Você é responsável?

Numa época de dificuldade financeira, escassez dos meios produtivos, abuso de mão – de – obra semi – escrava (em pleno século XXI), em que há milhares de famintos enquanto a produção mundial de alimentos é suficiente para atender a todos os habitantes da terra, é difícil permanecer impassível a todas essas situações.

Estou lendo um livro bastante interessante chamado: “Como mudar o mundo” de David Bornstein que trata justamente da questão do empreendedorismo social e do poder de novas idéias. Por empreendedorismo social o autor define aquelas pessoas cujas idéias, projeto e ações visam não apenas melhorar a posição financeira e social de um indivíduo, mas sim aquelas que trazem benefícios a pelo menos uma parcela “especial” da sociedade e tem capacidade de ser auto – suficiente, ou seja, gerar o suficiente para se manter se a intervenção governamental. As famosas Ong´s espalhadas ao redor do mundo sintetizam perfeitamente essa idéia.

Mas, obviamente, não é necessário que você e eu, meros mortais abramos mão de nossas vidas comuns para começar um projeto social, como os casos relatados no livro. Creio que pequenas ações no dia – a – dia nos tornam pequenos empreendedores, tais como:

1- Ajudar instituições de apoio a crianças com deficiências ou lar que acolhem idosos:
Existem centenas de milhares desses tipos de instituições, e claro que todas merecem nosso apoio. Mas, até onde eu siba ninguém aqui ganhou na mega sena para tanto, e nem todos os lugares são realmente sérios. Vemos todos os dias lugares que maltratam seus pacientes. Então, uma coisa legal a se fazer é tirar um dia de sua folga e tentar visitar um desses lugares, ver como cuidam dos pacientes, se realmente são digno de ajuda, e aí sim dedicar parte de sua renda para elas.

2- Ser voluntário:
Como citado acima existem instituições espalhadas pelo mundo todo, e nem todas são especializadas apenas em cuidar de idoso e crianças. Existem também aquelas que buscam ensinar algo de novo para a comunidade, como o projeto Olodum que ensina música para as crianças, o projeto Voluntários aqui de São Paulo que ensina línguas estrangeiras, matemática e português para pessoas carentes. Claro que para ser voluntário é necessário preparo e treinamento, mas compartilhar o que você sabe com as pessoas que precisam já é uma forma de voluntariado.

3- Doar alimentos
Como eu disse acima a produção de alimentos no mundo seria capaz de atender a população de todo planeta, mas claro que por questões políticas e burocráticas isso não ocorre. Então, por que não destinar aquele pacote de bolachas, de farinha e arroz que você sabe que sua família não vai consumir para quem precisa? Sempre há quem precise mesmo ser ajudado e sempre há quem possa ajudar.

4- Doe sangue
Dia após dia o número de acidentes aumenta a necessidade de sangue para transfusão nos hospitais, principalmente nos brasileiros, então esse pequeno gesto pode salvar muitas e muitas vidas. Meu amigo Muta sempre ao e chama os amigos. Entre você nessa corrente.

5- Autorize a doação dos seus órgãos.
Doar órgão é um ato de amor ao próximo, a despeito da imensa polêmica que o envolve. Serei sucinta: uma vez que seu corpo carnal esteja morto você não precisará mais dos seus órgãos; tem de agradecer profundamente que eles lhe foram úteis e perfeitos durante sua vida, mas depois disso eles podem ajudar uma mãe a ter seu filho perto dela por mais tempo, uma família a não perder seu pai, uma criança cega ver a luz do sol de novo.

Pequenos atos do nosso cotidiano podem nos tornar socialmente responsáveis; pense nisso.

“Sozinhos nada podemos, mas juntos podemos fazer do mundo um lugar mais justo”.

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Tratado da pretensa escritora (ou como é que coisas tão absurdas surgem nessa página da Web)

No começo das férias da faculdade (cerca de um mês e meio atrás) resolvi impor como meta ao meu espírito criativo que deveria escrever dois textos por semana para exercitar minha capacidade de pretensa escritora.
Obviamente que a fonte criativa por vezes seca e fico longos minutos com os dedos pousados no mouse e o olhar perdido observando o cursor piscando no canto esquerdo da tela. Ai começo a navegar pela Web em busca de inspiração, e normalmente vou aos mesmos sites diariamente como o Garotas que Dizem NI, o Idéias Mutantes e o Curto & Grosso (todos de certa forma padrinhos do Idéias em Fuga). Mas, às vezes, nem assim consigo bolar algo criativo e o cursor continua zombando da minha cara na telinha branca.

Nessas horas costumo vasculhar o baú de memórias da infância e adolescência varrendo o tempo em busca de estórias mirabolantes, casos, músicas, programas de televisão, brincadeiras, qualquer coisa que ajude, mas nem assim a coisa flui. Me volto então para as atualidades: cinema, música, livros, comportamento e nada. Eu desconfio que às vezes alguém tranca a porta da criatividade da minha mente insana e leva a chave embora me deixando à mercê do monstro do bloqueio criativo.

Quando vejo que não há mais nada que eu possa fazer recorro imediatamente ao lado sombrio e obscuro da parte criativa e começo a escrever contos que misturam muito pouco da realidade com uma dose cavalar de coisas que nunca vivi ou presenciei, e, bem ou mal, são eles que me salvam da derrocada de olhar para essa página verde sem nada novo publicado.

Porém, é claro que chega uma hora que a criatividade para contos serelepes acaba e começo a pensar sobre outros temas de contos que podem surgir, e não sei se devido à minha revolta com algumas atitudes hipócritas que vejo no dia – a – dia, ou pela complexidade de algumas letras de música que gosto, minha mente tem se voltado vertiginosamente para a geração de idéias com as quais tenho lutado para não publicar e que estão fervilhando em minha mente. E os temas certamente não são os mais carismáticos, sensuais ou envolventes. Todos tem ligação com o lado negro e sombrio da psique humana: suas manias, taras, desejos secretos, maldades e crimes; como eu disse ali em cima nada necessariamente que eu tenha vivido passado ou concorde, mas eu tenho a estranha capacidade de me colocar no lugar desse tipo de personalidade “desviada” e tentar pensar como eles, saber o que passa em suas mentes, seus desejos mais íntimos, e isso tem gerado um turbilhão de idéias que precisam de uma válvula de escape.

Então queridos leitores, se daqui alguns dias vocês se depararem com textos tratando de temas polêmicos, entenderei caso fechem a página ou não queiram comentar, mas eu preciso colocá-los para fora em forma de conto, ou eles podem tomar conta dessa que voz escreve.

Conflito de Gerações

Quando eu era nova detestava quando meus pais, tios e avós estufavam o peito e diziam: “Na minha época tudo era diferente”. Eu cuspi para cima e caiu na minha testa. Não é de agora que venho me questionando sobre o comportamento das gerações mais novas que eu, e como estou de férias da faculdade tenho aproveitado bastante as noites livres para ir ao shopping com meus amigos ou meu irmão caçula e minha mãe e fico realmente passada de ver a quantidade de “tribos” que surgiram nos últimos tempos, mas o pior de tudo não são as tribos em si, mas a falta de ideal delas. Hoje em dia os jovens adotam visuais no mínimo estarrecedores, mas se perguntarmos o porque de se vestirem assim, dificilmente eles saberão responder. Bom deixemos de balela e passemos à análise dos visuais:
Punk-rocker´s de botique:
Como identificar
: Garotos usam mini – moicanos que consistem em deixar a parte do meio do cabelo um pouco mais alta e curtas as laterais (imagina raspar o cabelo!). Costumam usar piercing na boca ou sobrancelha. Usam camisetas das “maiores” bandas punk-rock da atualidade: Green Day, Good Charlotte e por aí vai. Garotas pintam o cabelo de vermelho, verde e rosa, se maqueiam como se fossem matar alguém. Todos usam correntes para não deixar as calças cair.
Ideal: Não existe. Se vocês perguntar para a maioria o que eles acham de bandas como N.O.F.X, Bad Religion ou Ramones, ou do movimento punk em que essas bandas estiveram inseridos eles dirão que são coisas velhas e não estão interessados em saber.
Sugestão: Apresentar aos garotos o verdadeiro som punk da década de 70, explicar porque eles eram assim e mostrar que usar correntes para segurar as calças não os levará à lugar algum.
Emos
Como identificar: Garotos e garotas usam roupas pretas, All Star (um adendo: eu uso All Star desde que tinha tamanho suficiente para um caber no meu pé e me revolta eles babarem no meu All Star Vermelho), garotos usam franja enorme cobrindo o olho que também é coberto por toneladas de lápis/ sombra pretos. Garotas usam cabelos, em geral, de corte “chanel” meia arrastão. Todos curtem bandas de Emocore como My Chemical Romance e afins.
Ideal: Não existe. Se vocês perguntar para eles porque se vestem daquele jeito, ou porque estão sempre com aquela cara de sofrimento eterno não saberão responder. Mas o fato é que eles sofrem, gostam de falar do sofrimento, escrevem poesias e músicas de sofrimento e curtem o sofrimento (eu sei que a palavra tá repetitiva mas é para dar noção de como eles sofrem sem motivo).
Sugestão: Presentear cada um com um vidro de demaquilante para olhos, um corte de cabelo mais decente, um CD com as melhores músicas do Supergrass para dar uma animada, e ter uma séria conversa com os pais do cidadão em questão. Não é possível que eles achem normal que seus filhos saiam de casa daquele jeito.
Rebeldes
Como Identificar
: Meninas usam camisas semi- sociais com o sutiã aparecendo e saias colegiais demasiadamente curtas. Garotos usam o mesmo tipo de camisa com bermudas (?!). Todos usam muito gel, e cortes de cabelo moderníssimos. A atitude consiste em traumatiza pais e avós com seus atos, roubar a namorada ou namorado da/o melhor amiga/o, exercitar intrigas, desrespeitar os professores e colegas de classe.
Ideal: Não há. Se você perguntar para eles qualquer coisa relacionada ao movimento jovem durante a Ditadura Brasileira, sobre anarquia ou qualquer outro substantivo fora de uso na Gramática da Língua Portuguesa olharão sensualmente para você e avisarão que estão atrasados para o cabeleireiro/ academia.
Sugestão: Emprestar o DVD de ” Anos Dourados” (sim aquele mesmo com a Malu Mader), o Livro “O que é isso companheiro” de Fernando Gabeira e “Olga” de Fernando Morais, solicitar que estudem atentamente o movimento juvenil das décadas de 60 a 80 no Brasil e na década de 40 na Europa, e depois disso tentar traçar um paralelo entre os motivos de rebeldia de antes, e os de agora.
New Gotic (Novos Góticos)
Como Identificar
: Se você estiver andando na rua, e o termômetro mais próximo estiver marcando agradáveis 38ºC na sombra e passar por você um jovem extremamente pálido, com cruzes no pescoço, todo vestido de preto, coturno e um sobretudo para cobrir tudo isso, não pense que encontrou um religioso abnegado. Bom talvez seja, mas observe: caso esteja portando camisetas de bandas como After Forever, Nightwish e afins você está frente a frente com um Novo Gótico. Acompanha o “kit” unhas pretas e maquiagem escura como a dos Emos, mas normalmente os góticos usam cabelos compridos e não tem cara de sofridos, e sim de desencarnados.
Ideal: Não há. Eles aprenderam com os primos e amigos mais velhos que é legal ficar no cemitério tomando vinho e fazendo poesia. Mas eles não sabem porque fazer isso, e também tem medo de cemitério
Sugestão: Levá-los para comprar umas roupas mais coloridas, ou pelo menos uma peça de cor branca. Mostrar que pessoas que curtem The Cure e se vestem de forma mais descolada (como eu) não são hereges profanadores do “movimento” e sim pessoas normais. Aconselhar o uso de menos vinho e adotar e pan-cake (maquiagem que os deixa brancos).
Eu sei que essa crônica está ácida demais, mas não levem meus comentários e sugestões para o lado preconceituoso, foi apenas meu jeito de dizer: “Na minha época, as coisas eram muito diferentes” (modo tiazinha chata de 26 anos off)


Fica triste não, vamos ali comprar um demaquilanete e um cd do Supergrass e tudo ficará bem.

O Mundo precisa de Heróis?

Não sei se posso ser considerada uma pessoa extremamente influenciável pela onda de filmes que está em cartaz no verão Norte Americano (ou férias de meio de ano Brasileiras), mas a enxurrada de heróis que invadiu nossas telinhas não conseguiu me deixar imune. Ontem fui assistir Superman Returns, e não farei comentários sobre o filme mas sim sobre as questões ideológicas que ele ressuscitou na minha alma. O Superman é, na minha visão, tudo aquilo que um herói representa: alguém que luta pelo amor e pela justiça doa a quem doer, e para isso você não precisa de super – poderes. Parafraseando a tia do Homem Aranha no segundo filme da série: “Um Herói é alguém que fez a coisa certa no momento certo”, e isso encerra tudo o que eu penso sobre a figura daqueles que carregam esse título, porque herói de verdade não diz que é, ele é apontado como tal.
E num mundo como o de hoje com tantos anti – heróis, onde somos forçados a engolir julgamentos longos e demorados de pessoas que mataram a família, violentaram inocentes, jogaram bombas ou colocaram armas nas mãos das crianças, eu me pergunto onde estão os heróis desse mundo, quem são e o que fazem essas pessoas que servem de exemplo para o mundo? Eu pergunto, e eu mesma respondo: na minha vida, e certamente na vida de muitas pessoas existiu ou existe alguém que fez o coração bater orgulhoso, e os olhos brilharem enquanto na mente vinha a certeza de que aquela pessoa tinha dentro de si o dom do heroísmo. E eu posso dizer com a cabeça erguida quem são os heróis do mundo de hoje, na minha visão vacilante de pretensa escritora:
Bombeiros
Eles são pessoas que estão dispostas a abrir mão da sua própria vida em prol da vida alheia. Ou você acha que é fácil manter uma família com o salário da classe aqui no Brasil? Eles fazem o que fazem por amor à vida e à profissão. Desde criança até hoje quando vejo um soldado do corpo de bombeiros correndo para socorrer alguém meu coração bate orgulhoso.
E tenho um motivo especial para isso, pois quando eu não tinha mais do que dois anos, estava com minha mãe num mercado da zona sul de São Paulo, que ficava atrás de um córrego. Subitamente despencou um temporal que fez as águas subirem e que invadiram o mercado. Fui salva juntamente com minha mãe pelos bombeiros, e se aqui estou hoje é graças a eles. Há também outro caso um pouco mais recente do soldado que se atirou nas águas de um rio da Zona Leste em meio a outro temporal para salvar uma mulher que havia caído nas águas agitadas. Os outros bombeiros conseguiram salvá-la, mas o soldado faleceu. Mais uma prova de que eles doam a vida em prol da Vida.
Paramédicos
Aqui no Brasil eles também recebem o nome de Anjos do Asfalto, pois na maioria das vezes socorrem vítimas do trânsito. Também enfrentam condições adversas e correm contra o tempo para salvar vidas alheias e também o fazem em troca de um salário vergonhoso. Mas é emocionante ver o brilho nos olhos deles quando conseguem salvar uma vida que estava se esvaindo.
Polícia Militar, Civil e afins.
Alguém pode empinar o nariz e dizer que nossa polícia é corrupta, que não resolve nada, mas o sistema falho, e o erro de alguns elementos da Corporação não apaga o brilho do trabalho deles. Não entrarei em detalhes, mas posso dizer que minha pele já foi salva pelo menos meia dúzia de vezes por eles.
Parentes
E quem disse que parente só é bom no álbum de fotografias? Tá tem uns que são mesmo. Mas, quero citar aqui dois casos de heroísmo na minha própria família:
O primeiro é meu tio José. Cerca de dezesseis anos atrás, meu outro tio que chamávamos de Bito, estava muito doente devido o contagio do vírus HIV e além de tudo sofria preconceito por 98% da família pelo fato de ser homossexual. No momento da sua morte meu tio José (junto com meus pais, e eu que tinha dez anos) foi o único a peitar a família inteira para cuidar do irmão e ainda ser justo destinando parte dos bens dele ao companheiro do tio Bito. Se hoje em dia o preconceito acerca desse tipo de assunto é enorme, imagina no início da década de 90? Outro caso, que eu estufo o peito é minha mãe. Uma mulher que, como muitas outras, saiu muito nova de uma casinha de barro no interior da Bahia e veio enfrentar o destino aqui em São Paulo, teve que se desdobrar durante oito anos entre ser dona de casa, esposa e mãe de uma criança extremamente doente (eu estive à beira da morte muitas vezes nos meus primeiros oito anos de vida). Mas ela lutou e se tornou a mulher que mais admiro no mundo. E não é por que ela é minha mãe. É porque ela é meu maior exemplo de que se fazemos as coisas certas no momentos certo o mundo conspira a seu favor. A todos meus Heróis, fica meu muito obrigada, e a você que chegou até o fim desse texto fica a minha pergunta: O mundo precisa de heróis? Eu já sei a resposta e você.

Se bem que seria muito bom olhar para o céu e ver ele lá….

*Dica da autora: Texto para ser lido ao som de Heroes – The Wallflowers.

Ligações perigosas…

Contos
A vida não estava sendo justa, pensou ele após um muxoxo. Depois de tantos anos de relacionamento a companheira o tinha abandonado e ainda tinha que agüentar o olhar de desdém que ela ostentava quando passava por ele impondo a aliança de compromisso de seu noivado, enquanto lançava olhares furtivos em sua direção. Aquilo o estava consumindo por dentro, e resolveu que era hora de sair da inércia e partir em busca de uma nova mulher, porém depois de tanto tempo não sabia mais o que era a arte de seduzir. Não deixou que isso o derrubasse e resolveu sair com seus grandes amigos para dançar, beber e quem sabe encontrar sua nova musa.
Quando lá chegou abraçou os amigos que há muito não via e se dirigiu à pista de dança quando viu ao longe uma garota que lhe chamou a atenção imediatamente. O jeito que ela sorria e dançava o fizeram estremecer como se uma onda elétrica tivesse percorrido seu corpo, e então ela passou a perseguir com os olhos aquela mulher. Uma de suas amigas notando o interesse chegou ao pé do seu ouvido e sussurrou:
– Vejo que minha amiga te chamou a atenção, porque você não vai até lá conversar com ela?
Seu coração disparou. Não podia imaginar que aquela linda garota e ele tinham amigos em comum, e pelo visto não apenas um. Ela era amiga de grande parte dos amigos que ali estavam naquela noite, e muito querida por todos, fato esse que o deixou ainda mais receoso, pois até então nunca soubera de sua existência. Ficou com medo de ir conversar com ela, e ser rejeitado, ou de magoá-la. Nisso a amiga já havia espalhado por todos os outros as intenções dele e isso o intimidou. E enquanto isso os amigos e amigas já brincavam com a garota que sorria divertida, sem entender nada.
Quase no fim da noite, quando o lugar já estava vazio, após alguns copos de bebida ele resolveu tomar coragem e ir encarar de frente os belos olhos que procurara a noite toda, e surpreende-se com a doçura da fala e o brilho no olhar da garota. Tomou coragem e a convidou para sair.
Marcaram para a semana seguinte um jantar num restaurante charmoso. Ele prendeu o fôlego quando a viu chegar, envolta numa roupa que a deixava ainda mais bonita, os cabelos balançando enquanto caminhava, o olhos emoldurados pela negras sobrancelhas.
– Fiquei feliz com seu convite querido.
– Eu que fico lisonjeado de você ter aceito, você não imagina o quanto.
O jantar transcorreu agradável quando ele finalmente decidiu falar de suas intenções, porém a resposta caiu sobre ele como um balde de água fria. Ela estava saindo constantemente com um dos seus melhores amigos, e pelo brilho apaixonado dos olhos dela, ele pode entender que não se tratava apenas de um caso, mas de desejo.
Enquanto ele abaixava a cabeça sentiu o calor das mãos dela sobre as dele e viu os lábios rosados movendo-se enquanto sorria. Tentado refazer-se do choque apenas ouviu
-…..mas isso não te impede de tentar.
– Como assim? Você está saindo com um dos meus maiores amigos e quer que eu o passe para trás?
– Eu estou saindo com ele mas não temos nenhum compromisso firmado, e eu posso ver o desejo que sente por mim quando olha minha boca, percebi isso desde a outra vez. Por que você não deixa esse receio de lado e aproveita a chance que a vida lhe dá?
Ele ia responder, mas antes que pudesse sequer pensar sentiu os lábios dela colados junto aos seus, e as suas mãos inconscientemente envolveram a cintura dela puxando o corpo perfumado para mais perto…. e antes de concatear qualquer idéia arrepiou-se ao ouvir
– Ei, não seja mais bobo, vamos aproveitar essa noite.
Semanas mais tarde, encontrou-a de mãos dadas com seu amigo, passeando num shopping da cidade e quando o amigo o abraçou e perguntou como ele estava, apenas sorriu enquanto a fitava com o canto dos olhos:
– Melhor impossível cara! Melhor…..impossível.


– Ei, não seja mais bobo, vamos aproveitar essa noite…

Que doçura

Não amigo leitor, se você tem problemas de diabetes e/ou horror a coisas açucaradas não precisa fechar desesperadamente essa janela, mas você já notou que há pessoas em nosso caminho que nasceram com o dom de tornar nossa vida mais doce? O texto de hoje é dedicado àquelas pessoas que fazem do nosso dia – a – dia ser mais, digamos, saboroso.
1- Padeiros, balconistas de balcão, ou de lanchonetes em geral
Você já notou que normalmente esse tipo de pessoa, a despeito de sua origem humilde, são os primeiros a tornar nosso dia melhor? Sempre nos atendem demostrando seu melhor sorriso, além de nos brindar com as melhores guloseimas matinais.
2- Recepcionistas, secretárias, e mocinhas portanto coques no cabelo em geral.
Sim, eu sei que muitas delas não fazem mais do que a obrigação de serem educadas e prestativas, porém há aquelas que fazem isso com muito carinho e amor. A recepcionista do meu cardiologista é uma senhora de cerca de 50 anos, mas ela é a própria essência da classe e educação. E não faz isso porque precise fingir. Ela faz isso porque é da natureza dela. Semana que vem tô indo aí viu?!
3- Senhoras da limpeza e do café.
Essas adoráveis e limpinhas criaturas além de cuidar para que possamos trabalhar num ambiente mais saudável, com menos ácaros flutuando no ar, ainda costumam trabalhar alegres, apesar do serviço pesado, e de quebra ainda fazem um café divino para espantar o sono de quem teve que acordar às 5 da manhã. Eu não tomo café, mas para minha sorte da senhora do café aqui também faz o melhor chá mate com limão que eu já provei até hoje.
4- Garçons e garçonetes (em restaurantes)
Na hora do almoço, a melhor pedida e ir em algum lugar que você já está acostumado, e de quebra ainda tem amizade com as figurinhas acima. Como eu almoço fora todo dia, já conheço a grande maioria dos garçons e garçonetes dos restaurantes da região, mas vou quase todo dia a um em particular, e nesse virei amicíssima de um dos garçons que realmente é uma doçura de menino, e o sorriso dele quando me vê chegar certamente é um dos mais doces momentos do dia. E não fiquem pensando que o sorriso dele é por causa de gorjeta, porque o restaurante é do estilo self – service, e lá os garçons só servem as bebidas e sobremesas, logo é pela própria estima que criamos um pelo outro que os olhinhos brilham.
5- Garçons e Garçonetes (de baladas)
E quando chega o fim da semana, que você sai com seus amigos para beber, curtir música ou dançar, lá estão eles prontos a te servir com a maior presteza possível, equilibrando bandejas por cima do povo etilicamente alterado, e se você parar para conversar com ele perceberá que são, em sua grande maioria, pessoas muito gentis e simpáticas, que cultivam amor ao trabalho.

Mancebolândia

Quando eu tinha apenas 10 primaveras, eu ingressei na 5ª série do antigo Ginásio, e essa era uma fase de mudanças para todas as crianças da época, pois até então só havíamos tido uma professora que nós ensinava todas as matérias; nessa fase começamos a ter aulas com um professor ou professora para cada matéria, e com certeza uma das que mais marcou a minha vida e dos meus colegas e amigos de infância foi a de Geografia que atendia pelo singelo nome de Cleide Pinto. Mas, a singularidade dessa incrível professora não se limitava, obviamente, ao nome e ao amor pelo Mapa Geográfico/ Político do mundo. Dona Cleide era um amontoado de particularidades.
Para começar ela devia estar por volta dos 50 anos e era uma pessoa muito baixa, visto que nessa época eu não devia ter mais que 1,50m, e ela um pouco maior que eu.; era extremamente branca, com cabelos castanhos escuros e usava óculos com lentes “fundo – de – garrafa” que somados ao fato de que ela não podia erguer os braços, pois havia sofrido uma operação de ponte de safena, na qual colocaram ganchos por dentro da musculatura peitoral dela que a impediam de erguer os braços acima da linha dos ombros então ela passava a maior parte do tempo, com as mãos em repouso como o Sr. Burns dos Simpson., a deixavam ainda mais diminuta.
Segundo ela nos contava, o avó dela, que era Italiano, havia sido um dos fundadores do time de futebol Corinthians, e era um honrado cidadão Mooquense, e tanta paixão ela tinha pelo adorável bairro da Mooca, que fazia questão de chamar um dos meus amigos, o Rodrigo, de “Mancebo Mooquense”, já que ele morava lá na época. Aliás essa história do mancebo também é um clássico. Segundo ela, mancebos são os alunos dos grandes mestres, logo uma sala com cerca de 40 pestinhas, tentando aprender a arte de entender Mapas era a Mancebolândia. Impagável! Outra coisa que era hilária era o fato de ela ser extremamente nervosa (como todo bom descendente de Italiano claro), mas o melhor era a forma dela expressar isso:
Se vocês não ficarem quietos vou ser obrigada a começar a tirar os alunos para fora da sala de aula, pela janela, e sem quebrar os vidros (!).Imagina a cara dos alunos?!
E sobre a opinião dela sobre o domínio “Ianque” sobre os Brasileiros?!
– Calma crianças, que o Brasil era nosso até 1.500!
– A capital do Brasil é Brasilia e Washington.
E se vocês aí estão achando isso absurdo, deviam tentar responder algo diferente na prova. Na hora de responder tínhamos de colocar as duas cidades como capital da nossa pátria amada, idolatrada, salve – salve , ou era Zero, ou melhor “E”, que naquela época as notas eram por letras. Outro tormento eram os malditos mapas que ela nos fazia completar e colorir. Era proibido colocar o nome dos oceanos, pois segundo ela, não havia uma bóia para sustentar os nomes ali no meio, e tínhamos de fazer legenda de tudo, ou então… era “E”. Para quem conseguia alcançar a nota máxima, ela sempre prometia um livro de presente e até hoje ela deve estar devendo uns cinco para meu amigo Rafael. Alias conversando com ele no último sábado chegamos à conclusão que eram os lindos olhos verdes dele que chamavam à atenção dela. Sério! Ela tinha uma queda por “mancebos” de olhos claros e cabelos castanhos, tanto que era “apaixonada” pelo irmão mais velho da Isabela, que também estudava na mesma escola, e o chamava de Alain Delon, pois era muito parecido com o grande (e lindíssimo) ator.
Outra coisa inesquecível das aulas dela, é que ela fazia chamada oral de Estado/Capital e País/Capital, mas se você acha que era algo do tipo: – Qual a capital do Acre?, está enganado, normalmente era mais: – Qual Estado tem por capital Palmas, e qual país que tem por capital Quito?. Pelo menos nas chamadas orais eu nunca me saí mal, diferentemente dos mapas, que sempre vinham com aquela notificação que o nome do Oceano Atlântico não podia ficar boiando em meio à imensidão azul.
E por fim, a última grande história que me lembrei, graças ao meu amigo Douglas, que descobri tinha ressentimento de mim até “hoje”, foi que em um dos anos em que tivemos aula com ela, certo dia, enquanto ela explicava uma matéria para a sala toda, todos estavam atacados e não paravam de falar, com exceção da Carolina e eu, que sentávamos “na parede”, na primeira e segunda carteiras junto da porta e éramos muito tímidas, logo não abríamos a boca para nada. Em mais um momento de ira Italiana, Cleide mandou a sala toda (menos a Carol e eu) copiar vários capítulos do livro à mão para entregar. O Douglas que era muito terrível começou a árdua lição, primeiro copiando página à pagina, depois página sim, página não, depois parágrafo de página sim, parágrafo de página não, topo de página sim, três páginas não. No dia da entrega ela chamou um a um para conferir a lição, e para azar dele, ela começou a prestar muita atenção à copia dele, com aquela coisa de acompanhar o que estava escrito com a ponta do dedo, e num rompente de raiva:
– Já para a Diretoria.
Bons tempos que não voltam! E para minha alegria, descobri pela comunidade da Escola no Orkut que a Cleide continua dando aula, ainda mora no mesmo bairro, e é professora de um dos sobrinhos de um dos meus colegas dessa época. Grande Cleide. Saudades de professoras como você que amam sua profissão mais que tudo.



– Mancebolândia, qual a capital do Brasil?
– Brasília e Washington Professora!