Momento Alta Fidelidade (Filmes)

Dando prosseguimento aos meus momentos de Alta Fidelidade iniciados aqui, seguem os dez filmes que fizeram minha vida ou me fizeram ver o mundo com outros olhos:

10-…. e o Vento Levou
Quando vi esse filme pela primeira vez não devia ter mais de 10 anos e até hoje fico impressionada de não ter dormido durante a saga da senhorita Scarlett, enquanto sofria ao ser esmagada por espartilhos de barbatana de baleia ou arrancava rabanetes da terra seca (…”eu nunca mais passarei fome”…), pois o longa (realmente longa) metragem conta mais de três horas de filme sobre guerra civil, escravidão e outras coisas sobre os primórdios americanos. Mas, o que me marcou nesse filme realmente foi a beleza de interpretação dos atores. Podem falar o que quiserem do filme, mas não de ser mal – interpretado.

9- Black Hock is Down ( a.k.a. Falcão Negro em Perigo)
Esse filme é mais novo (meados de 2001/2) Conta como, em 1993, durante uma missão do exercito americano, os soldados se deram mal (muito mal mesmo) ao tentar intervir numa guerra civil na Somália e são literalmente degolados pelos er… nativos. Baseada em fatos reais é um dos primeiros filmes do Orlando Bloom interpretando soldado raso (e morto…).

8- O Grito
Do original The Rage (agora alguém me explica o que tem a ver a Raiva com o Grito?), essa re-filmagem do thriller japonês é tão aterrorizante quanto. Passei duas semanas sem descer escadas sozinha, com medo de entrar embaixo do edredon e/ou lavar o cabelo com medo que a japonesa horrorosa aparecesse na minha frente e começasse a fazer “Arrrrrrrrrrhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh” na minha frente., ou de subir elevadores e ver o menino do filme em todos os andares. Para que assustar as pessoas desse jeito?!

7- O Chamado
Pelamordosmeusfilhinhos o que é aquela Samara Morgan minha gente?! Tudo bem, a Sadaku da versão original do filme é muito mais aterrorizante, mas aquela menina saindo da TV ou do poço não é para qualquer mortal não. Quase me mijei de medo. Juro! Ponto para o ex – namorido que me acompanhou na primeira vez que vi o filme e me dava sustos a cada cena apavorante, que ele já conhecia do filme. Droga!

6- Jogos Mortais
Ainda no quesito terror com muito sangue/ coisas nojentas/ sustos desnecessários/ opressão psicologia por mais que falem mal desse filme para mim, ele continua sendo um dos melhores no quesito. Tem um final surpreendente e teve duas seqüências (que ainda não consegui ver). Não recomendado para estômagos fracos.

5- Gremlins (2)
Lembro muito remotamente do primeiro filme da série que tratava de Gizmo, um bichinho de bom coração que ao entrar em contato com a água criava réplicas de si mesmo, só que essas réplicas eram a própria expressão do mal e quando se alimentavam transformavam-se em bichos verdes e medonhos. A diferença é que no segundo filme, a nova geração vem numa versão melhorada, que ao invadir um laboratório e consumir as substâncias em teste adquirem novas personalidades como criar asas, adquirir o gênero feminino (não me perguntem porque mas todos são do sexo masculino) ou adquirir voz de tenor. Hilário e perfeito para uma sessão pipoca.

4- Uma Babá Quase Perfeita
Conta a saga de um casal separado, um pai louco pelos filhos, mas tão louco que se disfarça de mulher para tomar conta deles e ainda de quebra ganha um emprego novo como apresentador(a) de TV. Marcou minha vida pelos conflitos sobre separação de casais e sofrimentos dos filhos que mostra.

3- Superman
Ver o Homem de Aço cruzando os céus, salvando o mundo ostentando no peito aquela coisa de “pelos valores morais, pelo bem e pela verdade” sempre me emocionou sinceramente, desde que eu era pequena e vi o filme pela primeira vez. Acho que Superman é um dos poucos filmes que me faz chorar todas as vezes que assisto.

2- Trilogia “Lord of the Rings”
Uma trilogia impactante na minha vida, não apenas pela beleza da atuação dos atores e atrizes, mas principalmente porque já era apaixonada por LORT (Lord of The Rings para os íntimos) quando ainda era apenas um livro e um RPG (Real Playing Game). Perfeito para quem é amante de elfos, anões, hobbits, batalhas de tirar o fôlego, magos e tudo o que envolve esse mundo imaginativo.

1- Ferris Bueller Day Off (a.k.a. Curtindo a Vida Adoidado)
Duvido que alguém que já tenha assistido à esse clássico dos anos 80 tenha ficado imune ao ritmo de Ferris! Da minha infância os dois maiores sonhos que cultivo sem dúvida são o de empurrar uma Ferrari contra uma vidraça (como fez o Cameron), tirar um dia de folga do mundo e não se pego por isso, e dançar Twist and Shout no meio de uma parada de rua. Ferris Bueller Rules!

Agradecimentos ao site Adoro Cinema.Com, meu guia favorito de filmes de onde retirei todas as referências linkadas no texto

Curtir um filme comigo, às vezes, pode ser assim…….ou não

… porque Murphy não dorme.

Diz a “lenda” que Edward A. Murphy Jr. Foi um engenheiro envolvido em experimentos de veículos com foguetes, e depois de um exaustivo – e fracassado – conjunto de testes soltou a pragmática frase: “Se alguma coisa pode dar errado ela certamente dará”. Vocês vão me perdoar, mas Murphy vá te catar! Não podia ter inventado uma frase menos certeira não?! Porque é verdade, em 99% do tempo se uma coisa tiver que dar errado ela dará. Eu já passei por muitas dessas e como diria a Nívea, uma amiga minha da faculdade, Murphy, mesmo depois de morto, não dorme! Nunca! Acompanhe:

1- Dia de prova semestral?
Situação:
Chegou o dia da prova mais importante da faculdade/ colégio/ inglês/ auto – escola. Você se preparou sistematicamente durante as últimas semanas e está totalmente pronto para fazer a dita cuja.
Efeito Murphy: Se você vai de ônibus ou metrô até o local, o ônibus demorará mais do que podia, o metrô estará com problemas e quando finalmente passar estará lotado; se vai de carro, um acidente impedirá seu único caminho até o local da prova.
Resultado: Depois de um atraso de 20 minutos, você chega ao local da prova suado/ esbaforido/ nervoso/ amassado (do ônibus cheio), e para ajudar você tem um surto de esquecimento no decorrer da prova e vai mal nela.

2- Entrevista de emprego?
Situação:
Você está desesperado atrás de emprego, depois de 6 meses sem um centavo no bolso, e finalmente ligaram daquela renomada empresa marcando uma entrevista para a manhã seguinte, e você exultante vai até dormir mais cedo.
Efeito Murphy: O despertador não toca você acorda 2 horas depois do previsto, o tanque de combustível está vazio, e seus pais ou irmãos ou esposo/a saiu e não te deixou dinheiro.
Resultado: Você só consegue chegar ao local da entrevista depois de tomar o transporte coletivo, ao chegar o entrevistador já saiu, e mais tarde quando você recebe um telefonema é a empresa informando que a vaga foi preenchida.

3- Primeiro encontro com o par romântico?
Situação:
Depois de algumas semanas trocando telefonemas e olhares furtivos finalmente aquela linda menina (ou aquele rapaz garboso) aceitou seu convite para sair. Na tão esperada noite você se prepara, coloca sua melhor roupa e parte para o ataque… digo encontro.
Efeito Murphy: Nenhum acidente, ou transporte público te atrapalhou como nos itens acima e você até chegou 10 minutos antes da hora marcada. E passam 10, 20, 30 minutos e nada do seu par romântico.
Resultado: Você começa a se exasperar, quando para seu alivio o seu celular toca, e é a pessoa avisando que vai se atrasar porque…. tu tu tu. E quando você tenta ligar de novo descobre que está sem créditos e/ou sem cartão telefônico.

4- Esperar alguém no aeroporto?
Situação:
A sua avó depois de muitos e muitos anos resolve vir para passar o fim de anos com você e sua família. Você comprou as passagens, ela embarcou com segurança, e chegará ao aeroporto em 30 minutos.
Efeito Murphy: Porque era sexta-feira, Murphy resolveu ter uma conversa com São Pedro e fez desabar um temporal que te deixa preso no trânsito por duas horas.
Resultado: Você chega ao aeroporto e descobre que sua avó de 84 anos não está lá, e que por conta do mau tempo todos os vôos foram desviados para o outro aeroporto que fica à 2 horas de onde você está. Mas, sem problema, eles trarão os passageiros em ônibus… que chegam às 2 da madrugada.

5- Duas baladas numa mesma noite?
Situação:
Um dos seus mais queridos amigos marcou uma festa num sábado à noite. Outro dos seus mais queridos amigos marcou outra, e se você não for às duas será escalpelado. Sem problemas! Você decide ir a uma e depois na outra. A primeira parte do seu plano da certo e você consegue sair em tempo de ir para a outra.
Efeito Murphy 1: No meio do caminho o carro que parecia sem problemas até o momento começa a engasgar e morre numa ladeira enorme do lado de um cemitério às 4 da manhã, e você desconfia que seja por falta de gasolina. Ainda bem que você não está só, e seu par romântico liga para o amigo que estava na mesma balada e vindo em outro carro logo depois. Vocês estão salvos
Efeito Murphy 2: O pneu do carro de salvação está vindo em seu socorro quando… o pneu fura! E quando finalmente ele chega vocês vão todos atrás de um posto de gasolina, porém apesar de Murphy não dormir, parece que os donos de posto dormem e vocês não encontram um aberto. : Depois de rodar metade do bairro, vocês encontram um posto, e eles não têm saquinho de transporte de combustível.
Resultado: Depois de todos os percalços o carro finalmente funciona, mas aí é tarde para a segunda festa e com certeza, se você não for escalpelado, será degolado e/ou escutará seu amigo te xingando o resto do mês!
Agradecimentos especiais ao site VIVASP de onde retirei os dados sobre Murphy, Clarissa Passos e o esposo Douglas que se desviaram de sua rota para nos salvar e Dener Gomes por ser fonte de inspiração em textos Murphycos, pois todos esses deleitáveis momentos só acontecem… porque Murphy não dorme!

Hey Edward! Aceita um suquinho de Maracujá e um sonífero?! Não! Droga….

Eu gosto de mulher

Não! Eu não troquei de time, e nem deixei de gostar de beijar, abraçar e morder (ops!) os mocinhos. Éque nesse fim de semana, durante a festa mensal do Fórum do site Garotas que Dizem Ni, no Darta Jones 80´s bar, tocou uma música que foi ícone na minha vida: Eu gosto de mulher do Ultraje a Rigor. Tenho certeza que só de ler esse trecho muita gente deve estar torcendo o nariz, por achar o Ultraje uma banda machista, mas na verdade eu os considero gênios incompreendidos, e a letra dessa música traz consigo além de um grande deboche, uma grande declaração de amor a nós mulheres. E só porque eu sou uma garota heterosexualmente assumida, isso não significa que não hajam motivos de sobra para eu também dizer que eu gosto (é) de mulher.

Mulheres são agradáveis de se ver na maior parte do tempo
E não precisa ser nenhuma miss universo. Nós garotas (e mulheres) parecemos que fomos feitas pela ponta do lápis de um grande artista. Normalmente, narizes pequenos, lábios bem feitos, cabelos sedosos, perfumadas naturalmente, e além de tudo a maioria ainda capricha na produção para deixar todo o conjunto da obra ainda mais bonito de se ver.

Mulheres são naturalmente amáveis.
O sapato de salto alto pode estar apertando a joanete. O útero pode estar em cólicas, como se uma bazuca nos rasgasse por dentro. Pode ter chovido na chapinha que demorou uma hora para ser feita, mas se alguém que gostamos muito chega perto com rosto triste pronto. Esquecemos nossos problemas e damos o colo. E o colo vale para qualquer um: filho, irmão, pai, namorado, marido, amigos, amigas, filhas, mães e por aí vai.

Mulheres costumam ser organizadas.
Claro que não é totalidade mas a grande maioria das mulheres tem um senso de organização que facilita a vida de todo mundo. Em casa: “Manhê, cadê o meu chinelo”, no trabalho: “Querida, me providencie aquela pasta do processo tal”, e poucos momentos depois, lá vem uma linda mulher que resolve de forma pratica os problemas do dia – a – dia.

Mulheres possuem formas incríveis.
E não adianta vir me dizer que corpo de homem é mais bonito. Mesmo as meninas pequenas e magras, possuem lindas formas. Os seios, os quadris, e o bumbum parecem realmente desenhados por Deus (como diz aquela malfadada música que anda tocando na rádio). E o auge das belas formas femininas é no decorrer da gravidez. Barriga de grávida é algo mágico.

Mulheres são o sexo frágil.
Não me atirem pedras, mas tem sim o lado positivo de ser os sexo frágil. Se você está com seus amigos no meio de um show de rock/ partida de futebol no estádio/balada lotada e algo sai dos eixos, é em nós que eles pensam primeiro e tentam nos defender com tudo que podem. E quer coisa mais doce que depois de um dia cansativo, quando você mal sente as pernas a pessoa que está com você dizer “se eu pudesse te carregava no colo”. É muito bom se sentir protegida, mesmo sabendo que eles é que são o sexo frágil, afinal agüentar depilação com cera quente, parto normal, e sapato com salto agulha não é para qualquer um.

Momento Alta Fidelidade

(Álbuns)

Inspirada pelo João, nos tópicos que ele abriu no Fórum do site Garotas que Dizem Ni, e no filme Alta Fidelidade resolvi colocar na berlinda os álbuns que mais tocam na minha vida ultimamente, mas diferente do filme esse é um top 10. Gostem ou odeiem apertem o play.

10 –Nervemind – Nirvana
O grunge sujo, pesado e distorcido de Seatlle foi o primeiro a tocar no meu aparelho de CD lá pelos idos de 1992. Eu tinha apenas doze anos e já adorava guitarras distorcidas e vocais de serra elétrica. Foi amor ao primeiro reff.

9 – Punk rock Songs (The Epic Years) – Bad Religion
O Bad Religion está a 20 anos na estrada e é uma das poucas bandas que não perdeu a linha musical que mostrou desde o começo, e conseguiu melhorara sua sonoridade mesmo com a troca quase total de seus integrantes. Essa coletânea traz mais de 20 sucessos da carreira da banda além de alguns sons ao vivo, incluindo uma parceira com o Biohazard. Altamente recomendado

8 – Breach – The Wallflowers.
O filho do Sr. Bob Dylan, mostra a que veio ao mundo nesse álbum. Jacob Dylan, ao contrário do pai, tem uma voz melodiosa, profunda e serena que nos remete todo sentimentalismo que pode haver por trás de uma pessoa. E de quebra a banda ainda tem uma sonoridade que combina perfeitamente com a voz do Dylan filho.

7 – Ixnay On The Hombre – The Offspring
Sou suspeita para falar de punk rock pula – pula como o do Offspring, mas esse álbum é realmente excelente. Daqueles para se ouvir no ônibus ou no carro em meio ao trânsito no caminho da escola ou do trabalho. Faz o sangue pulsar mais rápido e favorece a oxigenação cerebral.

6 – Sublime – Sublime
Para quem só conhece Santeria eu recomendo profundamente ouvir esse álbum de ponta a ponta. Ainda na década de 90 o Sublime faz uma deliciosa mistura de ska, com batidas de hardcore, reggae, punk e rock. Deu para imaginar? Não? Então ouça

5 – Shaman – Santana
Carlos Santana é, na minha modesta opinião, um dos melhores guitarristas de hoje em dia, e porque Shaman, é muito melhor que o aclamado “Supernatural”, e a mistura de sons e influencias é cativante

4 – Unplugged in New York – Nirvana
Nirvana de novo? Sim, eles de novo porque esse álbum mostra que uma banda de som pesado é capaz de fazer um álbum melodioso, muito agradável aos ouvidos (e que me arranca lágrimas na ultima música).

3 – Songs for the Death – Queens os the Stone Age
É um álbum para se ouvir de ponta a ponta sem pular nenhuma faixa, mesmo porque não é possível fazer isso, pois as faixas foram colocadas como se fosse transmissão de rádio pirata. Entre duas faixas você ouve claramente eles dizendo: We spoil music for everyone (nós distribuímos música para todos). Um álbum para se ouvir todo dia.

2 – The Number of The Beast – Iron Maiden
Iron é a minha banda de metal do coração, e porque até hoje não consigo ficar impassivel aos Oh Oh Oh Oh´s do senhor Dickson. E porque com esse álbum eu descobri que não é preciso vestir calças de couro e pulseiras cheias de pino para gostar de metal.

1 – Locolive – The Ramones
Ramones é a minha banda favorita de todos os tempos, e Locolive é o melhor álbum gravado ao vivo em todos os tempos. E porque é preciso amor ao que se, como os Ramones tinham, para se fazer um álbum ao vivo perfeito, porque a grande maioria que existe por aí é uma lástima.

Não gostou da minha lista? Faça a sua também, pois é possível manter alta fidelidade com tudo na vida.

Destino de uma mulher sem destino

Contos

Ela nascera numa noite de inverno, em casa onde os insetos e roedores dominavam as parcas fontes de sustento daquela família de cinco irmãos. Ela era a única menina, a mais nova, e devido às péssimas condições de saúde durante a gestação conturbada de sua mãe, nascera pequena e portando uma forte anemia que mal lhe permitia parar sobre as próprias pernas, até atingir os 8 anos.

Jamais conhecera o pai, nem o pai dos irmãos, pois sua mãe, dançarina de boate, envolvia-se com muitos homens e nem ela própria sabia quem eram os genitores de suas cinco crianças. Ela, sua mãe, apesar da vida degradada sempre tentara ser justa e amorosa com os filhos, e o carinho que destinara a Helena, não era diferente do amor que destinava aos irmãos, porém desde tenra idade notara um misto de temor e pena naqueles olhos carinhosos.

Quando Helena tinha 12 anos sua mãe a enviou para morar com a tia, que era freira, num convento de uma cidade próxima. Ela se revoltou, pois não queria abandonar a mãe. Seis meses depois recebeu a dolorosa notícia de que sua mãe falecera, vítima de uma doença que consumira rapidamente seu corpo. Seus irmãos que já eram adultos na época vieram vê-la e lhe trouxeram as jóias que a mãe tanto amava, presentes de seus inúmeros amantes. Foi a última vez que os viu, todos se foram cada um seguindo seu próprio destino. Eles acreditavam que Helena estaria bem nas mãos da tia e da Santa Igreja. Aos 16 anos, sob tutela da tia, resolveu torna-se freira, entregando seu amor ao sacerdócio e, quem sabe assim, trazer redenção à alma da mãe, que aprendera ser pecadora depois da convivência com as Irmãs atrás daquelas pesadas paredes de clausura e paz.

Porém, nada do que aprendera pode prepará-la ara o que estava por vir. Depois da cerimônia de consagração da sua união à religião, foi enviada para trabalhar num convento maior onde padres ensinavam teologia a jovens de todo país. Alegrou-se, pois sentiu que estava sendo preparada um trabalho maior. Uma noite, em sua cela, enquanto preparava-se para dormir, alguém bateu à sua porta. Vestiu rapidamente o roupão por cima da camisola e quando abriu encontrou os olhos de um jovem padre fixando profundamente os seus. Já o vira circulando pelo convento, e dando aulas ao ar livre para os jovens alunos. Não tinha uma boa fama, pois os outros padres o consideravam um transgressor dos métodos de ensino. Helena fixava o azul daqueles olhos intensos e não pode defender-se quando ele, subitamente, a empurrou contra o chão de pedra do pequeno aposento e trancou a porta atrás de si. Ela tentou gritar, mas a boca dele rapidamente a calou. Enquanto ela se debatia, ele segurava com força os pulsos dela com uma mão, enquanto a outra rasgava sua fina camisola. Em pânico sentiu aquele homem deflorar-lhe com uma força animalesca enquanto a língua vasculhava cada pequeno espaço de sua boca, porém o que começou a sentir fez que sentisse mais medo de si própria que do homem que a possuía. Um agradável calor subiu por seu corpo, e seus quadris involuntariamente começaram a mover-se favorecendo a ação do seu agressor, enquanto gemidos e sussurros de prazer escapavam de sua boca. Percebendo isso o jovem padre solto-lhe as mãos, deixou que respirasse sem pressionar seu corpo contra o chão, e cadenciou os movimentos de uma forma tão prazerosa que fê-la perder os sentidos tamanho o prazer que sentia. Quando acordou poucos momentos depois estava por cima dele, em sua cama e ele olhava para ela com um indefinível carinho nos olhos. Ela então começou a movimentar-se em cima daquele homem que estava ensinando algo que jamais suporá poder sentir. Seu coração descompassava e seu corpo implorava por mais e mais até que sentiu uma onda de puro prazer envolver seu corpo e deixou-se cair por cima do corpo de seu amante. Enquanto pensamentos conturbados de alegria e arrependimento invadiam sua mente, ele sussurrava juras de amor ao seu ouvido. Contou-lhe que desde que a vira, sentia necessidade de quebrar seu voto de celibato e a amar, e ela sentiu que de certa forma ela também precisava daquilo. Não sabia o que significava o amor longe de seu hábito de freira, e entendeu finalmente o quão tola fora tentando recuperar a alma de sua mãe que julgava pecadora. Pensava agora que aquele prazer que sentia não podia de forma alguma ser pecado.

Os encontros continuaram por muitos meses, quando então um golpe do destino a tirou da órbita. Seu querido amante fora transferido para outro convento recém aberto do outro lado do país, e que precisava de professores. Seu coração partiu-se; não podia supor viver a vida longe dos olhos, boca e mãos dele. Então numa noite de insônia resolveu andar pelos corredores frios do convento, e foi parar na cozinha. Estava tudo em silêncio, quando ouviu som de passos. Ao virar-se deu de frente com o ajudante do cozinheiro que chegava da rua trazendo alguns pacotes. O rapaz ficou constrangido de ver a freira ali só de camisola no meio das panelas e ia se retirar quando ela o segurou pela mão, e envolveu seus lábios com um beijo ardente e sedutor. Prontamente o rapaz retribui e logo estavam na dispensa do convento amando-se como dois animais no cio. O rapaz não acreditava na volúpia da jovem freira e revirava os olhos de prazer enquanto ela se regojizava ao pensar que não precisava do suposto amor do jovem padre que fora embora para ser feliz. Depois daquela noite, seus encontros furtivos atingiram mais homens do convento que passaram a procurar-lhe com freqüência. Ela estava cada vez mais ousada e até mesmo o Bispo num dia de visita caira-lhe nas graças, presenteando-a mais tarde com jóias e perfumes, que usava quando o encontrava fora do convento. Sempre dava a desculpa de que iria fazer um trabalho comunitário com as crianças da Santa Igreja.

Certa manhã, sentindo-se extremamente infeliz de estar enganando a tia que tanto lhe ajudara quando criança resolveu fazer o mais justo para sua alma. Desligou-se definitivamente do convento e foi para uma cidade do litoral. Lá chegando logo garantiu a simpatia dos comerciantes da região que lhe presenteavam com dinheiro, hospedagem e jóias em troca dos momentos de extremo prazer que lhes proporcionava. Logo, tinha dinheiro o suficiente para manter-se sozinha. Montou uma hospedaria para receber os viajantes que passavam eventualmente pela cidade, e contratou algumas garotas para ajudar com o serviço do lugar, que durante o dia, assim com ela eram mulheres longe de qualquer suspeita, e a noite proporcionavam a seus clientes, todo prazer pelo qual pudessem pagar. Passo – a – passo estava docemente seguindo os mesmos passos da mãe.

Porque mesmo com diferenças…

Então um belo dia você está ali, quieto em seu mundinho, quando subitamente aparece aquele moço ou aquela moça com quem você descobre ter infinitas afinidades. Vocês curtem os mesmo tipos de música, na infância freqüentaram os mesmos lugares, o pensamento de vocês é complemento um do outro. E assim nasceu uma bela amizade que é capaz de superar até mesmo cataclismas temporais como chuva, granizo e terremoto. Mas, (sempre tem um mas) nem tudo é perfeito e há sempre alguns pontos em que vocês discordam, e não há deus no céu ou capeta no inferno que faça vocês mudarem de opinião. E não torçam os narizes, vós melhores amigos e amigas, analisem antes os fatos:

1) Você é capitalista seu amigo (ou amiga) anarquista
Você sente o tilintar das moedas em suas veias; você é capaz de se adequar a esse terrível sistema sugador de dinheiro para proporcionar bem estar aos seus; você não liga de fazer duas faculdades seguidas para alcançar seus objetivos. Parabéns! Você é capitalista com orgulho e bate no peito. Seu amigo não acredita em nenhuma forma de governo, ou de poder para o homem; acredita que as pessoas deveriam governa a si próprias; se ele pudesse, tomaria conta de si e procuraria algo que gostasse de fazer, pois a sociedade seria capaz de prover isso às pessoas. Parabéns! Seu amigo é anarquista e suas idéias e visões políticas não combinam.

2) Você torce para o São Paulo, seu amigo (ou amiga) torce pelo Corinthians.
Final do Campeonato Brasileiro de Futebol, e os dois times vão se enfrentar. Vocês combinam de ver o jogo de locais diferentes para não sair briga, mas quando sai o primeiro gol do Corinthians a primeira coisa que acontece é o seu telefone tocando e do outro lado da linha em meio a berros de comemoração ouve aquela voz amiga dizendo: “Tomou, pó – de – arroz?”.

3) Você se amarra em filmes Europeus e Filosofia, seu amigo, filmes Americanos e Sociologia.
Quando você sai de uma sessão de cinema puramente filosófica diz a si mesmo: “Penso, logo existo”. Seu amigo sai da sessão de X-Man 3 e pensa: “Como seria a organização da sociedade se realmente tivéssemos seres mutantes?”.

4) Vocês dois adoram punk rock autentico, mas…
Vocês só ficaram amigos porque você estava envergando sua camiseta do Ramones/ Bad Religion/ The Clash no dia em que se encontraram pela primeira vez na festa de amigos em comum. Você, porém tem um lado Britpop (Pop Britânico) que tende a Franz Ferdinand, e quando você chama seu amigo para o show… ele torce o bico e diz que já gastou o dinheiro com os ingressos para ver The Hives.

Ai, você que está lendo virá e me pergunta: “Mas, com todas essas diferenças, como vocês ainda conseguem ser amigos?”, e eu respondo “Porque mesmo com diferenças, a amizade sempre vence, e sem elas não teria a mesma graça”.

Esse texto é dedicado a todos meus amigos Corinthianos e Palmeirenses, em especial ao meu mais novo amigo Punk, anarquista e fã de Hives Dener Gomes, que também foi colaborador nesse texto. Gosto muito de ti piolhento.
– Dá um abraço aqui Pó-de- Arroz
– Só se for agora gambá

Dentro de uma mente Maligna Parte II

Contos
Meu nome é Tommas, meu sobrenome há muito esqueci. Se você está lendo essa carta é porque finalmente foi cumprida minha sentença de pagar com a vida todos os erros que cometi ao longo de minha vida, os quais eu sinceramente sabia que não podia ter evitado. Você, cristão, puritano, provavelmente esta repugnando essas palavras, mas saiba você que dentro de toda mente humana há um lado obscuro que desperta ou não dependendo de suas escolhas, eu fiz a minha, você, as suas, mas isso não nos torna diferentes.

Para você entender o que levou a fazer tudo que fiz, tenho de te contar como tudo começou. Eu nasci no meio de uma família muito pobre, era o segundo de sete irmãos, dois meninos e cinco meninas. Minha mãe lavava roupa para fora para nos sustentar enquanto meu pai bebia o dia todo, e quando ela chegava em casa eles nos deixava trancados para o lado de fora da casa enquanto a espancava e abusava sexualmente. Minha mãe começou a ficar muito fraca devido a uma pneumonia que adquiriu lavando as roupas de madrugada depois que meu pai dormia e numa manhã cinzenta de inverno ela morreu. Eu temi pelo meu futuro e dos meus irmãos, mas o pior estava por vir. Meu pai cada vez mais bêbado passou a abusar sexualmente de nós, seus filhos e filhas. Duas das meninas, mais novas e sem comida não suportaram e morreram. Os vizinhos souberam disso, pois viram meu pai jogar os corpos delas dentro do rio fétido que passava atrás de nossa casa e o denunciaram a policia. Meu pai foi preso e meus irmãos e eu fomos levados para o orfanato. As três meninas foram rapidamente adotadas por uma senhora com muitas jóias que se apegou a beleza delas, já que todos nós tínhamos olhos azuis e cabelos loiros, mas ela não queria meninos. Eu nunca mais as vi.

Depois de um mês no orfanato fomos levados por um homem que construía casas e precisava de jovens aprendizes. Daria-nos comida, lar e uma profissão em troca de nossa ajuda. Parecia o inicio de uma nova fase feliz na nossa vida, porém no fim da primeira semana de trabalho acordei com os gritos de meu irmão e vi o homem que nos adotara violentando-o. Eu pulei em cima dele, mas eu era pequeno apesar de ter treze anos. Fui atirado contra a parede e acordei com o homem abusando de mim, e meu irmão desfalecido num canto. Eu achei que ele estava morto e aquilo aumentou meu ódio. Quando o desgraçado finalmente adormeceu, fui até a pequena cozinha da casa peguei uma faca, voltei ao quarto e a penetrei fundo no coração dele. O homem teve apenas tempo para abrir os olhos e levantar a mão, mas já era tarde. Ouvi então, para minha surpresa, meu irmão me chamando aterrorizado. Ajudei-o a juntar suas coisas e decidimos fugir, mas não poderia levá-lo comigo. Caminhamos até a estrada e depois disso caminhamos em sentidos opostos, sem olhar para trás. E nunca mais o vi.

O tempo foi passando e eu aprendi a trabalhar e me defender. Ajudava arduamente os comerciantes das cidades por onde passava em troca de alimento e abrigo, e logo cresci e tornei um rapaz muito atraente e não podia deixar de notar os olhares das mulheres sobre meu corpo enquanto trabalhava, e então conheci a mulher de um fazendeiro das proximidades. Ela era linda, olhos verdes ardentes, cabelos cor de fogo, e uma boca cheia de volúpia, que sussurrava que queria ser minha, mas eu tinha medo, pois às lembranças da infância vinham à tona sempre que ela me beijava. Numa noite enquanto dormia no fundo do armazém da pequena cidade senti um corpo quente sobre o meu, e ia me defender julgando ser algum ladrão, mas me deparei com os olhos verdes que tanto me provocavam. Ela começou a me ensinar a amar e logo eu estava em cima dela num ritmo frenético, quando coloquei minhas mãos em torno do seu pescoço e com aquilo senti mais e mais prazer. Ela estava visivelmente sufocando e eu continuava a apertar até que, ao atingir o clímax, quebrei o pescoço da minha ruiva. Aquilo me deu uma carga de satisfação e prazer que eu nunca tinha sentido, parecia que ao matar aquela mulher, eu matava meu pai e o novamente o homem que me havia adotado. Arrumei minhas coisas e sai pelo mundo sem rumo repetindo com várias mulheres o ato de sedução e morte.

Quando fiz vinte e sete anos resolvi deixar a costa norte do país e me dirigi ao sul. Logo cheguei numa pequena cidade chamada Samesville, e arrumei trabalho como ajudante de um homem chamado Joseph. Era um homem bom, honesto e que tinha Deus no coração. Enquanto trabalhei com ele parecia que eu tinha recuperado minha fé no Senhor. Um dia ele me convidou para trabalhar e viver em sua fazenda que era a dez minutos da cidade. Chegando lá não pude deixar de me deslumbrar com sua esposa Emilly, que era jovem, cheia de vida, curvas perfeitas, boca vermelha e carnuda olhos muito negros combinando com as tranças que lhe caiam pelas costas, mas resolvi não provocar, pois era uma mulher apaixonada pelo marido, extremamente religiosa e uma excelente mãe, além do mais eu havia decidido deixar a minha vida de pecados para trás, junto com a última mulher que eu violentara e matara usando uma cinta. Eu trabalhava arduamente, foi quando comecei a notar a filha dos meus novos patrões. Sarah era uma garota de quatorze anos, cabelos ruivos soltos caindo lindamente pelo rosto, olhos azuis como os do pai, muito esperta e agitada. Muitas vezes enquanto eu estava sentado no feno descansando ela vinha e se sentava no meu colo, e o calor daquele corpo pequeno reascendeu meus instintos, eu a empurrava levemente, mas ela voltava me abraçava, me beijava no rosto e falava que eu era o melhor tio do mundo.

Num fim de tarde, às vésperas do Outono, enquanto eu guardava as ferramentas, Joseph me chamou para comer pão de milho, mas eu queria ir me lavar antes. Fui até o pequeno lago, tirei a roupa e mergulhei. Quando voltei à tona, Sarah estava de pé ao lado das minhas roupas sorrindo, quando pedi que se virasse ela disse que não podia, pois me amava e queria que eu amasse também. Então eu me vesti e a levei até dentro da pequena mata que ficava nas redondezas, lá estendi minha camisa no chão, ela se deitou e eu comecei a amar. Soltei a fita que pendia os cabelos vermelhos e então na minha mente veio a primeira mulher da minha vida, e quando eu vi, Sarah estava inerte, pálida e sem vida sob meu corpo, enquanto o laço de fita estava preso ao pescoço branco. Desesperei-me e resolvi pegar o corpo dela e levar para longe da fazenda dos seus pais. Após deixá-la na beira de um outro lago voltei para a costa norte, e lá fui peso, pois as netas de uma outra mulher que havia matado me reconheceram e denunciaram. Mas, isso foi a melhor coisa que me aconteceu. Agora pagarei com a vida por ter privado tantas mulheres de suas vidas. E você que ama e respeita suas mulheres, filhos, filhas e irmãs, tenha esse relato na cabeça. O inimigo pode estar ao lado.

Esse conto é uma obra de ficção não baseado em fatos reais e complementa a primeira parte dessa história.