Somewhere Ville (Parte 2 – Final)

Especial de Halloween

… e o que viram lá dentro os deixou totalmente estarrecidos: todos da cidade estavam ali, ao redor de grandes galões marcados com símbolos de material tóxico, dentro dos quais havia um líquido verde que emitia a luz fluorescente que viam ao longe. Amarrada pelos pulsos, no centro do celeiro havia uma garota que não devia ter mais de 10 anos, e parecia estar desacordada. Kate e Kris nunca a viram na cidade e desconfiaram que tratava-se de um seqüestro. O prefeito da cidade aproximou-se da garota, tirou-lhe as sandálias e com a ponta de uma grande faca, fez dois cortes nos calcanhares da menina, suficientes para acordá-la enquanto seus sangue rojava dentro de um grande balde posicionado logo abaixo dela. A garota gritava assustada, mas ninguém no circulo se moveu para socorre-la. Kris teve o ímpeto de invadir o local, mas Kate o segurou e sussurrou que podia ser muito perigoso e precisavam entender o que estava acontecendo.
Depois de longos minutos a garota silenciou e parecia que todo sangue havia saído do seu corpo. Então duas das professoras que davam aulas para Kate pegaram o balde cheio de sangue e o misturaram dentro de um dos grandes galões com as substância verde, e passaram a distribuir o conteúdo em copos para todos os presentes. Conforme iam bebendo a estranha mistura, eram tomados de uma grande euforia, dançavam, gritavam e depois caiam, como que drogados, pelo chão do celeiro. Por fim, alguns dos colegas de Kris desamarraram as garota do celeiro e a deitaram no feno. Abriram sua boca e derramaram um pouco da mistura do próprio sangue dela com a substância verde. O que Kris e Kate presenciaram depois disso fez o sangue deles gelar e o coração parecia ter parado de bater: A garota, que estava morta, depois de alguns segundos abriu os olhos e levantou-se normalmente. Em seu rosto já não havia mais a expressão de terror de minutos atrás, mas sim a mesma mórbida calma dos habitantes de Somewhere Ville.
– Deus do céu Kris! Eles são zumbis! Mortos vivos! Estamos numa cidade morta!
– Psit. Fale baixo, não queremos que nos vejam e…
Nesse momento, Kris foi agarrado violentamente pelo pescoço por um dos garotos com quem praticava futebol, e Kate desesperada apontou contra o rosto dele a lanterna de luz fluorescente que carregava para poder identificá-lo. O garoto então soltou Kris e levou as mãos ao rosto que começava a incendiar com a luz forte
– Isso Kate, continue apontando a lanterna para ele. Ele está queimando.
– Mas, alguém pode ver!
– Não pare, lá dentro todos parecem tomados por aquele estranho torpor.
E Kate continuou segurando a lanterna na direção do garoto, até que seu corpo se reduziu a cinzas. Enquanto Kate ainda tentava se recompor do susto, Kris agarrou seu braço violentamente e começou a correr de volta para casa. Precisavam sair dali antes que mais alguém os visse. Quando finalmente chegaram em casa o sol já estava começando a nascer, e correndo para o quarto dos pais, porém a casa estava vazia. Encontraram um bilhete dizendo:
“Crianças, fomos até Whitetown resolver alguns problemas. Voltamos a noite. Tem dinheiro na gaveta das camisas caso queriam comprar algo. Amor. Mamãe”
– E agora o que vamos fazer Kris?!
– Vamos ficar trancados aqui dentro de casa o dia todo. Não vamos sair para nada. Mas, uma coisa começa a ficar clara Kate. Se eles são sensíveis a uma simples lanterna de luz fluorescente, isso explica porque as ruas da cidade ficam vazias durante o dia, e todos se escondem em casa e nos prédios durante o dia. O sol pode acabar com eles! Então, enquanto o dia estiver claro estamos seguros. Só que temos que rezar para que papai e mamãe voltem antes de anoitecer.
O dia arrastou-se lentamente, Kris e Kate ficaram trancados no quarto dos país, armados com suas lanternas. O sol finalmente se pôs e o coração deles ficou mais apreensivo. Muitas horas passaram, então quando passava das duas da manhã o telefone tocou e Kate o agarrou:
– Alo Kate? Querida! É a mamãe. Papai e eu estamos aqui na casa do prefeito jogando baralho, e eles nos convidou para mostrar uma festa que realizam no celeiro da cidade. Logo mais estaremos ai sim. Não se preocupem.
Antes que pudesse articular uma única palavra, o telefone já estava mudo.
– Kris, eles vão levar mamãe e papai para o celeiro! Vão transformá-los em zumbis!
– Deus! Não podemos permitir que isso ocorra! Vamos, pegue seu casaco e sua lanterna e vamos para lá.
No caminho, perceberam que novamente toda cidade estava vazia e em silêncio. Todos deveriam estar novamente no celeiro
– Não entendo Kris. Antes, eles só faziam isso uma vez por mês. Por que pegaram nossos pais?
– Não sei Kate, mas vamos nos apressar. Ainda estamos na metade do caminho.
Como na noite anterior, deram a volta no celeiro e abaixaram-se atrás do mesmo. Lá ainda estava o corpo incendiado pela lanterna na noite anterior. Ninguém teria dado falta dele? Quando olharam pelas frestas das tábuas viram horrorizados que no centro do celeiro, onde no dia anterior estivera amarrada a garotinha, agora estavam seus pais. Acordados, eles foram amordaçados para conter seus gritos de horror.
– Kris, o que vamos fazer?
Mas, a resposta foi silêncio. Kris, havia ido para o outro lado do celeiro, onde estava uma grande quantidade de feno e com o auxilio do isqueiro que sempre carregava, começou um pequeno incêndio que logo tomou conta da parede oposta de onde estavam. Lá dentro, todos foram tirados do torpor do ritual e começaram a correr para apagar o incêndio, mas não podiam aproximar-se muito, pois suas peles mortas eram sensíveis também ao calor do fogo. Kris, então tomado de grande coragem entrou correndo no celeiro apontando a lanterna na direção de todos e foi para perto dos pais.
– Garoto! – vociferou o prefeito – nós iríamos pegá-lo depois par se juntar a nossa grande família, mas já que você fez questão de vir por conta própria seja bem vindo
– Afaste-se ou eu…
– Você o que? Não sei se você percebeu mas a luz da sua lanterna está ficando fraca e em mais alguns minutos você será nosso?
Kate continuava na parte de fora do celeiro, e estava cada vez mais aterrorizada, não sabia o que fazer. Então, levantou a cabeça e viu que no horizonte o sol começava a surgir. Lembrando-se das palavras do irmão mais cedo, resolveu entrar escondida no celeiro. Ela havia observado que a árvore, que estava no meio, e ao redor da qual o celeiro fora levantado era muito velha e parecia tomada por cupins, devido aos diversos furos na base do seu tronco. Se fizesse a coisa certa poderia derrubá-la. Entrou apontando sua lanterna que ainda estava com a luz forte em direção prefeito, e subiu no tronco da árvore.
– O que vai fazer Kate?! Eles vão nos matar!
– Não se eu puder fazer isso antes
E conforme balançava o corpo contra a árvore, um grande estalo indicou que ele suas raízes soltavam-se do chão. Os zumbis iam em sua direção, já que a luz de sua lanterna também estava se tornando fraca. Quando estavam quase com as mãos sobre ela, a árvore começou a despencar, rasgando o telhado do celeiro como se fosse uma fina folha de papel. O sol, que agora já estava alto, entrou gloriosamente pelo local, incendiando os habitantes de Somewhere Ville, enquanto o cheiro de carne morta tomava conta do local. Em poucos minutos, a cidade estava literalmente reduzida a cinzas. Kate e Kris desamarraram os pais, e correram para casa. Lá chegando pegaram apenas uns poucos pertences, e pegando o carro abandonaram para sempre Somewhere Ville. Voltando para sua cidade natal, e quando questionados sobre o motivo de terem voltado, afirmam apenas que não existe lugar como nosso lar.

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Se você chegou ao fim dessa grande celeuma de Halloween, ficam aqui os meus mais sinceros votos de que você tenha um dia das Bruxas repleto de muitos contos de terror, festa a fantasia, abóboras doces e travessuras. Aproveito também para desejar Feliz Aniversário para a melhor amiga que eu podia desejar no mundo: Gisele, sua ciumenta! Love you so much!
O Idéias em Fuga também entra em recesso! Devido às provas semestrais dessa pseudo escritora que aqui vos fala, o Idéias só volta à ativa depois de 20 de Novembro. Portanto, divirtam-se com os outros maravilhosos blogs aí da coluna à sua direita do monitor, e sejam bonzinhos, ou eu mandarei para suas casas uma das taças do fabuloso drink de Somewhere Ville. Hahahaha, Hahahaha, Hahahahahahaha [Modo risada macabra off]
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Somewhere Ville (Parte 1)

Especial Halloween
A família de Kate mal pode conter a surpresa ao receber a correspondência naquela manhã chuvosa de outono. Um tio do pai de Kate havia falecido, e deixou para sua família toda sua fortuna, além de uma mansão gigantesca na cidade de Somewhere Ville, que ficava do outro lado do país.
Então, dentro de duas semanas sua vida mudou completamente: ela e seu irmão Kris deixaram para trás os amigos e amigas de infância, a escola, as aulas de natação, os passeios de skate no parque aos fins de semana com os amigos e rumaria para o desconhecido já que nunca tinha falado daquela cidade antes.
Depois de muitas horas de viagem, finalmente chegaram ao seu destino e encontraram a mansão numa rua central da pequena cidade, próxima a uma praça cheia de lindas árvores, uma escola que estava em silêncio e muitos pequenos comércios, todos fechados
– Deve ser por conta do horário. Já é tarde, – pensou Kate tentando afastar um calafrio que se acometera de seu corpo.
Mais tarde naquele mesmo dia enquanto auxiliava a mãe a guardar as roupas recém compradas no armário em seu quarto, ouviu alguém bater a porta. Correu para atender, e quando abriu a porta conteve-se para não gritar. Paradas em sua frente estavam duas garotas tão brancas quanto fantasmas
– Olá, somos suas vizinhas aqui do lado e viemos trazer esse bolo de boas vindas para vocês.
Kate, então sentiu-se extremamente desconcertada por ter ser assustado com tão gentis garotas. O tempo passava rápido e Kate logo foi conhecendo os costumes da cidade, porém cada vez ficava mais intrigada.
Durante o dia mal via as pessoas na ruas da cidade. No colégio, onde as crianças passavam o dia todo, ninguém saia ao pátio para brincar, jogar bola ou tomar sol como estava habituada a fazer em sua antiga cidade, e todos pareciam tomados daquela estranha palidez de suas simpáticas vizinhas.
À noite, entretanto, a vida da cidade fervilhava. Todos saiam, iam a bares, sorveterias, cinemas, inclusive as crianças. Kate não compreendia como depois de tanta algazarra durante boa parte da noite todas estavam bem cedo na escola no outro dia.
– Parecem zumbis que não dormem mãe!
– Oras, Kate! Não seja tola. Todas crianças dormem, mas talvez sintam menos sono que você.
Mas, a mãe de Kate também estava preocupada. Na prefeitura, onde estava trabalhando como voluntária, durante o dia grossas cortinas passavam o dia tornando o ambiente escuro, e a noite seus colegas, assim como os de Kate caiam na farra até o amanhecer. E quando ela chegava cedo, todos já estavam trabalhando.
*******
Numa noite muito fria, Kate acordou assustada depois de um pesadelo, no qual pessoas vestidas com capas negras a amarravam em uma cama de madeira, e cortavam o topo de sua cabeça com uma espécie de adaga. Ainda tremendo, desceu até a cozinha para tomar um copo de água, e quando abriu a cortina viu ao longe, no celeiro abandonado no alto da cidade tomado por uma luz verde e ao longe podia ouvir risadas e gritos quase alucinados. Quando ia abrir a janela para ouvir melhor, sentiu uma mão em seu ombro, e acabou soltando um grito de horror que foi acompanhando por seu grito que cortou como uma faca o silêncio da casa.
– Calma Kate! O que foi?
– Kris! Quer me matar do coração é?!
– Não! Eu só vim aqui tomar água, porque tive um pesadelo horrível e…
– Você também?
– É, mas deixa isso para lá. O que me preocupa é aquele luz verde ali. O que será que eles estão fazendo? Hoje a cidade está vazia, não ouve festa na praça.
– Melhor a gente não falar nada pro pai e pra mãe Kris. Vamos averiguar por nós mesmo.
*****
No dia seguinte na escola, todos os alunos e professores estavam ainda mais pálidos que o habitual, e pareciam todos muito cansados. Com o passar dos dias, a rotina da cidade voltou ao normal, mas Kate e Kris permaneceram atentos e notaram que todos os últimos dias de todos os meses o celeiro voltava a ser tomado pela luz verdes e vozes febris. Resolveram então naquela noite ir averiguar o que acontecia pessoalmente. Na calada da noite pegaram lanternas e capas e foram até o celeiro. Conforme iam passando pelos quintais das casas da cidade percebiam que todas estavam vazias. Lá chegando, abaixaram atrás no celeiro que fora construído ao redor de uma grande árvore e o que viram lá dentro os deixou totalmente estarrecidos…..

Continua

Rosa

Contos
As colinas verdes daquela pequena cidade na beira da montanha jamais tinha visto tamanha beleza em tantas e tantas gerações que cultivaram aquelas terras. Seu nome era Rosa, a irmã caçula de uma família com sete homens e que fora recebida com grande alegria pelo pai que ansiava muito por poder cuidar de uma menina depois de tantos meninos.
Rosa fazia jus ao seu nome, pois além de ser muito bonita e perfumada, era possuidora de um temperamento ferrenho tal como os espinhos da flor. Mas nem mesmo a personalidade afastava os homens de seu caminho. Sua pele branca como a neve que cobria o topo das montanhas, os olhos azul cor de céu, a boca carnuda e vermelha eram apenas pequenos itens decorativos quando comparados aos longos e sedosos cabelos ruivos que cascateavam pelas costas, os seios firmes e volumosos que descansavam sobre o colo bem feito. A cintura fina parecia não ter sido feita para o bumbum gracioso que rebolava sobre os vestidos leves que usava enquanto ia ajudar a mãe e os irmãos no trabalho da fazenda.
Tanta beleza despertava desejo e cobiça nos velhos fazendeiros da região, mas os pais de Rosa diferente dos outros da cidade não desejavam um casamento arranjado para a filha, e assim como os irmãos a defendiam com unhas e dentes.
Porém, quando Rosa completou dezoito anos, uma guerra entre seu país e o vizinho fez com que seus irmãos e seu pai fossem enviados à batalha da qual não retornaram com vida. Sem dinheiro para tocar em frente a fazenda, e com o país em ruínas, ela se mudou com sua mãe para a casa da tia que ficava em um outro país do outro lado do mar, num pequeno vilarejo litorâneo, onde a pesca garantia a sobrevivência de todos. Lá chegando, não demorou em despertar a atenção de homens que eram bem mais morenos pelo exaustivo trabalho no mar ou nas praias do lugar, bem como despertou a ira das mulheres que roíam – se de inveja de sua beleza. Foi trabalhar com sua tia junto de outras jovens que arrumavam as redes de pesca, porém o dinheiro era curto e ao receber uma proposta de casamento de um velho comerciante da região, não pode negá-la, pois sua mãe e sua tia estavam ficando velhas doentes e requerendo cada vez mais sua atenção e de remédios caros. A cerimonia foi cheia de toda pompa que o dinheiro do velho podia propor e na primeira noite de casada, Rosa foi deflorada com uma violência jamais imaginada. Desde desse dia tornou-se uma mulher fria e cheia de ódio. O tempo passava e o esposo de Rosa ficava impaciente, pois ela não engravidava e o único filho homem que ele havia tido estava longe cuidando da própria vida. Foi com Rosa a uma cidade maior para exames, e constatou frustrado que estava estéril e que nunca mais teria filhos. Desse dia em diante passou a estuprar Rosa com mais violência como se ela fosse culpada pelo fato de ele não pode fazer-lhe um filho.
Quando já estava cansada, armando um plano para fugir para longe com as jóias do esposo e levando a mãe e a tia antes que cometesse uma loucura e matasse o esposo, recebeu em casa, numa tarde chuvosa de verão a visita do seu enteado Carlo, que estava de férias. Era um homem um pouco mais velho que Rosa, alto, corpo bem definido, certamente pela prática de esportes, olhos negros e profundos, cabelos loiros, muito lisos caindo de forma graciosa pela testa, um queixo que lhe dava impressão de nobreza, mãos grandes e um peitoral muito bonito. Pela primeira vez na vida, Rosa sentiu-se envergonhada diante de um homem, pois sabia que os maus tratos a estavam deixando magra, cheia de olheiras e sem forças. Nada disso passou despercebido por Carlo, que assim que viu Rosa sentiu uma onda de calor brotando em seu corpo, concentrada na região das virilhas.
Alguns dias depois, Rosa estava dando ordens para a cozinheira quando desmaiou subitamente, ao que foi amparada pelas ágeis mãos de Carlo, que a levou para o quarto do pai, que estava viajando a negócios e a deitou delicadamente na cama. Não pode deixar de observar como o corpo de Rosa era bonito e atraente, apesar de toda palidez que ela apresentava. Não resistindo a seus próprios impulsos, trancou a porta do quarto e a janela e começou a acariciar o corpo da moça por cima do vestido azul, passando a mão por suas pernas, seus seios, sua barriga. Tomado pela lascívia tirou o vestido dela e começou a beijar suas coxas e acariciar o corpo de Rosa, que nesse momento soltou um suspiro recobrando a consciência. Quando se deu conta do que estava acontecendo começou a tentar fugir lembrando do horror das noites que vivia com o esposo, e nesse momento Carlo pode ver as marcas da violência e sentiu repugnância e raiva do pai, pois se lembrara de ter visto marcas semelhantes no corpo da mãe morta quando ainda era criança, e a encontrara no chão do quarto dias antes de ser enviado para estudar em outro país. Pegou Rosa delicadamente no colo e sussurrou em seus ouvidos:
– Criança, não tenha medo. Não sou como meu pai e a amo desde que a vi. Me permite te fazer feliz?
Rosa, de forma inexplicável sentiu-se segura nos braços de Carlo e envolveu os lábios dele com um beijo quente e apaixonado. Deitaram-se na cama e enquanto Rosa pela primeira vez sentia o prazer de entregar-se à volúpia com amor, Carlo se esforçava para satisfazê-la enquanto seu lado frio e vingativo preparava-se para acabar de uma vez por todas com as maldades do pai.
O esposo de Rosa passou mais de três meses viajando e todas as noites Carlo ia ter com ela em seu quarto e cada mais ambos tornavam-se lascivos e apaixonados, até que numa manhã Rosa começou a vomitar sem motivos e aparentava estar levemente inchada. Carlo exultou! Seria pai de um filho da mulher que tanto amava, mas isso fez com que tivesse de antecipar seus planos. Sabia que o pai voltaria de viagem naquela noite, precisava dar cabo da situação. Contratou assassinos profissionais para dar conta do serviço, mas à noite antes que pudesse abrir a porta para eles, recebeu uma notícia que abalou a todos da casa. Parecia que o digníssimo esposo de Rosa havia sido encontrado morto, no meio do mar com o pescoço enrolado numa rede de pesca muito parecida com a que Rosa e sua tia arrumavam anos atrás.

Postagem Propagandista

Escrittores amadores e Jornalistas. Que racinha maledetta, miserável, porca miséria.

Não contentes em te apenas um Blog, Renata Costa, pseudo escritora, mais conhecida com a dona desse celeuma internético e Dener Gomes, jornalista “âncora” do Morfina, acabamos de fundar mais um espaço para distribuir louca idéias.

Nasceu o Dupla Acidez, um blog que retrata de forma divertida e bem humorada a visão masculina e feminina (ou feminista e machista) sobre os mais variados assuntos, sendo abordados com dupla acidez dessa dupla dinâmica (santa redundância Batman), e principalmente: não são exatamente retratos fiéis da personalidade dos autores, mas sim de personagens criados, ou apenas observados, e nossas vidas cotidianas

Enjoy!

O que mudou?

O tempo passa rápido e quando você vê não é mais um infante com o rosto sujo de terra e lágrimas pelo tombo do jardim da infância, e sim um adulto cheio de contas a pagar, preocupações com sua família, arrancando o recém adquirido fio de cabelo branco que apareceu em meio a sua franja.

Porém por mais que o tempo passe eu ainda me considero uma criança grande independente de todas as responsabilidades que tenho. Gosto de jogar vídeo – game com meu irmão caçula, ler revista em quadrinhos, assistir desenho animado, deitar no colo da minha mãe e ganhar cafuné, e não sinto a menor vergonha disso. Essa semana lendo um texto da Flá Wonka no Garotas que Dizem Ni, lembrei, com tristeza, de um episódio que aconteceu algumas semanas atrás. Minha família é muito grande, visto que meu pai tem onze irmãos e minha mãe quatro e que cada um deles teve no mínimo dois filhos, logo eu tenho muitos primos e primas da minha idade, alguns pouco mais velhos, e uma vasta gama de primos – caçulas, dentre os quais está a afilhada de minha mãe. Com a proximidade do dia das crianças, comecei a brincar com meus pais que gostaria de ganhar de presente uma corda para pular na rua, ou um balde de Lego para poder brincar com ela, meu irmão e meus primos mais novos, ao que ela (minha prima) respondeu friamente:
– Eu não pulo mais corda. Isso é coisa para criança!
Eu não sabia se ficava abismada, boquiaberta ou surpresa. Essa frase saiu da boca de uma “mulher” de quatorze anos. Aos quatorze eu tinha um namoradinho em que eu dava selinho e andava de mão dada, mas o namoro nunca ultrapassou essa barreira. A minha maior diversão ainda era brincar de Barbie com as vizinhas, ou divertir o meu irmão, que ainda era bebê na época, com brinquedos barulhentos.

Agora eu vejo essas pequenas – grande mulheres usando botas plataformas, maquiagem pesada, fazendo coreografia que deixariam a Rita Cadillac e a Gretchen com vergonha. Um amigo meu já havia levantado essa questão uma vez. Há uma banalização crescente da infância, e da adolescência. Nossos pequenos parecem estar queimando fases e querendo chegar cada vez mais rápido a vida adulta, o que explica de maneira razoável o número de adolescentes (crianças na minha visão) que já são mães, na fase em que deveriam estar dando os primeiros passos no descobrimento do seu próprio corpo, e curtindo essa fase cheia de novidades.

Aqui entra a minha pergunta inicial: o que mudou? Não é uma questão de apontar culpados, mas levantar a questão dentro de nossas mentes. Por que as crianças de hoje não conseguem mais apenas ser crianças? Por que essa necessidade de se alcançar rapidamente a vida adulta? Eu não entendo, e a despeito dos protestos da minha prima que não pula mais corda, pois é coisa de criança eu comprei para os pequenos da família presentes que ainda dêem à vida deles o sentido da infância, e acho que é uma atitude positiva se cada um de nós mostrarmos aos pequeninos ao nosso redor o quanto essa fase é importante. Eu tive uma infância maravilhosa, e tenho certeza que muito de vocês também, e essa fase foi fundamental para eu ser quem sou hoje. Vamos colaborar para que as crianças de hoje tenham essa chance. Nesse dia das crianças dê brinquedo, bola, filme e vá brincar com eles.

A despeito dos cabelos brancos na franja, olha ai o que eu ganhei de dia das crianças…Valeu mãe!

Frases de efeito para dias como os nossos*

Vivemos a era da folga, da falta de respeito, da despreocupação com o direito dos outros. Um mundo em que os meus direitos começam onde terminam os seus desde que eu não atrapalhe a sua conversa no celular em plena Marginal Pinheiros em horário de pico. Visto isso, seguem algumas frases de efeito para aqueles dias em que sua vontade era a de comprar para metade da população mundial uma passagem só de ida com destino a Plutão, quem nem planeta mais é.

No ônibus lotado
(Você está próximo da porta, pois vai descer no próximo ponto)
– (Empurrando) Você vai descer
– Não! Estou parada aqui na porta atrapalhando sua passagem, pois o maior prazer que eu tenho na vida é ver a cara de idiota das pessoas quando faço isso.

No Trabalho
(Após uma discussão que te provocou taquicardia um gerente te pergunta)
– Você está nervosa comigo?
– Não! Eu deveria estar nervosa com um bicha, brocha, que quase me fez perder o emprego e me fez gastar uma fábula com calmantes? Imagina bobo!

Numa festa de família
(Você encontra aquela prima que não vê desde a época das Diretas Já)
– Nossa, quanto tempo! Você está gravida (apontando para suas gorduras localizadas)
– Estou sim, e é do seu marido! Você quer ser a madrinha?

Na festa de fim de ano da empresa
(Você acabou de receber uma promoção, aumento de salário e um prêmio por desempenho)
– Nossa, meus parabéns! Me diga, o que você fez para receber tantas regalias?
– Ué! Você não sabia?! Eu sou amante do chefe, consegui tudo isso em troca de sexo fácil.

Você apresenta sua família ao seu chefe
– Olha! Esses são seus filhos? Eles não parecem nada com você e seu marido!
– Pois é, é que eles são filhos do pedreiro que fez nossa casa.

Na praça de alimentação do shopping
(Sua bolsa está em cima de uma cadeira enquanto seu namorado foi buscar a janta)
– Você vai usar essa cadeira?
– Não vou não, minha bolsa está aí descansando, pois acabou de voltar de um retiro espiritual no Tibete.

Numa liquidação de roupas
– Você vai levar essa calça que está aí na sua cesta?
– Não vou não. Mas ela vai ficar aqui porque eu gosto de ver a cara de frustração de mulheres frígidas como você. Há, há, há.

No cinema
(Você decidiu assistir a um filme sozinha)
– Oi, a princesa tá sozinha?
– Não! Meu namorado foi ali recarregar o pente de munição da AR-15 dele, mas volta em alguns minutos para que possamos massacrar a platéia dessa sessão. Gostaria de nos fazer companhia?

* Agradecimentos especais à Raquel Marquesi e seu texto no Idéias Mutantes que me inspirou a escrever essas frases recheadas de ácida ironia.

Surtando

Não tenho bem certeza se alguém já escreveu isso antes em algum blog, mas sei que li algo sobre nossos medos ao decorrer da vida no Garotas que Dizem Ni. Enfim, o fato é que nós garotas desde a primeira infância somos um pouco surtadas, e quando nos tornamos mulheres adultas, maduras e decididas continuamos assim.

No Jardim de Infância
Primeiro dia de aula. Sua mãe te deixa na porta daquele novo e inóspito mundo povoado por outras crianças que você não conhece e com uma pessoa que subitamente você começa a chamar de tia, sendo que ela não possui nenhum grau de parentesco com você. Nisso você descobre os meninos, e junto com eles a areia que eles jogam no seu cabelo. Vem a saudade da sua casa, o medo de seus pais nunca mais irem te buscar e no dia da festa junina, seu par não comparece a festa. Você surta, chora e borra a bochecha postiça de blush e as pintinhas feitas caprichosamente com o lápis de olho da sua mãe escorrem com as lágrimas.

No primário
Você agora já é uma mocinha de seis ou sete anos, e já passou por todo o horror da pré – infância, e vai mudar de escola. Você descobre então que não terá mais seus amigos, terá que começar a aprender a ler e escrever, e com muita sorte (como a que eu tive na época) entrará numa sala em que todas as crianças já sabem tudo isso, e você não. E pelo seu tamanho (eu sempre fui grande) a professora te chama de burra por não estar no mesmo ritmo da classe. Você surta e ainda tem de fazer aulas de reforço depois do horário da escola quando poderia estar andando de bicicleta.

No ginásio
Você descobre que os meninos não são seres tão asquerosos assim e começa a fazer amizade com eles. Nessa idade, surgem os primeiros amores platônicos, os bailinhos na garagem da casa de alguma amiga ou no salão de festas do prédio de um amigo. Você vê o objeto do seu afeto beijando outra garota. Você surta porque descobre que você não tem cintura, peito ou bunda: é apenas uma tábua reta sem curvas.

No colegial
Você agora já possui curvas graciosas, já passou pelo horror de ver seu amado se atracando com outra nos bailinhos e decididamente se considera uma quase mulher. Porém, os hormônios estão em ebulição e nem a maquiagem da sua mãe ajuda a disfarça aquele monstro que nasceu na sua testa sob a forma de uma espinha. Uma não. Várias que tomam conta do seu corpo. Você surta, pois além de estar na fase pré – vestibular, descobre que seu corpo está crescendo de forma rápida demais e você está ganhando estrias além de ser (muito) desengonçada.

Na faculdade
Passados todos os traumas da adolescência, espinhas e hormônios em fúria, você finalmente entra no fabuloso mundo universitário. Lindos jovens, festas e farra. Costumam dizer que se você nunca fumou, vai fazê-lo nessa época. Se nunca fez sexo, também o fará. Tudo é lindo até que finalmente você descobre que faltam apenas dois dias para as provas finais, você não estudou nada e muito menos entregou o relatório de estágio. Você surta, arranca os cabelos e passa as madrugadas estudando como uma retardada, e tomando litros de café que desencadeiam uma gastrite crônica.

Vida Adulta
Finalmente, você se livrou de todos os traumas e neuras do passado, e agora tem seu emprego, seu carro, seu namorado. Tudo parece ir bem quando sua mãe, seu pai e seu irmão insistem que você está gorda e com celulite e teimam que você deve fazer um regime como eles, mesmo sabendo que isso desencadeará a anemia e a gastrite adquiridas na sua adolescência. Você surta e tem vontade de passar com o carro por cima do primeiro idiota que passar na sua frente, espancar seu chefe até a morte e mandar às favas aquela vaca que sempre critica suas roupas.