Destino de uma mulher sem destino

Contos

Ela nascera numa noite de inverno, em casa onde os insetos e roedores dominavam as parcas fontes de sustento daquela família de cinco irmãos. Ela era a única menina, a mais nova, e devido às péssimas condições de saúde durante a gestação conturbada de sua mãe, nascera pequena e portando uma forte anemia que mal lhe permitia parar sobre as próprias pernas, até atingir os 8 anos.

Jamais conhecera o pai, nem o pai dos irmãos, pois sua mãe, dançarina de boate, envolvia-se com muitos homens e nem ela própria sabia quem eram os genitores de suas cinco crianças. Ela, sua mãe, apesar da vida degradada sempre tentara ser justa e amorosa com os filhos, e o carinho que destinara a Helena, não era diferente do amor que destinava aos irmãos, porém desde tenra idade notara um misto de temor e pena naqueles olhos carinhosos.

Quando Helena tinha 12 anos sua mãe a enviou para morar com a tia, que era freira, num convento de uma cidade próxima. Ela se revoltou, pois não queria abandonar a mãe. Seis meses depois recebeu a dolorosa notícia de que sua mãe falecera, vítima de uma doença que consumira rapidamente seu corpo. Seus irmãos que já eram adultos na época vieram vê-la e lhe trouxeram as jóias que a mãe tanto amava, presentes de seus inúmeros amantes. Foi a última vez que os viu, todos se foram cada um seguindo seu próprio destino. Eles acreditavam que Helena estaria bem nas mãos da tia e da Santa Igreja. Aos 16 anos, sob tutela da tia, resolveu torna-se freira, entregando seu amor ao sacerdócio e, quem sabe assim, trazer redenção à alma da mãe, que aprendera ser pecadora depois da convivência com as Irmãs atrás daquelas pesadas paredes de clausura e paz.

Porém, nada do que aprendera pode prepará-la ara o que estava por vir. Depois da cerimônia de consagração da sua união à religião, foi enviada para trabalhar num convento maior onde padres ensinavam teologia a jovens de todo país. Alegrou-se, pois sentiu que estava sendo preparada um trabalho maior. Uma noite, em sua cela, enquanto preparava-se para dormir, alguém bateu à sua porta. Vestiu rapidamente o roupão por cima da camisola e quando abriu encontrou os olhos de um jovem padre fixando profundamente os seus. Já o vira circulando pelo convento, e dando aulas ao ar livre para os jovens alunos. Não tinha uma boa fama, pois os outros padres o consideravam um transgressor dos métodos de ensino. Helena fixava o azul daqueles olhos intensos e não pode defender-se quando ele, subitamente, a empurrou contra o chão de pedra do pequeno aposento e trancou a porta atrás de si. Ela tentou gritar, mas a boca dele rapidamente a calou. Enquanto ela se debatia, ele segurava com força os pulsos dela com uma mão, enquanto a outra rasgava sua fina camisola. Em pânico sentiu aquele homem deflorar-lhe com uma força animalesca enquanto a língua vasculhava cada pequeno espaço de sua boca, porém o que começou a sentir fez que sentisse mais medo de si própria que do homem que a possuía. Um agradável calor subiu por seu corpo, e seus quadris involuntariamente começaram a mover-se favorecendo a ação do seu agressor, enquanto gemidos e sussurros de prazer escapavam de sua boca. Percebendo isso o jovem padre solto-lhe as mãos, deixou que respirasse sem pressionar seu corpo contra o chão, e cadenciou os movimentos de uma forma tão prazerosa que fê-la perder os sentidos tamanho o prazer que sentia. Quando acordou poucos momentos depois estava por cima dele, em sua cama e ele olhava para ela com um indefinível carinho nos olhos. Ela então começou a movimentar-se em cima daquele homem que estava ensinando algo que jamais suporá poder sentir. Seu coração descompassava e seu corpo implorava por mais e mais até que sentiu uma onda de puro prazer envolver seu corpo e deixou-se cair por cima do corpo de seu amante. Enquanto pensamentos conturbados de alegria e arrependimento invadiam sua mente, ele sussurrava juras de amor ao seu ouvido. Contou-lhe que desde que a vira, sentia necessidade de quebrar seu voto de celibato e a amar, e ela sentiu que de certa forma ela também precisava daquilo. Não sabia o que significava o amor longe de seu hábito de freira, e entendeu finalmente o quão tola fora tentando recuperar a alma de sua mãe que julgava pecadora. Pensava agora que aquele prazer que sentia não podia de forma alguma ser pecado.

Os encontros continuaram por muitos meses, quando então um golpe do destino a tirou da órbita. Seu querido amante fora transferido para outro convento recém aberto do outro lado do país, e que precisava de professores. Seu coração partiu-se; não podia supor viver a vida longe dos olhos, boca e mãos dele. Então numa noite de insônia resolveu andar pelos corredores frios do convento, e foi parar na cozinha. Estava tudo em silêncio, quando ouviu som de passos. Ao virar-se deu de frente com o ajudante do cozinheiro que chegava da rua trazendo alguns pacotes. O rapaz ficou constrangido de ver a freira ali só de camisola no meio das panelas e ia se retirar quando ela o segurou pela mão, e envolveu seus lábios com um beijo ardente e sedutor. Prontamente o rapaz retribui e logo estavam na dispensa do convento amando-se como dois animais no cio. O rapaz não acreditava na volúpia da jovem freira e revirava os olhos de prazer enquanto ela se regojizava ao pensar que não precisava do suposto amor do jovem padre que fora embora para ser feliz. Depois daquela noite, seus encontros furtivos atingiram mais homens do convento que passaram a procurar-lhe com freqüência. Ela estava cada vez mais ousada e até mesmo o Bispo num dia de visita caira-lhe nas graças, presenteando-a mais tarde com jóias e perfumes, que usava quando o encontrava fora do convento. Sempre dava a desculpa de que iria fazer um trabalho comunitário com as crianças da Santa Igreja.

Certa manhã, sentindo-se extremamente infeliz de estar enganando a tia que tanto lhe ajudara quando criança resolveu fazer o mais justo para sua alma. Desligou-se definitivamente do convento e foi para uma cidade do litoral. Lá chegando logo garantiu a simpatia dos comerciantes da região que lhe presenteavam com dinheiro, hospedagem e jóias em troca dos momentos de extremo prazer que lhes proporcionava. Logo, tinha dinheiro o suficiente para manter-se sozinha. Montou uma hospedaria para receber os viajantes que passavam eventualmente pela cidade, e contratou algumas garotas para ajudar com o serviço do lugar, que durante o dia, assim com ela eram mulheres longe de qualquer suspeita, e a noite proporcionavam a seus clientes, todo prazer pelo qual pudessem pagar. Passo – a – passo estava docemente seguindo os mesmos passos da mãe.

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7 comentários sobre “Destino de uma mulher sem destino

  1. Lídia Chululú disse:

    “na dispensa do convento amando-se como dois animais no cio”
    Que isso, Re.
    Tirou inspiração nas dicas da NOVA?
    Pois ficou ótimo! Arrepiei toda minina.
    rsrs
    Depois passa no meu blog e confira as respostas.

  2. Muta disse:

    O_o

    Mas que freira espertinha hein! Hahahaha, de freia a cafetina…

    Renata, Renata… =P

    Baci

  3. Normal do Rócio disse:

    Mês realista aqui no Fuga, hein!

    Tá ficando legal, Rê, vamos ver a segunda parte depois. Só pra confirmar, VAI TER SEGUNDA PARTE, NÉ?

  4. *Renata Costa* disse:

    hahahahaha safadinhos……… vou pensar se farei uma continuação ok. Acho que ando chocano as pessoas ;)

    Amo vocês todos

  5. Rafa disse:

    Acha? VocÊ acha que tá chocando as pessoas? Pois eu to mais chocado que ovo com pintinho dentro! Cacilda… =P

  6. Mestre Campestre disse:

    Nossa, não sei nem por onde começar…
    Bom, antes de qualquer coisa desculpa o sobrinho desleixado que veio fazer comentário com tanto atraso. :/
    O texto: mais uma vez foi excelente Rê:chocante e envolvente. ;)

    Baci do Mestre :*

  7. Bárbara Amelize disse:

    Nossa… Ainda não colocou faixa etária para se ler este blog? Não é qualquer visitante que está preparado pra isso não, flower! hahahahahahaha

    Mas, que isso… que texto envolvente… chocante até (usando as palavras do querido Lord). Isto me fez lembrar Elis… e como nossos pais.. VIVER É MELHOR QUE SONHAR, EU SEI QUE O AMOR É UMA COISA BOA… AINDA SOMOS OS MESMOS E VIVEMOS COMO NOSSOS PAIS! Tá.. não era exatamente isso que ela queria dizer, mas serviu para me lembrar esta linda música.. e oh.. no fundo, bem no fundo, somos bem mais parecidos com nossos pais que gostaríamos realmente de ser… Os erros, os defeitos, o que julgamos tão ruim… uma hora, notamos que lutamos não é contra o que eles são, mas o que eles têm que não concordamos por termos também… Claro, não estou dizendo que filho de peixe, peixinho é. Até porque odeio este ditado.. rsrs E o acho sem noção… Filho de peixe, tubarão pode ser.. rs Mas, enfim.. as aparências não enganam não! rs Putz.. to viajando! hahahahaha
    Tá juntando os contos para um futuro livro, hã?! rs SIMPLESMENTE INCRIVEL!

    Baci..

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