Lembranças de Infância*

Hoje em dia a internet nos oferece possibilidades infinitas, mas uma das quais eu mais aprecio certamente é a de poder discutir em Fóruns on line minhas idéias e opiniões. Num dos meus sites favoritos o Garotas que Dizem Ni há um dos fóruns mais inteligentes e interessantes que eu já vi. Numa das sessões em especifico há uma parte que fala justamente sobre as coisas que acreditávamos na infância, e navegando esses dias lembrei de várias coisas que eu acreditava ou que descobri na minha infância.
Não sei as outras pessoas, mas uma das minhas primeiras lembranças deve ser de alguns meses de vida. Lembro de estar em pé no meu cercado, sem nada mais dentro dele. Durante muitos anos achei que era apenas minha imaginação, mas depois minha mãe me contou que eu realmente tirava tudo de dentro do meu berço, colchão, lençóis, travesseiro, e ficava de pé lá dentro olhando para o mundo lá fora.
Outra coisa que acho que não acontece com a maioria das pessoas é saber quando exatamente se deu conta que era um ser pensante. Comigo aconteceu numa manhã em que meu pai me levava para a escola. Eu ouvia na minha cabeça incessantemente tocar uma música (que por sinal era aquela da Rita Lee que diz: “No escurinho do cinema, chupando drops de anil, longe de qualquer problema, perto de um final feliz”), eu perguntei para o meu pai de onde vinha aquela música. Mas é claro que ele não estava ouvindo, e eu disse que ela estava lá. Então ele me explicou que a música era um pensamento, que eu estava pensando na música e por isso parecia que eu a estava ouvindo. Isso deve ter acontecido mais ou menos quando eu tinha três ou quatro anos. Descobri então duas grandes paixões: Os pensamentos e a música. (E olha só, já era rock. Um rock água com açúcar, mas era rock).
Outra coisa que me lembro é que eu achava que dentro da barriga da gente tinha um liquidificador que triturava toda comida e por isso é que ela saia diferente do que tinha entrado (haha). E achava também que vaga-lumes eram movidos à pilha. E quando a luz deles começava a piscar é porque a pilha estava fraca.
Outra coisa que eu pensava também é que eu podia voar. Mas calma, eu não tentava pular da janela do apartamento que eu morava no décimo quinto andar. Quando andava com meus pais na rua, ia de mãos dadas com cada um de um lado. Eles me levantavam do chão e eu achava que estava voando. Era uma sensação maravilhosa.
Ainda no jardim de infância, gostava de brincar numa coisa que, aqui em São Paulo, a gente chama de trepa-trepa que consiste num grande emaranhado organizado de metal como se fossem escadas e canos, e atinge uma boa altura. Gostava e subir com minhas coleginhas e fingíamos que éramos princesas nas mais altas torres de um castelo, e imaginávamos que nossos cabelos eram muito compridos, e nossos príncipes encantados logo viriam. Mas os príncipes encantados dessa época não tinham mais que um metro e vinte de altura e normalmente abominavam as garotas, e nos jogavam areia nos cabelos.
A lua também era minha amiga nessa época. Sempre que eu andava à noite eu olhava para a lua e achava que ela estava me acompanhando. Era uma sensação única saber que aquela enorme luz branca no céu me acompanhava. E eu também achava a mesma coisa das estrelas. Eu sentia que elas me sorriam todas as noites. E olha que nessa época eu nem sabia ler, portanto ainda não conhecia a história do “Pequeno Príncipe”.
Um pouco mais velha outra coisa divina era ir para a casa dos meus tios. A casa tinha um quintal enorme e minha tia estendia no chão uma toalha daquelas de piquenique e várias almofadas. Eu deitava com meu primo e ficávamos observando as nuvens nas tarde quentes. Era uma das minhas brincadeiras favoritas: Olhar as nuvens passeando no céu e dizer com o que pareciam. Aliás, outro dia, estava deitada no meu quintal e fiz a mesma coisa o tempo passou e eu nem senti, uma verdadeira volta ao passado.
Uma das últimas memórias que remete diretamente à minha infância foi quando criei uma amiga imaginária. Seu nome era Luana em homenagem à lua. Ela era muito parecida comigo e tão espoleta quanto. Ela também andava de skate, subia os muros, as árvores, pulava na piscina do prédio de roupa e tudo, jogava bola com os meninos. Enfim, era quase uma projeção astral de mim mesma.
A única coisa que lamento dessa época é que eu ainda não sabia escrever e não podia, portanto eu fazer diários como os que fiz na adolescência, os quais hoje quando leio, tenho vários acessos de riso ou momentos de pura ternura trazidos à tona.
*Texto originalmente publicado em 02 de Fevereiro de 2006 às 22:10, e comentários dos amigos republicados logo abaixo.
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8 comentários sobre “Lembranças de Infância*

  1. CAVALHEIRA007 disse:

    Aproxime-se mais.
    Tente sentir do que um abraço é capaz.

    Quando bem apertado,
    ele ampara tristezas,
    sustenta lágrimas,
    combate incertezas,
    põe a nostalgia de lado.

    É até capaz de amenizar o medo.
    Se for cheio de ternura,
    ele guarda segredos,
    e jura cumplicidade.

    Um abraço amigo de verdade
    divide alegrias
    e se apraz em comemorações.
    Abraços são pequenas orações
    de fé , de força e energia.

    Olhe para o lado:
    há sempre alguém que quer ser abraçado
    e não tem coragem de dizer.

    Enlace-o.

    O pior que pode acontecer
    é ganhar de volta um sorriso de carinho,
    ou, quem sabe, uma palavra sincera.

    Você vai descobrir que ninguém esta sozinho
    e que a vida pode ser um eterno céu de Primavera.

    Atenciosamente
    Esperanza 02 de fevereiro 22:35

  2. LEDA disse:

    …Seja sempre especial para todos que cruzarem seu caminho. A amizade é um presente de Deus para nos mostrar que nunca estamos só.
    BEIJOS E UM BELISSIMO FINAL DE SEMANA….
    03 de fevereiro 13:41

  3. Rey disse:

    Amei! Amore mio…

    Tu e tua doçura no que escreves; no que pensas… Bem vejo tua alma nestes instantes.

    É por isso, que tanto te aprecio.

    Beijos! Mil beijos…

    Rey.
    03 de fevereiro 16:14

  4. Elizeu disse:

    Oi linda!

    Adorei tua visita, obrigado. A nossa infância sempre deixa marcas, acho que é um período de formação de toda a nossa base, estamos puros em tudo e aprendemos de coração aberto, por isso sentimos tanta falta.
    Linda conhece um site chamado Museu da Pessoa? Visite, http://www.museudapessoa.com.br, acho que vai gostar
    e quem sabe deixar tua marquinha lá. bjs
    05 de fevereiro 11:49

  5. Rey disse:

    Anjo!

    Abrir o meu space e ver-te, dá-me imensa alegria. Minh`alma, exulta.

    Compreendo que tua vida nesta selva de pedra, é tão diferente da minha. Não te preocupes…

    Tenhas um bom dia.

    Beijos! Mil beijos…

    Rey.
    07 de fevereiro 09:09

  6. Rey disse:

    Rê!

    Tuas palavras, sempre muito bem colocadas; sempre muito amáveis; sempre muito plenas de uma luz, que não encontramos facilmente por aí, me conduzem, às lágrimas.

    Diante da grandeza que tu és, eu, fico tateando sobre o teclado, na busca das palavras perfeitas para justificar-te. Entretanto, por mais procure, não as encontrarei, simplismente porque, as palavras que poderiam te explicar e te justificar, ainda não existem no pífio vocabulário humano. Sói nos anjos, haveremos de encontrá-las.

    Beijos! Mil beijos…

    Rey. 10 de fevereiro 10:56

  7. Carolzinha disse:

    Nussa… vc me fez voltar a infância tbm. Era uma moleca que adorava brincar na rua, na fazenda, ou numa casinha de sapê!!! rssssss
    Valeu!!!
    Bjus

  8. Dark disse:

    Renata, me empresta um pouco do que você toma pra ter essa memória, caramba quanta lembrança boa como as suas devem estar perdidas na minha mente, ultimamente eu mal lembro o que fiz algumas horas antes.

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