Dentro de uma mente Maligna Parte I

Contos
Ele fora acolhido com todo amor e respeito no seio daquela família humilde. Tinha vindo do nada e seu passado obscuro costumava assustar o pequeno povoado de Samesville, mas não a Joseph e Emilly McKent, pais de Sarah.

Joseph era um homem cristão e acreditava que a melhor forma de caridade era auxiliar o próximo, por isso, quando acolheu Tommas sob o mesmo teto que sua família acreditou que Deus o esteva usando como instrumento de sua infinita bondade.

A fazenda McKent era uma imensa área verde coberta de ponta – a – ponta de árvores frutíferas, plantações de milho ao norte e de soja ao sul, deixando a casa praticamente invisível para quem vinha pela estrada de terra que ligava as fazendas da região ao centro de Samesville.

Tommas era um rapaz forte, alto, mãos calejadas pelo árduo trabalho – afirmava ele – olhos de um azul profundo e cabelos da cor do trigo que era iluminado todas as manhãs pelo sol. Tinha o corpo definido e provocava suspiros nas pudicas moças da cidade quando acompanhava Joseph no antigo jipe da família para comprar suprimentos para a fazenda. Os pais de família e fazendeiros amigos do Sr. McKent constantemente lhe diziam que não confiavam em Tommas, que por trás daqueles olhos habitava crueldade, porém Joseph rebatia dizendo que para quem ama Deus todos os perigos estão longe.

Numa bela tarde próximo do outono Emilly estava dentro de casa preparando pão de milho para servir o jantar e o delicioso perfume invadia o ar. Joseph, que trabalhara duro o dia todo resolveu entrar na casa, mas Tom (como era chamado agora) disse que iria se lavar primeiro e depois entraria para jantar, pois agora era como uma pessoa da casa. O sol começou a desaparecer no horizonte e Emilly preocupada começou a chamar Sarah pela fazenda, mas a garota não respondia. Foi até o estábulo, até a casa da árvore e nada da menina. Alarmada chamou Joseph para ajudá-la, porém não a encontraram. Tom também havia desaparecido e o coração do casal começou a pesar pensando em quanto haviam sido ingênuos.

A busca continuou por mais dois dias com a ajuda de todos os fazendeiros da região, até que para pesar do jovem casal encontram o corpo de Sarah, inerte próximo a um lago, o sangue manchando o vestido azul e os cabelos ruivos, a face pálida devido ao sufocamento provocado com seu próprio laço de cabelo, e corpo abusado por um monstro. Seis meses depois Tom foi localizado numa cidade da região acusado do estupro de uma senhora de oitenta anos, e condenado à pena de morte.

Esse conto foi baseado na música Forest do álbum Toxicity do System of a Down que conta a história de um estuprador na visão do mesmo, e do personagem William “Wild Bill” Wharton do livro “Green line” (romance de Stephen King) e filme À espera de um milagre de (direção e roteiro de Frank Darabont). Mais do que um conto sinistro sobre o lado obscuro da mente humana, esse é um alerta a todas as famílias: cuidem de suas crianças sejam meninos ou meninas, vamos botar um fim à violência sexual, pois muitas vezes o inimigo está em nossos lares.

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7 comentários sobre “Dentro de uma mente Maligna Parte I

  1. Lady Sith disse:

    Viu só, você não tinha nada que ficar com medo. Apesar do texto falar sobre algo difícil e doloroso, tem uma linguagem leve. Ficou muito bom, Rê. Beijos.

  2. Ana Martins disse:

    A primeira coisa que eu pensei foi mesmo no Green Line. Ficou muito legal, Rê. Já falei que você escreve contos muito bem?

    Podia juntar alguns num livro mais tarde.

  3. Lídia Chululú disse:

    Essa é minha maninha!
    Ótimo texto.
    To louca pra ver a parte II.
    Pode escrever o qto quiser sobre estes assuntos que não são agradáveis mas são necessários serem abordados.
    bjos

  4. Bárbara Amelize disse:

    Minha escritora querida… pode comecar a reunir estes contos. Você precisa publicar um livro com eles.. tenho certeza de que será um sucesso! Para não variar, muito bom! Assunto difícil, mas lingagem tranquila. Gostei do alerta também… as pessoas têm a pessima mania de achar que sempre o perigo está de fora. Que sempre o filho do vizinho é que é problemático.

    Amo-te.

  5. Mestre Campestre disse:

    Ciao!
    Apesar do tema aparentemente difícil você retratou muito bem a situação em teu conto, que mais uma vez é outro texto excelente.

    O problema é que o mundo hoje não permite mais a ingenuidade. É algo que vamos perder com o tempo infelizmente… :/

    Sei que a continuação vai ser tão bom tanto este texto ou ainda melhor. ;)

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