Rosa

Contos
As colinas verdes daquela pequena cidade na beira da montanha jamais tinha visto tamanha beleza em tantas e tantas gerações que cultivaram aquelas terras. Seu nome era Rosa, a irmã caçula de uma família com sete homens e que fora recebida com grande alegria pelo pai que ansiava muito por poder cuidar de uma menina depois de tantos meninos.
Rosa fazia jus ao seu nome, pois além de ser muito bonita e perfumada, era possuidora de um temperamento ferrenho tal como os espinhos da flor. Mas nem mesmo a personalidade afastava os homens de seu caminho. Sua pele branca como a neve que cobria o topo das montanhas, os olhos azul cor de céu, a boca carnuda e vermelha eram apenas pequenos itens decorativos quando comparados aos longos e sedosos cabelos ruivos que cascateavam pelas costas, os seios firmes e volumosos que descansavam sobre o colo bem feito. A cintura fina parecia não ter sido feita para o bumbum gracioso que rebolava sobre os vestidos leves que usava enquanto ia ajudar a mãe e os irmãos no trabalho da fazenda.
Tanta beleza despertava desejo e cobiça nos velhos fazendeiros da região, mas os pais de Rosa diferente dos outros da cidade não desejavam um casamento arranjado para a filha, e assim como os irmãos a defendiam com unhas e dentes.
Porém, quando Rosa completou dezoito anos, uma guerra entre seu país e o vizinho fez com que seus irmãos e seu pai fossem enviados à batalha da qual não retornaram com vida. Sem dinheiro para tocar em frente a fazenda, e com o país em ruínas, ela se mudou com sua mãe para a casa da tia que ficava em um outro país do outro lado do mar, num pequeno vilarejo litorâneo, onde a pesca garantia a sobrevivência de todos. Lá chegando, não demorou em despertar a atenção de homens que eram bem mais morenos pelo exaustivo trabalho no mar ou nas praias do lugar, bem como despertou a ira das mulheres que roíam – se de inveja de sua beleza. Foi trabalhar com sua tia junto de outras jovens que arrumavam as redes de pesca, porém o dinheiro era curto e ao receber uma proposta de casamento de um velho comerciante da região, não pode negá-la, pois sua mãe e sua tia estavam ficando velhas doentes e requerendo cada vez mais sua atenção e de remédios caros. A cerimonia foi cheia de toda pompa que o dinheiro do velho podia propor e na primeira noite de casada, Rosa foi deflorada com uma violência jamais imaginada. Desde desse dia tornou-se uma mulher fria e cheia de ódio. O tempo passava e o esposo de Rosa ficava impaciente, pois ela não engravidava e o único filho homem que ele havia tido estava longe cuidando da própria vida. Foi com Rosa a uma cidade maior para exames, e constatou frustrado que estava estéril e que nunca mais teria filhos. Desse dia em diante passou a estuprar Rosa com mais violência como se ela fosse culpada pelo fato de ele não pode fazer-lhe um filho.
Quando já estava cansada, armando um plano para fugir para longe com as jóias do esposo e levando a mãe e a tia antes que cometesse uma loucura e matasse o esposo, recebeu em casa, numa tarde chuvosa de verão a visita do seu enteado Carlo, que estava de férias. Era um homem um pouco mais velho que Rosa, alto, corpo bem definido, certamente pela prática de esportes, olhos negros e profundos, cabelos loiros, muito lisos caindo de forma graciosa pela testa, um queixo que lhe dava impressão de nobreza, mãos grandes e um peitoral muito bonito. Pela primeira vez na vida, Rosa sentiu-se envergonhada diante de um homem, pois sabia que os maus tratos a estavam deixando magra, cheia de olheiras e sem forças. Nada disso passou despercebido por Carlo, que assim que viu Rosa sentiu uma onda de calor brotando em seu corpo, concentrada na região das virilhas.
Alguns dias depois, Rosa estava dando ordens para a cozinheira quando desmaiou subitamente, ao que foi amparada pelas ágeis mãos de Carlo, que a levou para o quarto do pai, que estava viajando a negócios e a deitou delicadamente na cama. Não pode deixar de observar como o corpo de Rosa era bonito e atraente, apesar de toda palidez que ela apresentava. Não resistindo a seus próprios impulsos, trancou a porta do quarto e a janela e começou a acariciar o corpo da moça por cima do vestido azul, passando a mão por suas pernas, seus seios, sua barriga. Tomado pela lascívia tirou o vestido dela e começou a beijar suas coxas e acariciar o corpo de Rosa, que nesse momento soltou um suspiro recobrando a consciência. Quando se deu conta do que estava acontecendo começou a tentar fugir lembrando do horror das noites que vivia com o esposo, e nesse momento Carlo pode ver as marcas da violência e sentiu repugnância e raiva do pai, pois se lembrara de ter visto marcas semelhantes no corpo da mãe morta quando ainda era criança, e a encontrara no chão do quarto dias antes de ser enviado para estudar em outro país. Pegou Rosa delicadamente no colo e sussurrou em seus ouvidos:
– Criança, não tenha medo. Não sou como meu pai e a amo desde que a vi. Me permite te fazer feliz?
Rosa, de forma inexplicável sentiu-se segura nos braços de Carlo e envolveu os lábios dele com um beijo quente e apaixonado. Deitaram-se na cama e enquanto Rosa pela primeira vez sentia o prazer de entregar-se à volúpia com amor, Carlo se esforçava para satisfazê-la enquanto seu lado frio e vingativo preparava-se para acabar de uma vez por todas com as maldades do pai.
O esposo de Rosa passou mais de três meses viajando e todas as noites Carlo ia ter com ela em seu quarto e cada mais ambos tornavam-se lascivos e apaixonados, até que numa manhã Rosa começou a vomitar sem motivos e aparentava estar levemente inchada. Carlo exultou! Seria pai de um filho da mulher que tanto amava, mas isso fez com que tivesse de antecipar seus planos. Sabia que o pai voltaria de viagem naquela noite, precisava dar cabo da situação. Contratou assassinos profissionais para dar conta do serviço, mas à noite antes que pudesse abrir a porta para eles, recebeu uma notícia que abalou a todos da casa. Parecia que o digníssimo esposo de Rosa havia sido encontrado morto, no meio do mar com o pescoço enrolado numa rede de pesca muito parecida com a que Rosa e sua tia arrumavam anos atrás.
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9 comentários sobre “Rosa

  1. Lady Sith disse:

    Uau! O final foi matador. Acho que não teria coragem de matar meu pai, mesmo se eu soubesse que ele é um homem horrível.

  2. Ana Martins disse:

    Ui!
    Todo mundo querendo matar o hômi.

    Ainda bem que a história terminou feliz; coitada da Rosa.

  3. Marcia disse:

    Oi linda. Saudades!!
    Eita que isso aqui tá virando uma página de contos eróticos! kkkk
    Um beijo!

  4. Bárbara Amelize disse:

    Putz… eu me impressiono com a sua mente quando escreve contos, sabia?! rsrsrs Você sabe usufruir de sua capacidade de redação em qualquer tipo de texto, mas nos contos, pra mim, sempre se supera. Incrível, surpreendente, apaixonado…

    Beijo, flor! Faltou você na bagunça aqui.

  5. Flávio disse:

    “sentiu uma onda de calor brotando em seu corpo, concentrada na região das virilhas”.

    Eu nunca entendi: é uma vilha só ou é uma em cada lado?

  6. Mestre Campestre disse:

    Atrasado ma non molto.

    O que posso dizer? Foi outro conto perfeito Rê. E com um final surpreendente. Você se supera a cada conto. ;)

    Baci

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