O que mudou?

O tempo passa rápido e quando você vê não é mais um infante com o rosto sujo de terra e lágrimas pelo tombo do jardim da infância, e sim um adulto cheio de contas a pagar, preocupações com sua família, arrancando o recém adquirido fio de cabelo branco que apareceu em meio a sua franja.

Porém por mais que o tempo passe eu ainda me considero uma criança grande independente de todas as responsabilidades que tenho. Gosto de jogar vídeo – game com meu irmão caçula, ler revista em quadrinhos, assistir desenho animado, deitar no colo da minha mãe e ganhar cafuné, e não sinto a menor vergonha disso. Essa semana lendo um texto da Flá Wonka no Garotas que Dizem Ni, lembrei, com tristeza, de um episódio que aconteceu algumas semanas atrás. Minha família é muito grande, visto que meu pai tem onze irmãos e minha mãe quatro e que cada um deles teve no mínimo dois filhos, logo eu tenho muitos primos e primas da minha idade, alguns pouco mais velhos, e uma vasta gama de primos – caçulas, dentre os quais está a afilhada de minha mãe. Com a proximidade do dia das crianças, comecei a brincar com meus pais que gostaria de ganhar de presente uma corda para pular na rua, ou um balde de Lego para poder brincar com ela, meu irmão e meus primos mais novos, ao que ela (minha prima) respondeu friamente:
– Eu não pulo mais corda. Isso é coisa para criança!
Eu não sabia se ficava abismada, boquiaberta ou surpresa. Essa frase saiu da boca de uma “mulher” de quatorze anos. Aos quatorze eu tinha um namoradinho em que eu dava selinho e andava de mão dada, mas o namoro nunca ultrapassou essa barreira. A minha maior diversão ainda era brincar de Barbie com as vizinhas, ou divertir o meu irmão, que ainda era bebê na época, com brinquedos barulhentos.

Agora eu vejo essas pequenas – grande mulheres usando botas plataformas, maquiagem pesada, fazendo coreografia que deixariam a Rita Cadillac e a Gretchen com vergonha. Um amigo meu já havia levantado essa questão uma vez. Há uma banalização crescente da infância, e da adolescência. Nossos pequenos parecem estar queimando fases e querendo chegar cada vez mais rápido a vida adulta, o que explica de maneira razoável o número de adolescentes (crianças na minha visão) que já são mães, na fase em que deveriam estar dando os primeiros passos no descobrimento do seu próprio corpo, e curtindo essa fase cheia de novidades.

Aqui entra a minha pergunta inicial: o que mudou? Não é uma questão de apontar culpados, mas levantar a questão dentro de nossas mentes. Por que as crianças de hoje não conseguem mais apenas ser crianças? Por que essa necessidade de se alcançar rapidamente a vida adulta? Eu não entendo, e a despeito dos protestos da minha prima que não pula mais corda, pois é coisa de criança eu comprei para os pequenos da família presentes que ainda dêem à vida deles o sentido da infância, e acho que é uma atitude positiva se cada um de nós mostrarmos aos pequeninos ao nosso redor o quanto essa fase é importante. Eu tive uma infância maravilhosa, e tenho certeza que muito de vocês também, e essa fase foi fundamental para eu ser quem sou hoje. Vamos colaborar para que as crianças de hoje tenham essa chance. Nesse dia das crianças dê brinquedo, bola, filme e vá brincar com eles.

A despeito dos cabelos brancos na franja, olha ai o que eu ganhei de dia das crianças…Valeu mãe!
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5 comentários sobre “O que mudou?

  1. Marco Aurélio disse:

    Renata

    Hoje é mais um dia de tributo ao consumismo. Mais dia dos donos de lojas de brinquedos e afins do que propriamente das crianças.

    Um abraço

    Marco Aurélio

  2. Lídia Chululú disse:

    Rê,
    tb acho q a infância está se passando muito rápido.
    Meninas de 12 anos estão fazendo coisa que só fui fazer aos 18.
    E acho q com isso elas estão perdendo uma fase muito especial e que é fundamental para moldar o caráter do adulto que ela será amanhã…

  3. Lady Sith disse:

    Eu também vivo me fazendo essa pergunta. Mas, se você observar bem, no “nosso tempo” também não era muito diferente. Eu também brinquei de boneca até os 14 anos, mas tive amigas que aos 12 só pensavam em beijar na boca. Acho que a única diferença é que naquela época esse comportamento era uma exceção, enquanto hoje é a regra. Eu fico besta de ver crianças que não gostam de brincar e que se vestem como prostitutas mirins. É triste. Farei de tudo para que os meus filhos sejam diferentes.

    Adorei os seus presentes. Tenho os meus pôneis e as minhas moranguinhos até hoje. Eu quero um monstrengo azul do Mc Lanche Feliz! Beijo.

  4. Bárbara Amelize disse:

    Flor!!!

    Saudade!

    Olha.. não sei o que mudou da nossa época para agora. Também olho estarrecida as coisas que acontecem com as crianças. Esta necessidade de ser adulto tão rápido… sem saberem que só se é um adulto de verdade, se se aprende a manter o lado criança, bobo, feliz, abnegado, verdadeiro. Estranho, triste… e cada vez mais.. tenho medo do futuro. Do que o mundo vai se tornar…

    Por isso me mantenho criança sempre… quero fazer minha parte.

    Beijo, coisa cuti.

  5. Mestre Campestre disse:

    Ah, o que eu não daria pra voltar o tempo… As coisas eram mais simples e tudo era mais divertido.
    Eu brinquei com bonecos e carrinhos até o início dos quinze anos. Minhas primas de 13 e 15 anos jogaram as Barbies de lado e trocaram-nas por CDs do RBD.
    Eu tenho muita pena das crianças de hoje. Cada vez mais o sonho maior é o de crescer o mais rápido possível. Uma pena. Mal sabem o que estão perdendo. :/

    Belo texto Rê

    Baci e abracci

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