Meu Caso de Amor com as Letras *

Tenho saudades de um tempo distante que não volta mais que eu acordava quando o sol ainda nem estava iluminando o céu e caminhava acompanhada da minha mãe até o local onde comecei a cultivar o doce e constante hábito de ler, e do qual surgiu esse meu, digamos, dom para escrever (não que eu seja uma Cora Coralina da literatura moderna mas faço o melhor que posso ou aquilo que meu escasso tempo permite). Voltando aquele tempo, me recordo claramente da minha primeira professora, que me chamou de burra quando descobriu que eu não sabia nem ler nem escrever. Mas calma gente, pobre velhinha. No tempo eu não contava nem sete primaveras e havia ingressado numa escola onde os alunos do ciclo básico (olha que coisa antiga) repetiam de ano! Parece coisa do outro mundo mas não é e podem até me xingar mas eu achava isso ótimo, pois o pessoal da minha escola se esforçava bastante para passar de ano e isso gerava muitos trabalhos na casa dos colegas regados a bolos das “tias” e muitas risadas. Lembro-me de ter ficado chocada com a menção honrosa, mas depois que ela descobriu que eu realmente não sabia nada daquele novo mundo me ensinou pacientemente o doce caminho das letras. Com o passar do tempo lembro que meus colegas esconjuravam a professora de literatura que nós pedia para ler livros e mais livros e eu sempre adorava. Era daquelas que dormia com o livro aberto sobre os lençóis, aliás continuo sendo assim só que agora consigo pelo menos desligar o abajur e colocar o livro de lado. Claro que me enveredei por contos mais velhos que andar para trás como “Cinderela” ” A bela adormecida” e outros mas antes mesmo de saber ler, e das preciosidades que compunham os livros minha mãe já me embalava com histórias que ela ouvira do pai dela que era professor como a lenda do Gonguinho, do Lobisomem, da Mula Sem Cabeça e eu ficava imaginado tudo aquilo com um misto de temor e admiração. Quanto ao habito de escrever não me recordo direito quando começou aquele instinto de pegar um papel e escrever algo, lembro que quando era mais nova eu tinha um diário no qual escrevia coisas do tipo: Hoje foi um dia legal, eu e as meninas da classe fomos ao Shopping, ou sobre algum jovem mancebo por quem estivesse platonicamente apaixonada. Hoje quando leio tais relatos eu choro de rir com certos fatos que estavam enterrados no meu inconsciente, mas de certa forma grata por ter essa maldita mania de escrever sobre tudo o que me apetece. Bom, como disse não posso afirmar com certeza exata de quando datam minhas primeiras produções literais com o, digamos, intuito de serem literais mas eu acho que foi quando eu comecei a cantar na época do colegial. Pode parecer que não tem nada a ver mas quando você descobre um talento oculto que você julgava ser incapaz de ter isso te leva a descobrir mais coisas. Comecei a escrever músicas que até hoje guardo com muito orgulho de saber que dentro dessa cabeça oca aqui podem sair mais do que piadinhas infames e tirações de sarro. E é claro que conforme fui ficando mais velha e sofrendo mais decepções eu descobri que o estado de “dor – de – cotovelo” é um dos melhores momentos para escrever algo, não que o momento em que se está vivendo o amor não seja bom mas eu desconfio que quando estamos, por assim dizer, “apaixonadinhos” a vida fica mais luminosa, as nuvens são mais fofas e até o trânsito de São Paulo parece uma coisa insignificante. Já o fim de um relacionamento te joga para fora das nuvens e esse impacto que sofremos ao aterrizar na realidade é que nós dá uma grande vontade de extrapolar o que estamos sentindo. Alguém já escreveu sofre isso, acho que era algo do gênero” Os melhores poetas e artistas foram também bêbados e/ou drogados notáveis” mas acho que o estado da decepção meio que assemelha-se a um estado etílico ou pelo menos faz você recorrer a ele para afogar as magoas. Uma das músicas mais bonitas que escrevi foi numa dessas fases, um pré fim de relacionamento para ser mais exata. Até hoje quando a leio posso quase sentir na pele o quanto foi traumático viver aqueles sentimentos naquele momento.
Algumas semanas atrás estava conversando com um amigo sobre os talentos natos das pessoas. Ele por exemplo é artista plástico, ama o que faz e vive disso. Eu se tivesse que viver de algo assim morreria a mingua. Ele também me disse que é um talento sim eu trabalhar com finanças dinheiro, movimentação financeira, conta, etc., etc. Eu já não tenho certeza, acho que é algo que se possa aprender. Mas nesse momento retornando à minha vocação lembrei que tenho sim um dom. O de escrever e de certa forma fazer com que as pessoas identifiquem-se nessas poucas linhas. Ou não né, afinal, devaneios literais são devaneios literais e ponto.
*Originalmente publicado em 20 de Dezemdo de 2005 às 12:06
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Um comentário sobre “Meu Caso de Amor com as Letras *

  1. Fernando disse:

    concordo contigo, especialmente sobre a aprte que quando terminamos um relacionamento e caimos das nunves, esqueceu de dizer que também caimos dentro do carro no meio do trânsito de São paulo e ele é muitoooooooo chato…. heheh

    beijos pra vc minha linda,

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