois veio o primeiro e doce beijo. Mas, não daqueles beijos que a gente beija por beijar. Foi um beijo terno, cheio de sentimentos. Depois disso, mais telefonemas, troca de e-mails e uma crescente amizade. Alias desde que me lembro do começo das minhas amizades nunca tinha sentido uma amizade tão forte por alguém. Algum tempo depois foi a primeira vez de irmos juntos ao cinema. O filme não era lá grande coisa. Mas o beijo roubado ali no cantinho escondido atrás da bilheteria do cinema foi mais que especial. E os beijos que recebi no ombro, no pescoço, na bochecha, na orelha. As mãos dadas. O calor unindo duas almas que se gostam e se respeitam. A descoberta que ternura pode virar tesão. Mais algum tempo junto e a entrega sem medo nem remorsos, atendendo a uma urgência crescente.
E quando parece que as coisas estavam bem, toda libido cessa. A amizade cresce, torna-se primeiro plano num relacionamento entre homem e mulher. Por bem ambos decidimos que era melhor assim. Não devíamos estragar algo tão bonito e sincero por necessidades carnais. Aí surgiram mais encontros, cada vez mais a amizade imperando no ar. Troca de confidencias, sonhos, planos para o futuro.
Muitos amigos exteriores à situação me falaram: tenha paciência, pois na maior parte das vezes uma amizade tão forte pode se tornar amor. Eu nunca acreditei nisso. Mas segui em frente.
Então de repente, duas palavras ditas sem querer quase botaram tudo a perder. Uma interpretação errada e eu consegui fazer com que uma das pessoas mais importantes na minha vida nos últimos meses chegasse ao ponto de não mais querer me ver e quase me odiar.
Sucederam-se meus pedidos de perdão, muitas lágrimas, noites insones. Senti na pele o terror de nunca mais poder olhar de frente aqueles olhos cheio de ternura. Sempre fui fiel e temente a Deus, mas nesses dias em que o pânico e a dor dilaceravam minha alma, roguei com muito mais fé que me acalmassem e acalmassem a alma do meu querido.
Depois de muitos momentos de dúvida veio a primeira palavra. Por parte dele. E voltamos a conversar. Mas ele ainda se mostrava frio, distante. Perguntei se ele nunca iria me perdoar.
– Não tenho do que te perdoar, mas acho que as coisas nunca mais serão as mesmas.
Essas poucas palavras foram como um punhal atravessando meu coração. Sinceramente julguei que tudo estaria perdido. Os dias passaram e o ritmo da conversa foi tomando seu curso normal novamente, e meu coração aos pulos rogava para que minha intuição estivesse correta. Que o perdão tivesse sido alcançado. Então, numa tarde ensolarada de sábado o telefone tocou. Eu atendi imaginado que fosse qualquer pessoa, mas quando eu ouvi aquela voz tão familiar ao telefone, senti minhas pernas bambeando. Era ele. E toda a ternura e amizade tão características estavam lá. Foram quase sessenta minutos de conversa. Quando desliguei chorei, e agradeci a Deus por ter iluminado meus caminhos. As coisas estavam retomando seu eixo normal.
Na noite do dia seguinte enquanto conversávamos via MSN ele começou levar a conversa para tal ponto que me fez admitir para ele, e para mim mesma que eu gosto dele de verdade. Não apenas a amizade. Esta existe, é pura e sincera. Mas existe mais. Existe um gostar mais sublime e elevado. Nem eu sabia que sentia isso, mas foi bom ter descoberto de qualquer forma. Mais uma semana passou rapidamente e mais uma vez surgiram telefonemas cheios de ternura e amizade, que acabaram por gerar um novo encontro, frente a frente. Eu não sabia o que esperar depois de tanto tempo sem vê-lo. Ali, em pé no shopping, muito próxima do local onde tinha acontecido nosso primeiro beijo, eu olhava distraidamente os jovens casais, se beijando, se abraçando, sentindo uma pontinha de inveja boa deles. Desejando que sejam muito felizes, mas querendo ao mesmo tempo estar assim com alguém, quando subitamente sinto uma mão junto a minha cintura, e ao me virar deparo com aqueles olhos tão conhecidos. A partir daí foram momentos incríveis e tão semelhantes ao começo. Depois seguiu-se uma noite tão comum como todas as outras que estivemos juntos. Conversa agradável, piadas, música (nosso relacionamento desde o início sempre foi permeado pela música, incrível), risos no ar, bebida, trocas furtivas de olhares, até que cansados ele senta no sofá e eu repouso a cabeça no colo dele. Isso sempre foi meu consolo todas às vezes, desde que decidimos não assumir nenhum relacionamento. Já me faz feliz sentir o calor do corpo dele, e o perfume exalando de sua pele branquinha. Mas o que aconteceu depois de algum tempo assim foi o que me deixou totalmente confusa. Bastou um toque mínimo dele, com a ponta de um dedo de uma das mãos, perto da região dos seios. Aquilo me eletrizou de tal forma que sentia meu corpo inteiro se desmanchando de vontade. E acho que não foi apenas comigo. Poucos minutos depois ele se apressou a ir para casa. Como se tentasse conter alguma força eminente dentro de si.
Depois que ele se retirou, deitada na minha cama, não consegui dormir por mais sono que estivesse sentindo. Aquele misto de ternura, carinho e amizade misturaram-se com aquela sensação eletrizante que percorria meu corpo. Eu sussurrava o nome dele em voz baixa. Por isso reafirmo: os últimos meses têm se mostrado apenas como um turbilhão de idéias confusas e muito rápidas. Passei da ternura, ao desespero, ao martírio de sentimentos de volta ao desespero e me vejo caindo nas graças da ternura de novo. Será que estou amando?
* Texto originalmente publicado em 27 de Fevereiro de 2006 às 12:31 e comentários originais dos amigos re-publicados logo abaixo

As pedras não rolaram apenas na TV*

Sábado, dia 18 de Fevereiro de 2006. Toca o telefone
– Oi, tudo bom? Você não vai sair hoje.
– Ah, hoje não tenho muitas coisas para resolver.
– Então ta bom. Beijos.
– Beijos.
Como é feio inventar mentirinhas brancas e esfarrapadas, mas foi tudo em nome da minha necessidade de suprir o desejo de ver o show dos Rolling Stones na praia de Copacabana. Não, eu não estive lá. Infelizmente, diga-se de passagem. E não foi por falta de oportunidade. Uma semana atrás um amigo meu me chamou para ir com ele e outros amigos que temos em comum. Parecia proposta de filme:
– É o seguinte, vamos de carro, sairemos daqui de São Paulo sábado à noite. Vai ficar cem reais pra cada um. Você tá dentro?
A minha vontade foi de dizer: Sim!
Mas eu não pude. Uma que a falência universitária é algo me assola há dois anos e extender-se há por mais dois. Depois eu tinha outros compromissos para esse fim de semana. Paciência. Ontem de manhã vendo meu e-mail particular recebi uma mensagem da Rádio Rock de São Paulo anunciando que o show seria transmitido ao vivo via acesso digital (e a empresa em que trabalho é que é a responsável por esse tipo de transmissão, olha que honra). Depois, uma rede de televisão muito famosa também iria transmitir, mas pelo horário que eles anunciaram eu pensei comigo:
– Das duas uma: ou eles vão começar a transmitir o show da metade, ou vão gravar os primeiros momentos depois transmitir as imagens gravadas. Olha, eu só não acerto na loto, a segunda opção foi o que aconteceu. Quando o show começou a finalmente ser transmitido eu já havia escutado cerca de trinta minutos do show pelo rádio e me emocionado com It´s Only Rock´n´roll (but I like It) e Wild Horses.
Então enquanto organizava meus cadernos da faculdade (que garota aplicada), pude ver aquilo que tão bem meu locutor favorito tinha dito. E é realmente interessante como nossa mente trabalha com informações que não podemos ver.
Momento um:
Locutor:
-Agora Mick Jagger sobe ao palco todo de preto trajando uma espécie de colete prata
Pensamentos:
– Nossa o Mick deve estar elegantérrimo como só ele, aquela magreza toda deve estar saltando na roupa preta.
Comprovação pela TV:
Caraça, esse Jagger é demais. Caramba, olha o que esses velhinhos fazem em cima de um palco. E olha esse Keith Richards. Será que é mesmo verdade que ele trocou todo sangue do corpo? Se trocou, devem ter colocado alguma coisa turbinada. Olha como ele pega naquela guitarra. Uau!

Momento dois:
Locutor:
Agora Mick Jagger está vestindo uma camisa azul enquanto as luzes do palco também estão azuis.
Locutor 2:
Será uma leve influencia de Roberto Carlos?
Pensamentos:
– Influencia de Roberto Carlos? Esses dois só podem ter bebido. Onde já se viu comparar o Jagger com o Robertão. Duvido que ele conseguisse ter traçado uma gostosa como a Luciana Gimenez e ainda ter feito um filhote tão bonitinho quanto o Lucas. Humpf
Comprovação pela TV.
– Olha só essas luzes azuis. Nossa que demais! O que? E agora que vai rolar Wild Horses? Ai, eu amo essa música. [mode olhos com lágrima ON] “Wiiiiilllllllld Horses” (nesse momento a blogueira que voz escreve larga a colher de pau com que estava preparando o jantar e corre para a sala e começa a mover as mãos para o alto de um lado para o outro no ritmo da musica, chorando como boba e cantando com a voz mais esganiçada possível).

Comentários à parte (por Dona Graça, minha mãe).
– Mas onde é que já se viu homem ficar rebolando desse jeito? Só podem ser as drogas. Imagina que homem que é homem vai ficar se requebrando todo na frente de mais de um milhão de pessoas.
– Há mãe até que o velhinho ta em forma vai? Olha só que molejo. Esse homem deve ser uma loucura.
– Menina, olha o respeito. Ele tem idade para ser seu pai.
– Ah, até tem, mas fez um filho na Luciana Gimenez que não é tão mais velha que eu.
– Aquilo é uma desarvegonhada. Onde já se viu fazer um filho de propósito com o pobre homem e depois cobrar absurdos de pensão.
– Ah agora o Jagger é um pobre homem né?
– Você me entendeu moçinha.
– Entendi, então agora canta comigo mãe: I can´t get no, satisfection. I can´t get no….!

Ouvindo: Symphaty for the Devil, dos Rolling Stones.


Esses velhinhos são demais, voce não acha?
* Texto originalmente publicado em 19 de Fevereiro de 2006 às 16:25 e comentários dos amigos republicados logo abaixo

Eu amo quando*

Outro dia eu escrevi sobre as coisas que eu odeio, que me irritam, tiram do sério ou me fazem literalmente rodar a baiana.
Oras, eu não sou esse poço de mau humor!
Então resolvi fazer um TOP 10 momentos agradáveis, para rebater o mau humor. E dá um “Xô zica!”.
10- Nada como num dia de calor intenso, daqueles que a gente precisa pentear a franja para trás para que ela não grude na testa, depois de trabalhar o dia todo sob o calor escaldante, ônibus lotados, transito estressante, faculdade cansativa, chegar em casa, jogar as roupas para o lado e tomar um banho quase gelado, daqueles que parece molhar até a alma, a água escorrendo pelos cabelos e levando o cansaço pelo ralo. E depois na seqüência colocar uma roupa limpinha, deitar em lençóis perfumados e cair em sono profundo.
9- Ainda nos dias quentes e causticantes é uma delicia também logo depois do almoço se encher de sorvete. Aquela massa geladinha e saborosa entrando em contato com a língua escorrendo lentamente pela garganta, mandando o calor embora. Que delícia.
8- Minha família é uma louca mistura de espanhóis, gregos, italianos e por aí vai. Portanto o tom das conversas normais aqui em casa às vezes atinge mais que o máximo de decibéis permitidos. Por mais que os ame, agradeço aos céus quando eles decidem viajar e me deixam sozinha no fim de semana e eu posso finalmente ligar o som nas músicas que quero ascender um incenso e ficar “viajando” ao som dos acordes.
7- Por falar em música, uma das coisas que me dá um “up” todos os dias é logo cedo ligar meu discman no último volume e ouvir minhas músicas favoritas (ultimamente minha preferência está caindo perigosamente no metal da banda alemã Primal Fear).
6- Isso agora vai parecer coisa de criança, mas não posso deixar de dizer. O número seis da minha lista vai para jogar vídeo game com meu irmão caçula. É ótimo, mesmo quando ele ganha de mim quatrocentas e sete vezes seguidas.
5- O número cinco vai para sessão de cineminha, numa sala escura, com muita bala molinha pra comer (é, não gosto de pipoca) e uma pessoa bem agradável do lado, dedos entrelaçados. Tudo de bom.
4- Passeio numa das mega, super, hiper lojas aqui de São Paulo que vendem cd´s, dvd´s, livros e tudo mais. Sou capaz de ficar horas e horas no meio das prateleiras olhando lançamentos de músicas, livros novos e antigos, folheando revistas. O tempo voa.
3- Sábado à noite, depois de uma ducha, colocar a roupa, o salto alto, colocar uma maquiagem simples, mas bonita, entrar no carro e ir para a balada com meus amigos dançar a noite toda, cantar bem alto músicas antigas do melhor estilo “I wil survive” e mandar todos os demônios pessoais passearem.
2- Encontrar com as minhas amigas no shopping para almoçar e passar horas e horas no meio da praça de alimentação botando as fofocas em dia e paquerando os bonitinhos que circulam por lá. E rapazes, para o desespero de vocês nós fazemos isso sim, sem a menor intenção de nos envolver com eles. Apenas fazemos isso para testar o nosso charme.
1- Dentre todas as coisas que me tem feito feliz a que mereceu chegar ao podium é a de conversar por horas a fio com uma pessoa, de quem gosto muito, sobre assuntos variados, sem jamais perde o interesse ou o fio da meada. Olhar nos olhos dele e saber que existe sim nesse mundo cheio de crueldade e amargor alguémem quem se pode confiar, e com quem dividir dúvidas, medos e desejos. Alguém que te empresta o ombro ou o colo para encostar a cabeça e ganhar cafuné.
Enfim pessoas, tô de bem com a vida e espero que esse texto deixem vocês também.

Gisele, Daisy e Douglas. Obrigada por tudo. Amo vocês três bobocas!

*Texto originalmente publicado em 11 de Fevereiro de 2006 às 21:21hs e comentários dos amigos re-publicados logo abaixo.

Lembranças de Infância*

Hoje em dia a internet nos oferece possibilidades infinitas, mas uma das quais eu mais aprecio certamente é a de poder discutir em Fóruns on line minhas idéias e opiniões. Num dos meus sites favoritos o Garotas que Dizem Ni há um dos fóruns mais inteligentes e interessantes que eu já vi. Numa das sessões em especifico há uma parte que fala justamente sobre as coisas que acreditávamos na infância, e navegando esses dias lembrei de várias coisas que eu acreditava ou que descobri na minha infância.
Não sei as outras pessoas, mas uma das minhas primeiras lembranças deve ser de alguns meses de vida. Lembro de estar em pé no meu cercado, sem nada mais dentro dele. Durante muitos anos achei que era apenas minha imaginação, mas depois minha mãe me contou que eu realmente tirava tudo de dentro do meu berço, colchão, lençóis, travesseiro, e ficava de pé lá dentro olhando para o mundo lá fora.
Outra coisa que acho que não acontece com a maioria das pessoas é saber quando exatamente se deu conta que era um ser pensante. Comigo aconteceu numa manhã em que meu pai me levava para a escola. Eu ouvia na minha cabeça incessantemente tocar uma música (que por sinal era aquela da Rita Lee que diz: “No escurinho do cinema, chupando drops de anil, longe de qualquer problema, perto de um final feliz”), eu perguntei para o meu pai de onde vinha aquela música. Mas é claro que ele não estava ouvindo, e eu disse que ela estava lá. Então ele me explicou que a música era um pensamento, que eu estava pensando na música e por isso parecia que eu a estava ouvindo. Isso deve ter acontecido mais ou menos quando eu tinha três ou quatro anos. Descobri então duas grandes paixões: Os pensamentos e a música. (E olha só, já era rock. Um rock água com açúcar, mas era rock).
Outra coisa que me lembro é que eu achava que dentro da barriga da gente tinha um liquidificador que triturava toda comida e por isso é que ela saia diferente do que tinha entrado (haha). E achava também que vaga-lumes eram movidos à pilha. E quando a luz deles começava a piscar é porque a pilha estava fraca.
Outra coisa que eu pensava também é que eu podia voar. Mas calma, eu não tentava pular da janela do apartamento que eu morava no décimo quinto andar. Quando andava com meus pais na rua, ia de mãos dadas com cada um de um lado. Eles me levantavam do chão e eu achava que estava voando. Era uma sensação maravilhosa.
Ainda no jardim de infância, gostava de brincar numa coisa que, aqui em São Paulo, a gente chama de trepa-trepa que consiste num grande emaranhado organizado de metal como se fossem escadas e canos, e atinge uma boa altura. Gostava e subir com minhas coleginhas e fingíamos que éramos princesas nas mais altas torres de um castelo, e imaginávamos que nossos cabelos eram muito compridos, e nossos príncipes encantados logo viriam. Mas os príncipes encantados dessa época não tinham mais que um metro e vinte de altura e normalmente abominavam as garotas, e nos jogavam areia nos cabelos.
A lua também era minha amiga nessa época. Sempre que eu andava à noite eu olhava para a lua e achava que ela estava me acompanhando. Era uma sensação única saber que aquela enorme luz branca no céu me acompanhava. E eu também achava a mesma coisa das estrelas. Eu sentia que elas me sorriam todas as noites. E olha que nessa época eu nem sabia ler, portanto ainda não conhecia a história do “Pequeno Príncipe”.
Um pouco mais velha outra coisa divina era ir para a casa dos meus tios. A casa tinha um quintal enorme e minha tia estendia no chão uma toalha daquelas de piquenique e várias almofadas. Eu deitava com meu primo e ficávamos observando as nuvens nas tarde quentes. Era uma das minhas brincadeiras favoritas: Olhar as nuvens passeando no céu e dizer com o que pareciam. Aliás, outro dia, estava deitada no meu quintal e fiz a mesma coisa o tempo passou e eu nem senti, uma verdadeira volta ao passado.
Uma das últimas memórias que remete diretamente à minha infância foi quando criei uma amiga imaginária. Seu nome era Luana em homenagem à lua. Ela era muito parecida comigo e tão espoleta quanto. Ela também andava de skate, subia os muros, as árvores, pulava na piscina do prédio de roupa e tudo, jogava bola com os meninos. Enfim, era quase uma projeção astral de mim mesma.
A única coisa que lamento dessa época é que eu ainda não sabia escrever e não podia, portanto eu fazer diários como os que fiz na adolescência, os quais hoje quando leio, tenho vários acessos de riso ou momentos de pura ternura trazidos à tona.
*Texto originalmente publicado em 02 de Fevereiro de 2006 às 22:10, e comentários dos amigos republicados logo abaixo.

Yes, it´s Music*

Hoje resolvi colocar no papel (ou quase isso) uma opinião que compartilho com meus amigos metaleiros. Metal é música sim. E música muito boa por sinal.
E não me venham você amantes incessantes de MPB, axé, pagode, samba, forró, funk e afins dizer que é “barulho”.
Se vocês entendessem de música de verdade saberiam que no metal estão os mais determinados vocalistas. Ouvindo-os eu chego a desconfiar que muitos deles passam muitos anos cantando em conservatórios e corais para aprimorar seu timbre vocal quase à perfeição. E só quem lá esteve pode dizer. Eu era solista no coral que participava no colegial, e, portanto sei melhor do que ninguém o quanto de treino é necessário para manter uma nota lá em clave de sol por mais de trinta segundos ininterruptos. Ontem eu soube que o André Matos (antigo Angra) é bacharel em música e sua prova final foi reger uma orquestra. Olha o tamanho da responsabilidade.
Cantar e fazer música é um caminho regado a suor, lágrimas, dores de garganta, pulsos abertos, pontas de dedos feridos ou insensíveis pelo constante contato com as cordas das guitarras, violões e contra baixos, noites insones pensando em letras de música e por aí vai.
Voltando ao metal. Ainda nele estão os melhores rif´s da música (aquela seqüência de notas que o guitarrista “tira” no braço da guitarra), os bateristas mais rápidos (reza a lenda que o batera do Rush treinava a velocidade das batidas batendo com as duas baquetas numa moeda apoiada numa parede sem deixá-la cair. Animal!), além claro das maiores figuras do mundo da música. Dúvida? Então pare comigo e pense.
1- Mr. Ozzy Osbourne, antigo vocal do Black Sabbath e agora em carreiro solo:
O cara junto com o Black Sabbath, pode-se por assim dizer, “pariu” o metal. Sim, assim como os Ramones foram a primeira banda de punk rock, eles foram a primeira de metal. E até hoje o som deles continua sendo insuperável! Sem falar de quem mais no mundo do rock comeu um morcego vivo no meio do show? Quem mostra a bunda despudoradamente para as câmeras? Quem disse que o Rock Hall of Fame não era bom o suficiente para o Sabbath? Só o Ozzy mesmo.
2- Kiss:
Os caras usam maquiagem pesada no rosto. A língua do baixista poderia dar três voltas no planeta se ele quisesse. Eles usam botas plataforma. O vocalista vomita sangue de propósito. Eles pisavam em pintinhos e tomavam seu sangue fresco. (Nota da autora: Pintinhos filhotes de galinhas e galinhas as aves de granja). É deles uma das músicas que mais amo: Rock and Roll all Night (and party every day). O acústico MTV deles é um dos melhores que já pude ver. Resumindo. Eles são demais.
3- Mr. Bruce Dickson, ou Senhor Iron Maiden:
Ele é baixinho, ele usava shortinhos apertados de couro e deixava à mostra aquelas coxas enormes (ui!), ele usava mulet´s e franjinha numa combinação horrorosa. Mas quando ele começa o oh-oh-oh-oh-oh-oh de “Fear of the Dark” nenhum roqueiro que se preze fica indiferente. E para provar que ele é demais, fez carreira solo e lançou a mais batida que bife de açougueiro: “Tears of the Dragon”, uma das minhas 937 músicas de cabeceira. Sim. Mr. Bruce é demais.
4- Irmãos Van Hallen:
Eles são os donos, presidentes, patrões de uma das bandas de metal mais legal de todos os tempos. Eles mandam e desmandam na banda. Eles fazem notas e rif´s memoráveis. Eles fazem merda. Opa! Desculpa falar assim, mas quando eles contrataram o ex vocal do X – treme, Gary Cherone, para cantar na banda foi isso que saiu. Bom, os gênios da música também erram.

Bom, apenas por essa pequena amostra vocês podem perceber que além de abrigar os maiores músicos em termos de rock, o metal abrange também as maiores figuras. Mas figuras agradáveis de serem lembradas. Que ficarão na história. Cá entre nós vai querer contar com orgulho para os netos que quando mais novo foi no show da Banda Calypso?! Eu que jamais. Quero contar para eles que a avó deles é uma “veia” louca que sempre gostou de rock, de punk rock para ser mais exata.
– Opa, peraí, mas esse texto é sobre metal. É isso que você deve estar pensando aí do outro lado da tela. Sim, é. Mas eu sou extremamente eclética. Dentro do rock claro. E de uns tempos para cá (umas semanas eu diria) pela influência de um amigo muito querido, essa que voz escreve tem olhado de forma mais amável para esses cabeludos, de roupas negras, e pulseiras de caveiras nos braços. E claro, estou ouvindo muito esse estilo para poder defendê-lo.
E para você que está aí balançando a cabeça negativamente e pensado.
– Ah não, metal não é música.
Eu respondo:
– Yes, Metal é música sim!
(Texto dedicado a Douglas R. Lourenço, metaleiro convicto e amigo for ever.)
Ouvindo: Beyond Realms of Death, do Judas Priest.


Ele usa mulletes e uma franjinha horrorosa mas dúvido que você aí nunca tenha feito oh-oh-oh-oh junto com ele

*Texto originalmente publicado em 29 de Janeiro de 2006 às 21: 14hs e comentários dos amigos/metaleiros republicados logo abaixo.