Desculpas

Tem gente nessa vida que pede desculpa por tudo: Se desculpa por respirar, se desculpa por espirrar, desculpa por piscar, e convenhamos esse tipo de coisa não precisa se desculpar pois são ações incontroláveis do nosso organismo.
Há os que te ofendem, xingam, viram sua vida de ponta – cabeça e depois vem choramigando pedindo pelo amor dos seus filhinhos que o desculpem. Esse tipo de pessoa, precisava de uma aula do tipo: “Faz o favor de pensar antes de abrir a boca para soltar besteira, sim?”
Também tem gente que erra feio sem querer, que chuta o pobre cachorro, que faz a mãe ou o melhor amigo sofrer, depois se arrepende sinceramente e pede desculpas e depois fica rogando a Deus que sejam aceitas. Eu particularmente me enquadro nesse caso, algumas vezes, dado o grau de falta de noção e distração da minha pessoa.
Tem também aqueles fulanos e fulanas que te ofendem, brigam, jogam seu nome na lama, expõe sua figura na “medina”, e quando são questionados fazem a maior cara de pau do mundo, estufam o peito e falam: Eu não vou pedir desculpas por algo que eu não fiz. Tais pessoas mereciam receber o prêmio óleo de peroba do ano.
Há também quem saiba que está errado, em dívida com os amigos e manda aquela bela desculpa esfarrapada, acompanhada de um lustroso sorriso amarelo, e olhos semi- cerrados, e é dessa que eu vou me valer hoje.
Desculpa gente por estar deixando o Idéias em Fuga meio ao relento ultimamente, mas essa que voz fala está entalada até o pescoço nos livros da faculdade, e minha cabeça não consegue pensar nada mais criativo que não envolva correlações lineares, coeficientes de regressão, previsão de demanda, ponto de equilíbrio, rateio de custo, teorias administrativas modernas, ética nas organizações, processos de seleção, metodologia para escrever textos, teoria das carteiras e mais uma infinidade de nomes técnicos que tomaram conta dos meus neurônios, e eu não quero encher vocês com nada disso.
Então exibindo meu melhor sorriso amarelo anuncio que o Idéias em Fuga estará em recesso até o dia 12 de Junho, quando finalmente me livrarei dos livros, cadernos, apostilas e da HP12C e tentarei bolar um texto fofo em homenagem ao nosso dia dos namorados. Tá, tudo bem, eu sei que eu não namoro mas isso não me impede de escrever um texto legal para quem namora tá?! Enquanto isso você pode se divertir com os blogs dos meus amigos do coração aí na coluna à sua direita.
Dirijam com cuidado, usem preservativos e desgutem com parcimônia a Fanta – Uva nossa de cada dia. Fiquem bem.
Baci.


Sorriso amarelo de desculpa esfarrapada e sem – vergonha, mas eu volto tá?

Cotidiano de Ana

O cheiro de café recém passado no coador de pano recendia no ar da casa toda, e o avental xadrez balançava de um lado para o outro com os passos agitados de Ana na cozinha. A faca com a qual cortava o pão das crianças escapuliu de suas mãos indo parar perto do pé da geladeira. Rapidamente, ao pegá-la riscou uma cruz no chão com a ponta da faca.
– Para não dar briga, falou baixinho como sua mãe havia lhe ensinado.
Enquanto os três filhos serviam-se na mesinha próxima da copa, ela rapidamente desceu as escadas que ligavam a casa na parte de cima à oficina do esposo, levando nas mãos a caneca de alumínio decorada com o time do coração da família, cheia do delicioso café que ela acabara de passar.
O portão azul da pequena oficina era bem de frente para a rua de paralelepípedos, e ao lado da entrada havia um corredor cheio de damas da noite e na calçada daquele sobrado de subúrbio um grande salgueiro chorão. Recebeu um beijo apaixonado do marido e antes de subir novamente lembrou-se de colocar as garrafas de vidro cheias de água em cima do relógio de luz.
– Esses meninos gastam muita luz por causa da demora no banho e do bendito Atari, sem falar que aquilo ainda me estraga a única TV que temos, justificava para as vizinhas.
Apressou os filhos e subiu a rua pisando em folhas amarelas que o vento de outono havia derrubado. Deixou os meninos no portão da escola soprando-lhes um beijo ao dobrar a esquina da floricultura. Desceu a rua em direção ao salão onde trabalhava desde mocinha como cabeleireira. Ao passar pela praça da cidade aspirou o cheiro das flores de Ipê Amarelo que começavam a brotar, com a proximidade do inverno. Enquanto atravessava a rua quase foi atropelada por um fusca azul marinho que vinha subindo a rua. Preparou-se para praguejar quando percebeu que era o seu vizinho Adaílton levando a mulher para o trabalho
– Desde que esse aí comprou essa bendita lata-velha passa o dia todo para cima e para baixo se exibindo, resmungou entre dentes.
– Bom dia vizinha! Desculpa o mau jeito.
– Bom dia! Vá com Deus, e para bem longe de mim pensou.
Um vento gelado balançou sua longa saia e ela apertou mais o casado de tricô que ganhara da comadre no ultimo aniversário. Esbaforida entrou no salão com o rosto corado por causa do vento
– Bom dia Lurdes!
– Bom dia Ana, que agitação é essa?
– Ai aqueles meninos ainda me botam louca! O Pedro me atormentou o caminho todo para que eu o deixe ir à matinê ver o novo filme dos trapalhões.
– Deixa menina, eles precisam se divertir.
– Hora, no meu tempo diversão era tomar picolé no coreto da pracinha.
Ligaram o rádio e enquanto começavam a arrumar o salão para mais um dia de trabalho, e começou o som de uma banda nova
– Esses tais de Titãs são bons não é?
– É sim menina, apesar de o som ser meio “pesado”.
– A sineta pendurada atrás da porta de entrada balançou e entrou a primeira cliente da manhã
– Ana minha flor, preciso que você me deixe maravilhosa! Tenho um casamento hoje à noite e preciso estar divina
– Mas claro! Você tem idéia do corte que vai quer?
– Hum, acho que pode ser igual ao da Viúva Porcina, aquela do Roque Santeiro sabe? Eu a acho muito elegante!
No fim do dia Ana voltava para casa, não sem antes conferir no armarinho do bairro as cores novas de linha para fazer seus panos de crochê que ajudavam complementar a renda, e também buscar o marido no boteco da esquina que outra vez tinha deixado as crianças em casa para jogar bilhar com os amigos e tomar uma “branquinha”.
– De novo bebendo Aderbal, anda pra casa “hômi” que ainda tenho que cozinhar o feijão “pra janta”.
– Já vou mulher, deixe só terminar mais essa partidinha com o Zé!
Enquanto subiam a rua, viram uma figura escondida atrás das cortinas da casa quase em frente.
– Ô “cumádi” escondida espiando a vida do povo de novo é?
– Imagina Ana, é que no friozinho gosto de ficar aqui perto da cortinas para aquecer.
– Cuidado que um dia alguém te pega por ser fuxiqueira hein?
O texto de hoje foi originalmente escrito para participar da Promoção Comemorativa de três anos do Garotas que Dizem NI, e está sendo publicado simultaneamente aqui e no Fórum do site. Lá os fãs que Dizem Ni também estão divulgando os textos que participaram da promoção, mas nãos foram ao ar, o que não signifique que não sejam bons, muito pelo contrário. São excelentes!
O Cotidiano de Ana foi escrito a quatro mãos e dois cérebros cheio de macaquinhos. A parte que você lembrar do subúrbio foi idéia minha, a que você der risada foi idéia dele: Douglas Rodrigues Lourenço, meu querido amigo que agüentou meus telefonemas e e-mails, pertubando sua paz, pedindo que me contasse histórias sobre seus vizinhos de bairro durante sua infância, então os personagens dessa história não são reais, mas são uma mescla de tudo que ele e eu vivemos durante nossas infâncias! Valeu mesmo querido!

Que friozinho bom*

Eu vivo dizendo e repetindo para quem quiser ouvir: Eu amo tempo frio! E claro que muita gente torce o nariz para minha frase, afinal nascemos num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza! Eu, obviamente, nasci no país errado, e não estou falando de questões ética, políticas, morais e culturais. Estou falando de condições climáticas mesmo. Eu simplesmente não suporto calor. Tenho ganas de sentir suor escorrendo pela testa, pelas costas dentro do metrô ou ônibus cheio, daquela baforada de ar quente que parece fazer o cabelo grudar no fim do dia. Talvez tudo isso seja uma questão de nascimento mesmo. Minha mãe me fala que quando eu nasci (bem nessa época do ano), São Paulo passava por um dos mais rigorosos outonos/invernos em vários anos, e se eu não morri de frio na época é porque algo mais forte estava por trás, não é? E se você ainda está torcendo o nariz para o tempo nublado lá fora, vamos acompanhar alguns deliciosos detalhes que me fazem ser fã do frio.
1- Todo mundo diz que sente preguiça de levantar no inverno mas eu sou do contra. Sério! No inverno mesmo dormindo embaixo de uma tonelada de cobertores e edrendons quando toca o despertador eu saio rapidinho da cama com a maior disposição do mundo. Acho uma delícia abrir as cortinas e ver a cidade coberta de névoa (por isso disse que acho que nasci no país errado. Londres seria uma localidade mais aprazível para esse meu gosto).
2- E por falar em dormir tem coisa mais gostosa que a noite tomar um banho super quentinho e se enfiar dentro de um pijama comprido (que pode ser uma blusa e calça de moletom), e deitar na cama em meio à montes de almofadas, travesseiros e cobertores? Hum, dá soninho só de pensar.
3- Ainda no quarto (sem pensamentos libidinosos por favor) o inverno é a melhor época para ficar agarradinho por horas a fio com a pessoa que você ama, pernas entrelaçadas embaixo dos cobertores, com duas canecas de chocolate quente e uma bacia de pipoca para acompanhar um filme de comédia romântica (ou de suspense para ficar ainda mais juntinho).
4- Saindo das almofadas, uma das coisas que mais amo no tempo frio é a moda. Verdade! Eu acho que o inverno é a época do ano em que a grande maioria de nós melhor se veste. Acho muito elegante ver homens de terno e colete de lã por baixo, mulheres usando saias compridas com botas de cano longo, encharpes, cachecóis e “ponchos” balançando ao vento, e pessoas que curtem usar boinas, toucas, etc. A cidade vira uma passarela. Um luxo!
5- O inverno também trás a nossa mesa um dos pratos mais gostosos e fáceis de se preparar: sopa! E pode ser qualquer tipo de sopa: caldinho de feijão, creme de palmito, canja de galinha. Agora os restaurante italianos claro que sempre se superam nesse quesito, pois ele servem suas sopas dentro do tradicional Pão Italiano. Quem não provou essa delicia ainda eu super recomendo!
6- Reunião com os amigos para tomar vinho, quentão e cerveja escura acompanhados de tábuas que queijo não pode ser mais adequado do que nas noites dessa época do ano. Vale também a sessão de fondue de chocolate, de queijo, combinados com frutas e pão, respectivamente.
7- Outro lugar quente (sem trocadilhos) para se freqüentar nessa época do ano são os cafés espalhados pela cidade. Nada como pedir um cappuccino, ou um café tradicional e colocar a conversa em dia com os amigos enquanto a fumaça da bebia enche o ar.
8- As flores da época também são outro ponto alto. Quase ninguém repara mas é no inverno eu brotam duas das flores que mais amo: O Ipê Amarelo e a Flor – de – Maio, que cobrem a cidade de amarelo e rosa, uma combinação perfeita contrastando com as nuvens cinzentas.
9- Como sou uma pessoa calorenta de natureza, raramente uso cabelo solto apesar de cultivar as madeixas longas. Não precisa nem bater a primeira frente fria para eu ir ao salão e fazer um corte que permita que as madeixas cubram o pescoço e as orelhas.
10- E por último e não menos importante o inverno é uma época grandiosa para andar de dedos e braços entrelaçados na rua com a pessoa que você ama, para se proteger do vento frio que deixa a pele corada e abraçar bem forte enquanto esperam a próxima sessão do cinema.
* O texto de hoje foi inspirado pelo Blog da Carolzinha: Blá Blá Blá de Uma Garota Mulher. Valeu querida!
Alguém aí quer me acompanhar nesse fondue? Hum, Eu amo tempo frio!

Balanço Anual: Meus 26 anos.

Senhoras e senhores temos a honra de receber aqui em nosso estúdio a ilustríssima futura administradora de empresas Renata Costa
(aplausos na platéia)
Entrevistador: Renata, é uma honra imensa recebê-la aqui em nossos estúdios.
Renata: Sim eu imagino que seja mesmo. Hey, não faça essa cara! É brincadeira!
E: Hahaha, sempre com seu humor afiado. Mas então Renata, como se sente chegando aos 26 anos de vida?
R: Hum, é um pouco difícil de dizer saber? Até uns anos atrás tanto fazia ter 15 ou 19, mas definitivamente depois dos 20 as coisas mudam. Hoje me sinto muito mais mulher, feminina, decidida e inteligente do que seis anos atrás.
E: Sim, é algo que nota-se à primeira vista. Mas o que tenho certeza que toda nossa platéia está ansiosa para ouvir é um breve resumo de sua trajetória até aqui.
R: Vamos lá! Espero que vocês não durmam.
Quando nasci meus pais eram pobres sabe, e não estou fazendo apelo emocional não. Minha mãe era diarista e meu pai porteiro de prédio. Eles moravam no fundo de uma casa no Capão Redondo, onde a umidade das paredes era tão grande que quando estava chovendo na Bahia começava a pingar água dentro de casa. Mas graças a Deus minha família sempre foi muito unida e trabalhadora e hoje moramos num lugar maravilhoso.
E: E sobre suas “artes” da infância e adolescência. A sua mãe nos disse que você era muito arteira
(entra vídeo da mãe dando depoimento meloso)
R: Ah, isso é verdade. Com cinco anos de idade eu lavei a cozinha do apartamento onde morávamos com óleo de cozinha, condicionador, creme rince (sic) azeite e shampoo. Depois quando ela chegou do trabalho, morta de cansaço, eu abri o maior sorriso do mundo e falei: Supêsa (sic)! Lógico que eu apanhei… haha. Mas foi para meu bem. Êta menina encapetada. Depois disso até que não tenho tantas estrepolias porque sempre fui uma criança muito doente, o que não me impediu de andar de skate durante doze anos. Todos os cabelos brancos da minha mãe com certeza foram dos tombos, ralados, hematomas e fraturas desses anos. Mas a parte boa de ser skatista é que acabei conhecendo pessoas maravilhosas, até fui noiva de um skatista. Aprendi a suportar a dor de perder amigos queridos nessa fase também. E principalmente, estive longe dos modismos e nunca tive a chance de ser “mimadinha” graças a Deus.
E: Sua mãe realmente deve ser uma santa senhora para ver você se espatifando. Mas você me disse que mudou depois dos 20 anos. Como foi isso?
R: Bom, na adolescência eu não pensava nem em fazer faculdade. Entrei em arquitetura, mas sai no segundo semestre por falta de vocação e outros motivos que não vem ao caso. Aos 20 anos quebrei o pé num half-pipe de skate e tive que parar. Ai pensei: que vou fazer da vida? Como já estava aprendendo inglês nessa época resolvi me dedicar de vez aos estudos: entrei numa escola técnica e depois na faculdade. Parei de ser maloqueira, comecei a ser mais feminina, mais mulher, fiz amigos valiosos que morarão no meu coração a vida toda, sofri decepções, perdi pessoas queridas. Enfim: entrei de vez na vida adulta, apesar de todo mundo achar que não tenho mais que 21 ou 22 anos por essa minha cara de menininha Sicciliana.
E: Muito interessante. Obrigada pela participação e desejo sucesso para você!
R: Eu que agradeço.

(nota mental: parar de tomar Fanta Uva)

Hey, se você chegou aqui depois de todo esse lengalenga: Parabéns! Gente eu sei que às vezes viajo e começo a escrever coisas totalmente sem sentido, mas hoje é meu aniversário e queria compartilhar com vocês um pouquinho das coisas que contribuiriam para fazer essa menina doida aqui chegar onde chegou. Mas, afinal hoje é meu aniversário e me dou o direito de encher lingüiça num texto sem pé nem cabeça. Parabéns para mim sim! E semana que vem eu juro que tento escrever um texto menos bobo, combinado?
Beijos da Rê

Não tem explicação

Há certas coisas na vida que simplesmente não conseguimos explicar. Não dá para explicar porque você gosta tanto da sua mãe e não se dá bem com seu pai. Porque é unha e carne com o irmão caçula e abomina o mais velho. Porque quando você era criança era a melhor amiga do primo e jogava areia no cabelo da prima e depois que vocês cresceram não desgruda da prima e tem vontade de bater no primo. Não consigo explicar porque há pessoas que por mais que me machuquem morem eternamente no meu coração e pessoas que fazem de tudo para me agradar não me fazem sentir o menor afeto.
Outra coisa que não consigo entender é porque há pessoas que não é preciso nada demais para mexer com todos seus sentidos, fazer suas mãos suarem, seu coração palpitar, que povoam seus sonhos, inclusive durante o dia. E que tais pessoas não precisam dizer uma só palavra: num simples toque de olhar você sabe que elas te amam e olhando nos seus olhos elas também sabem que são amadas. Que tudo o que vocês precisam é um abraço e um beijo no rosto para que o mundo ao redor parecer parar por alguns momentos.
Há coisas ruins também que não entendo, por exemplo, o que leva uma pessoa a querer saber a todo custo o que você sente, o que você faz, onde vai, a que horas volta, quem são seus amigos, seus gostos, seus medos, dúvidas para depois usar isso como arma contra você, e tentar te jogar contra as pessoas que te amam. E que ainda se fazem de vítimas fazendo subterfúgio de lágrimas de “crocodilo”.
Uma coisa deliciosa que não consigo explicar é como é possível ter amigos sinceros que você nunca sequer viu na vida (Babi, Naty, Candia, Lady Sith, Carolzinha, Rafael, Rey, Márcia (mãe da Belinha isso é para vocês). Pessoas que conheci via internet e que viraram arrimo nos momentos difíceis. E que se elas precisarem estarei aqui para ajudar, e claro espero um dia conhecê-los pessoalmente.
Não há como explicar que pessoas com que você tinha uma amizade enorme às vezes somem e outras que você esperava que te chutassem no momento da queda lhe estendem a mão sinceramente e ainda tornam-se amigos melhores dos que se foram.
E muito menos entender que a violência, a ignorância e a prepotência das classes levem embora para sempre as pessoas que são o porto seguro de muitas famílias, pais, mães, irmãs, esposas, namoradas, namorados, filhos e filhas das vítimas dessa patética guerra civil que está instaurada em São Paulo.
Enfim, acho que não sei muito sobre a vida e sinceramente realmente não estou muito interessada em explicar nenhuma das questões acima. O melhor da vida é que ela está aí para ser vivida. A todos nós que estamos sobrevivendo dia após dia desde o nosso nascimento nesse mundo dedico todo meu carinho e solidariedade. A todas às vitimas dos últimos acontecimentos: Força! Como eu disse antes sozinhos não podemos fazer muita coisa mas juntos começamos a mudar a rota do futuro.

Manifesto

Ontem não teve post em homenagem ao dias das mães, mas acho que eu nem preciso dizer o quanto a Dona Maria é importante para mim. Mãe te amo e agradeço a Deus todos os dias por ter colocado você na minha vida. Meus amigos sabem o quanto a senhora é admirada por essa branquelinha aqui, mas o meu texto de hoje, infelizmente, não vai ter nada de fofo ou de adorável.
Estou aqui manifestando publicamente o medo e a revolta que tomam conta do meu coração frente aos acontecimentos dos últimos três dias no Brasil, especialmente aqui em São Paulo. Mais de cinqüenta pessoas mortas entre policiais militares, civis, bombeiros e até guardas florestais. Ônibus incendiados. Caos na cidade. E tudo isso em troca do quê? Da libertação dos chefes do crime organizado.
Estou aqui para dizer para as famílias que tiveram seus familiares e amigos vitimados que estou aqui mostrando meu lado solidário a vocês. Acho que todos podemos concordar que essa onda de violência que se instaurou nos últimos dias tem origens muito remotas. A começar pelo nosso sistema judiciário. Eu pasmo quando leio os dados estatísticos do Estado que informam que para manter um presidiário atrás das grades é mais caro que manter uma criança na escola ou um leito de hospital. Então tá aí a explicação para que as pessoas acabem se voltando para a criminalidade. Esse tipo de coisa é revoltante. Não que todo mundo que passe por dificuldade na vida acabe se voltando a práticas ilícitas, eu que o diga. Quando nasci meus pais moravam no bairro do Capão Redondo, um dos mais violentos de São Paulo, e só Deus sabe o esforço e as provações que passamos para chegar onde chegamos, tudo com muito esforço sem passar por cima de ninguém, mas nem todo mundo tem a sorte de ter uma família amorosa, uma educação boa e oportunidades na vida como eu tive. E não adianta balançar a cabeça e dizer:
-Eu não tenho nada com isso, a culpa não é minha.
Todos nós como cidadãos responsáveis precisamos ter consciência que de certa forma o que acontece no mundo a fora é reflexo de nossas ações. Se você compra um CD pirata financia o crime. Se usa drogas ilegais financia a marginalidade. Se você se nega a ajudar instituições sérias e responsáveis que ajudam crianças e adolescentes problemáticos você contribui com a falta de formação de futuros cidadãos de bem. Se você começa a jogar as pessoas umas contra as outras em seu próprio interesse você colhe falta de oportunidades no futuro. Fácil assim!
Hoje de manhã estava conversando e acho que outra coisa terrível no nosso país é como pessoas que, teoricamente, juraram lealdade em defender sempre a verdade se envolvem em fatos horríveis. Tenho muitos amigos que são advogados (ou futuros advogados) que lutam e prezam sempre pela justiça. Agora, alguém me explica o que passa na cabeça desses advogados que defendem os criminosos como a da senhorita Suzane von Richtofen*? Ou pior, como o “digníssimo” juiz Nicolau dos Santos Neto que roubou descaradamente o país todo? Essas pessoas estudaram para fazer o bem e utilizam-se de seus conhecimentos para fazer o mal. Eu acho que essa pessoas não viraram bandidos depois de chegar lá (assim como nosso políticos). Na minha opinião eles eram aquele garoto chato que não respeitava o professor, que só passava colando, que comprava trabalhos prontos, que comprou um diploma na faculdade. Até aí são pequenas infrações que não podem ser julgadas pelo sistema judiciário, mas que contribuem na formação de um bandido. E como os contemporâneos dessas pessoas não fizeram nada na ocasião, quem agüenta as conseqüências? Nós! Da mesma forma que as gerações futuras poderão pagar por nossos atos. Esse ano tem eleição. Então eu peço de coração a você que visita esse humilde espaço: bote a mão na consciência e lembre desses fatos que estão ocorrendo e mudando para sempre o destino de centenas (senão milhares) de pessoas. Não foi comigo, ou pode não ter sido com você. Mas, poderia ter sido. Meu Amor e Empatia a todos aqueles que perderam parentes e amigos nesse último fim de semana. Eu queria poder fazer mais por todos vocês, mas eu acho que meu manifesto, mesmo que escrito é uma forma de pedir:
Basta! Nós queremos justiça nesse país.
* Suzane van Richtofen foi cúmplice no assassinato dos país e move, juntamente com os advogados, um processo para ser herdeira legítima dos bens da família. Que Deus levante só um pouquinho a venda da Justiça!

Alguém para o mundo que eu vou descer

O fim dos tempos está chegando, só pode. E não estou falando de hecatombes nucleares, furacões com nome de mulher, maremoto, terremoto, ventomoto, ou qualquer coisa que o valha. Estou falando da falta de respeito que homens e mulheres tem por si mesmos, porque falta de respeito ao próximo é algo que existe desde Caim matou Abel de inveja.
Com diria o Arnaldo (Jabor) vivemos na era da bunda. Sim, aquela parte do corpo feminino (e masculino) tão avidamente cobiçada. Eu acho que sou careta demais, pois fico horrorizada quando saio para dançar ou para tomar uma cerveja com os amigos e vejo aquelas meninas usando o top no lugar da saia e dançam porpurinadas de forma que, mesmo sem querer, é possível ver as trompas de falópio das garotas acenando para você, e o mais impressionante é que elas realmente se acham glamurosas (rainhas do funk) poderosas (e que tem olhar de diamante). Eu sinto vergonha alheia por essas garotas.
Sabe, hoje em dia é tudo muito fácil não só para eles mas como para nós e isso me irrita. Dificilmente vejo aquela coisa legal que é o jogo da conquista: a troca de olhares, de telefonemas, o toque de mãos, as idas ao cinema, um drink tomado despreocupadamente. Hoje em dia é aquela coisa, o homem ou rapaz sai de “balada” com os amigos e muitas vezes (ao contrário do que se possa pensar) saiu só para se divertir, não estava com vontade de sair beijando ninguém, mas agora me responde: como pode o pobre agüentar uma garota com saia microscópica cruzando e descruzando freneticamente as pernas acomodadas numa micro saia à sua frente? Até para nós garotas a coisa está nesse nível. Mês passado fui ao aniversário da minha irmã postiça, que foi num bar com pista de dança num bairro badalado da zona leste. Eu fui direto da faculdade então imaginem: totalmente desarrumada. Lá pelas tantas estava encostada numa pilastra e numa questão de trinta minutos três rapazes vieram falar comigo quase implorando por um beijo. A questão aqui não é a de eu ser bonita ou coisa assim, mas pensei que eu sair com o intuito de me divertir com meus amigos e amigas e me vem um babaca, que nunca me viu na vida, querendo me beijar? Eca! Vai saber onde ele colocou a boca antes. E por último mas não menos pior, se eu me aventuro numa dessas nunca mais vou ver o cidadão então que graça tem sair beijando desconhecidos? Como eu disse ali em cima tá muito fácil para homens e mulheres entrarem em aventuras vazias com pessoas completamente estranhas por alguns momentos que depois virarão lembranças mais vazias ainda.
E não é apenas nas baladas que acontece esse tipo de coisa. No nosso meio social é muito fácil ver garotos e garotas que parecem animais caçando o parceiro ou a parceira para o ato sexual e depois sumirem do mapa. Eu sei bem o que é a dor de perder a pessoa que você ama, que passou anos cultivando uma relação de afeto, respeito, carinho e amizade por que uma “cidadã” usou um decote a mais, centímetros a menos na saia e esteve disposta a dar aquilo que você só dava por amor, sem complicações, e ver depois o seu antigo objeto de afeto quebrando a cara e decepcionando-se. Outra coisa que me irrita são essas garotas que vasculham sua vida a fim de saber qual a sua relação com um garoto (que pode simplesmente ser só um grande amigo) e fica fazendo as maiores especulações sobre você. Esse mundo anda chato, fútil, cheio de cachorras, preparadas, popozudas, porpurinidas que não agregam nenhum valor a nada. Garotas lindas, com rostinho de criança e cérebro de ervilha ferindo os olhos mais sensíveis enquanto expõem gloriosamente suas bundas e peitos na banca de jornal. Eu posso ser uma sonhadora mas eu realmente acredito que o mundo poderia ser coberto de pessoas como meus amigos e amigas que são pessoas íntegras, que têm objetivos na vida, que não precisam fazer de conta que são objetos sexuais expostos na vitrine das lojas para conquistar amor e carinho, que saem de balada para se divertir, que beijam na boca porque gostam do objeto de afeto sinceramente, mesmo que esse não seja exatamente um namorado ou namorada. Mas enquanto isso não acontecer, alguém por favor para o mundo que eu quero descer!
Olha a gente aí se divertindo a valer, não é mais legal assim?