Será?*

Os últimos meses têm se mostrado apenas como um turbilhão de idéias confusas e muito rápidas. Passei da ternura, ao desespero, ao martírio de sentimentos de volta ao desespero e me vejo caindo nas graças da ternura de novo. Será… ?
Não, eu não fui mordida por nenhum inseto transmissor de uma doença nova. E tudo o que eu estou sentindo tem uma única fonte: um rapaz de olhos cor de mel e cabelos pretos. Passei muito tempo tentando evitar que isso acontecesse, mas um sábio por aí já disse que não temos controle sobre nossos próprios sentimentos. E esse sábio realmente sabia das coisas.
Tudo começou de uma forma inocente, um passeio ao shopping, horas de palavras trocadas ao telefone. Muitos risos e sorrisos. Uma amizade muito legal e sincera entre duas pessoas. Depois veio o primeiro e doce beijo. Mas, não daqueles beijos que a gente beija por beijar. Foi um beijo terno, cheio de sentimentos. Depois disso, mais telefonemas, troca de e-mails e uma crescente amizade. Alias desde que me lembro do começo das minhas amizades nunca tinha sentido uma amizade tão forte por alguém. Algum tempo depois foi a primeira vez de irmos juntos ao cinema. O filme não era lá grande coisa. Mas o beijo roubado ali no cantinho escondido atrás da bilheteria do cinema foi mais que especial. E os beijos que recebi no ombro, no pescoço, na bochecha, na orelha. As mãos dadas. O calor unindo duas almas que se gostam e se respeitam. A descoberta que ternura pode virar tesão. Mais algum tempo junto e a entrega sem medo nem remorsos, atendendo a uma urgência crescente.
E quando parece que as coisas estavam bem, toda libido cessa. A amizade cresce, torna-se primeiro plano num relacionamento entre homem e mulher. Por bem ambos decidimos que era melhor assim. Não devíamos estragar algo tão bonito e sincero por necessidades carnais. Aí surgiram mais encontros, cada vez mais a amizade imperando no ar. Troca de confidencias, sonhos, planos para o futuro.
Muitos amigos exteriores à situação me falaram: tenha paciência, pois na maior parte das vezes uma amizade tão forte pode se tornar amor. Eu nunca acreditei nisso. Mas segui em frente.
Então de repente, duas palavras ditas sem querer quase botaram tudo a perder. Uma interpretação errada e eu consegui fazer com que uma das pessoas mais importantes na minha vida nos últimos meses chegasse ao ponto de não mais querer me ver e quase me odiar.
Sucederam-se meus pedidos de perdão, muitas lágrimas, noites insones. Senti na pele o terror de nunca mais poder olhar de frente aqueles olhos cheio de ternura. Sempre fui fiel e temente a Deus, mas nesses dias em que o pânico e a dor dilaceravam minha alma, roguei com muito mais fé que me acalmassem e acalmassem a alma do meu querido.
Depois de muitos momentos de dúvida veio a primeira palavra. Por parte dele. E voltamos a conversar. Mas ele ainda se mostrava frio, distante. Perguntei se ele nunca iria me perdoar.
– Não tenho do que te perdoar, mas acho que as coisas nunca mais serão as mesmas.
Essas poucas palavras foram como um punhal atravessando meu coração. Sinceramente julguei que tudo estaria perdido. Os dias passaram e o ritmo da conversa foi tomando seu curso normal novamente, e meu coração aos pulos rogava para que minha intuição estivesse correta. Que o perdão tivesse sido alcançado. Então, numa tarde ensolarada de sábado o telefone tocou. Eu atendi imaginado que fosse qualquer pessoa, mas quando eu ouvi aquela voz tão familiar ao telefone, senti minhas pernas bambeando. Era ele. E toda a ternura e amizade tão características estavam lá. Foram quase sessenta minutos de conversa. Quando desliguei chorei, e agradeci a Deus por ter iluminado meus caminhos. As coisas estavam retomando seu eixo normal.
Na noite do dia seguinte enquanto conversávamos via MSN ele começou levar a conversa para tal ponto que me fez admitir para ele, e para mim mesma que eu gosto dele de verdade. Não apenas a amizade. Esta existe, é pura e sincera. Mas existe mais. Existe um gostar mais sublime e elevado. Nem eu sabia que sentia isso, mas foi bom ter descoberto de qualquer forma. Mais uma semana passou rapidamente e mais uma vez surgiram telefonemas cheios de ternura e amizade, que acabaram por gerar um novo encontro, frente a frente. Eu não sabia o que esperar depois de tanto tempo sem vê-lo. Ali, em pé no shopping, muito próxima do local onde tinha acontecido nosso primeiro beijo, eu olhava distraidamente os jovens casais, se beijando, se abraçando, sentindo uma pontinha de inveja boa deles. Desejando que sejam muito felizes, mas querendo ao mesmo tempo estar assim com alguém, quando subitamente sinto uma mão junto a minha cintura, e ao me virar deparo com aqueles olhos tão conhecidos. A partir daí foram momentos incríveis e tão semelhantes ao começo. Depois seguiu-se uma noite tão comum como todas as outras que estivemos juntos. Conversa agradável, piadas, música (nosso relacionamento desde o início sempre foi permeado pela música, incrível), risos no ar, bebida, trocas furtivas de olhares, até que cansados ele senta no sofá e eu repouso a cabeça no colo dele. Isso sempre foi meu consolo todas às vezes, desde que decidimos não assumir nenhum relacionamento. Já me faz feliz sentir o calor do corpo dele, e o perfume exalando de sua pele branquinha. Mas o que aconteceu depois de algum tempo assim foi o que me deixou totalmente confusa. Bastou um toque mínimo dele, com a ponta de um dedo de uma das mãos, perto da região dos seios. Aquilo me eletrizou de tal forma que sentia meu corpo inteiro se desmanchando de vontade. E acho que não foi apenas comigo. Poucos minutos depois ele se apressou a ir para casa. Como se tentasse conter alguma força eminente dentro de si.
Depois que ele se retirou, deitada na minha cama, não consegui dormir por mais sono que estivesse sentindo. Aquele misto de ternura, carinho e amizade misturaram-se com aquela sensação eletrizante que percorria meu corpo. Eu sussurrava o nome dele em voz baixa. Por isso reafirmo: os últimos meses têm se mostrado apenas como um turbilhão de idéias confusas e muito rápidas. Passei da ternura, ao desespero, ao martírio de sentimentos de volta ao desespero e me vejo caindo nas graças da ternura de novo. Será que estou amando?
* Texto originalmente publicado em 27 de Fevereiro de 2006 às 12:31 e comentários originais dos amigos re-publicados logo abaixo
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5 comentários sobre “Será?*

  1. Marcia disse:

    Ai que texto mais sensual.. rs
    Eu não acho, mas tenho certeza que se não for amor, é amor mesmo.. heheehehe
    Beijos miga.

  2. Rey disse:

    Ó, minha amadinha Rê!

    Você está amando, sim! E ninguém no mundo merece mais ser feliz, que você, minha anjinha dropp. Que Deus possa abençoar este rapaz que movimenta coração e alma tão especiais… Que Deus possa iluminar e eternizar este teu amor.

    Estou muito feliz por você, meu anjo. Muito mesmo… Seja feliz… Muito feliz

    Beijos! Mil beijos do teu amigo que te adora.

    Rey.
    27 de fevereiro 15:58

  3. Rey disse:

    Ola, meu amor!

    Depois que descobriu aquel outro amor, me largou de vez, né?

    Estou ficando triste! Não quero te perder…

    Beijos! Mil beijos deste teu amigo/ irmão/ confidente/ amor… E o que mais desejares. rsrsrsr.

    Tô arretado… Fui esquecido. Boáááááááá´!

    Rey.
    04 de março 10:18

  4. Liane disse:

    Ai, sua história é linda. Conheci seu space através do space do Rey. Acho q me emocionei mais pq o amor tb está batendo à minha porta.
    06 de março 14:49

  5. Lady Sith disse:

    Lógico que está!! Você ainda tem alguma dúvida!? Renatinha, bem-vinda ao mundo dos apaixonados. Acho que você vai gostar. Eu, pelo menos, tenho me divertido bastante. ;)
    23 de março 17:30

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