Manhã de sexta-feira…*

… abri os olhos, olhei o visor do celular. Seis horas da manhã. Faltam ainda 45 minutos até o despertador tocar. Viro de lado mas não consigo dormir, mesmo tendo ido para cama à uma da manhã. Tive uma noite cheia de pesadelos. E eles ainda deixam aquela sensação ruim mesmo depois de acordar. Fico então os próximos minutos antes do toque do despertador refletindo sobre as coisas quem tem me atormentado. E não são poucas. Sinto-me muito culpada por discutir com pessoas que são responsáveis pela minha própria existência. É quase como se estivesse renegando aquilo, de mais valioso, que me foi dado de bom grado: minha própria vida. Eu deveria agradecer de coração a tudo o que me foi ofertado: minha carreira, meus amigos, minha família mas há momentos em que a ingratidão se instala no meu coração e nem tudo isso parece ser capaz de me animar.
Nos últimos dias sinto que se não fosse a presença de um amigo muito querido, que tem me ouvido pacientemente, eu já teria desabado. Todo mundo me acha forte, determinada e corajosa, mas em dias como hoje sinto que tudo isso não passa de uma casca. Poucas pessoas conseguem ver que atrás de tudo isso há uma alma sensível, carente que em certos momentos não suporta a dor e deixa cair a máscara. Eu juro que as vezes gostaria de ser mais fria, menos emotiva, mas por mais que tente não consigo mudar.
Viro de lado na cama e vejo meu irmão caçula ressonar tranqüilamente na cama dele. Nem com a idade que ele tem hoje eu era tão calma. Desde cedo vários demônios pessoais atormentam minha existência, nem amigos eu tinha. E ainda vivia em meio há várias conturbações que anos mais tarde me levaram a um estado psicológico quase letal.
Seis e meia. Estou mais acordada. Levanto, caminho até o quintal. Vejo o sol nascendo no horizonte entre as nuvens chuvosas da noite passada. Volto para a sala, ligo a TV. No noticiário matinal, famílias que perderam tudo nos temporais de verão que todos os anos castigam a cidade e de outras que perderam a vida. Ai eu paro e me pergunto: Com a vida maravilhosa que eu tenho, com tanta gente que queria estar no meu lugar para ser só um pouco mais feliz porque eu não consigo me animar? Porque essa dor latente nas minhas veias? Porque parece que eu simplesmente não consigo dar valor às coisas que tenho?
Não há respostas. Minha alma parece ter se tornado um imenso e gelado vazio tão diferente dos momentos em que estou ao lado das pessoas por quem tenho apreço.
O sol agora ilumina o lado de fora da janela da sala e pelas cortinas brancas atravessa o calor que vai esquentar mais um dia de vida. O café fumegando na xícara parece ter me aquecido momentaneamente. Me preparo para mais um dia de trabalho, mas em minha mente continuam vivas as dores que me atormentam.
Parafraseando meu amigo: ” Não fique assim, é apenas um dia ruim e logo as coisas voltam ao normal”. Eu quero acreditar nisso com toda força da minha alma. Quero de verdade que seja apenas umas fase ruim. E que um dia quando eu for uma senhorinha de cabelos muito brancos eu possa reler esse texto e rir das minhas bobagens da juventude. Quero botar a cabeça dos meus netos no colo e dizer para ele que toda dor é momentânea, que tudo passa. Mas por enquanto essa dor que me sufoca todos os dias da minha existência, parece mais real que qualquer outra coisa. Que os anjos bons que estão na minha vida continuem, eu preciso muito de vocês.

Agradecimentos: Gi, Angel e Doug! Tks pot tudo.
Ouvindo: (eu choro sempre que ouço essa música) Travis – Sing

Baby, you’ve been going so crazy
Lately, nothing seems to be going right
Solo, why do you have to get so low
You’re so… You’ve been waiting in the sun too long
(chorus)
But if you sing, sing
sing, sing, sing, sing
For the love you bring won’t mean a thing
Unless you sing, sing, sing, sing
Colder, crying over your shoulder
Hold her, and tell her everythings gonna be fine
Surely, you’ve been going too early
Hurry, cause no one’s gonna be stopped
(chorus)
But if you sing, sing
sing, sing, sing, sing
For the love you bring won’t mean a thing
Unless you sing, sing, sing, sing
Baby, there’s something going on today
But I say nothing, nothing, nothing,
Nothing, nothing, nothing, nothing
* Texto originalmente publicado em 06 de Janeiro de 2006 às 11:06hs
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