Somewhere Ville (Parte 2 – Final)

Especial de Halloween

… e o que viram lá dentro os deixou totalmente estarrecidos: todos da cidade estavam ali, ao redor de grandes galões marcados com símbolos de material tóxico, dentro dos quais havia um líquido verde que emitia a luz fluorescente que viam ao longe. Amarrada pelos pulsos, no centro do celeiro havia uma garota que não devia ter mais de 10 anos, e parecia estar desacordada. Kate e Kris nunca a viram na cidade e desconfiaram que tratava-se de um seqüestro. O prefeito da cidade aproximou-se da garota, tirou-lhe as sandálias e com a ponta de uma grande faca, fez dois cortes nos calcanhares da menina, suficientes para acordá-la enquanto seus sangue rojava dentro de um grande balde posicionado logo abaixo dela. A garota gritava assustada, mas ninguém no circulo se moveu para socorre-la. Kris teve o ímpeto de invadir o local, mas Kate o segurou e sussurrou que podia ser muito perigoso e precisavam entender o que estava acontecendo.
Depois de longos minutos a garota silenciou e parecia que todo sangue havia saído do seu corpo. Então duas das professoras que davam aulas para Kate pegaram o balde cheio de sangue e o misturaram dentro de um dos grandes galões com as substância verde, e passaram a distribuir o conteúdo em copos para todos os presentes. Conforme iam bebendo a estranha mistura, eram tomados de uma grande euforia, dançavam, gritavam e depois caiam, como que drogados, pelo chão do celeiro. Por fim, alguns dos colegas de Kris desamarraram as garota do celeiro e a deitaram no feno. Abriram sua boca e derramaram um pouco da mistura do próprio sangue dela com a substância verde. O que Kris e Kate presenciaram depois disso fez o sangue deles gelar e o coração parecia ter parado de bater: A garota, que estava morta, depois de alguns segundos abriu os olhos e levantou-se normalmente. Em seu rosto já não havia mais a expressão de terror de minutos atrás, mas sim a mesma mórbida calma dos habitantes de Somewhere Ville.
– Deus do céu Kris! Eles são zumbis! Mortos vivos! Estamos numa cidade morta!
– Psit. Fale baixo, não queremos que nos vejam e…
Nesse momento, Kris foi agarrado violentamente pelo pescoço por um dos garotos com quem praticava futebol, e Kate desesperada apontou contra o rosto dele a lanterna de luz fluorescente que carregava para poder identificá-lo. O garoto então soltou Kris e levou as mãos ao rosto que começava a incendiar com a luz forte
– Isso Kate, continue apontando a lanterna para ele. Ele está queimando.
– Mas, alguém pode ver!
– Não pare, lá dentro todos parecem tomados por aquele estranho torpor.
E Kate continuou segurando a lanterna na direção do garoto, até que seu corpo se reduziu a cinzas. Enquanto Kate ainda tentava se recompor do susto, Kris agarrou seu braço violentamente e começou a correr de volta para casa. Precisavam sair dali antes que mais alguém os visse. Quando finalmente chegaram em casa o sol já estava começando a nascer, e correndo para o quarto dos pais, porém a casa estava vazia. Encontraram um bilhete dizendo:
“Crianças, fomos até Whitetown resolver alguns problemas. Voltamos a noite. Tem dinheiro na gaveta das camisas caso queriam comprar algo. Amor. Mamãe”
– E agora o que vamos fazer Kris?!
– Vamos ficar trancados aqui dentro de casa o dia todo. Não vamos sair para nada. Mas, uma coisa começa a ficar clara Kate. Se eles são sensíveis a uma simples lanterna de luz fluorescente, isso explica porque as ruas da cidade ficam vazias durante o dia, e todos se escondem em casa e nos prédios durante o dia. O sol pode acabar com eles! Então, enquanto o dia estiver claro estamos seguros. Só que temos que rezar para que papai e mamãe voltem antes de anoitecer.
O dia arrastou-se lentamente, Kris e Kate ficaram trancados no quarto dos país, armados com suas lanternas. O sol finalmente se pôs e o coração deles ficou mais apreensivo. Muitas horas passaram, então quando passava das duas da manhã o telefone tocou e Kate o agarrou:
– Alo Kate? Querida! É a mamãe. Papai e eu estamos aqui na casa do prefeito jogando baralho, e eles nos convidou para mostrar uma festa que realizam no celeiro da cidade. Logo mais estaremos ai sim. Não se preocupem.
Antes que pudesse articular uma única palavra, o telefone já estava mudo.
– Kris, eles vão levar mamãe e papai para o celeiro! Vão transformá-los em zumbis!
– Deus! Não podemos permitir que isso ocorra! Vamos, pegue seu casaco e sua lanterna e vamos para lá.
No caminho, perceberam que novamente toda cidade estava vazia e em silêncio. Todos deveriam estar novamente no celeiro
– Não entendo Kris. Antes, eles só faziam isso uma vez por mês. Por que pegaram nossos pais?
– Não sei Kate, mas vamos nos apressar. Ainda estamos na metade do caminho.
Como na noite anterior, deram a volta no celeiro e abaixaram-se atrás do mesmo. Lá ainda estava o corpo incendiado pela lanterna na noite anterior. Ninguém teria dado falta dele? Quando olharam pelas frestas das tábuas viram horrorizados que no centro do celeiro, onde no dia anterior estivera amarrada a garotinha, agora estavam seus pais. Acordados, eles foram amordaçados para conter seus gritos de horror.
– Kris, o que vamos fazer?
Mas, a resposta foi silêncio. Kris, havia ido para o outro lado do celeiro, onde estava uma grande quantidade de feno e com o auxilio do isqueiro que sempre carregava, começou um pequeno incêndio que logo tomou conta da parede oposta de onde estavam. Lá dentro, todos foram tirados do torpor do ritual e começaram a correr para apagar o incêndio, mas não podiam aproximar-se muito, pois suas peles mortas eram sensíveis também ao calor do fogo. Kris, então tomado de grande coragem entrou correndo no celeiro apontando a lanterna na direção de todos e foi para perto dos pais.
– Garoto! – vociferou o prefeito – nós iríamos pegá-lo depois par se juntar a nossa grande família, mas já que você fez questão de vir por conta própria seja bem vindo
– Afaste-se ou eu…
– Você o que? Não sei se você percebeu mas a luz da sua lanterna está ficando fraca e em mais alguns minutos você será nosso?
Kate continuava na parte de fora do celeiro, e estava cada vez mais aterrorizada, não sabia o que fazer. Então, levantou a cabeça e viu que no horizonte o sol começava a surgir. Lembrando-se das palavras do irmão mais cedo, resolveu entrar escondida no celeiro. Ela havia observado que a árvore, que estava no meio, e ao redor da qual o celeiro fora levantado era muito velha e parecia tomada por cupins, devido aos diversos furos na base do seu tronco. Se fizesse a coisa certa poderia derrubá-la. Entrou apontando sua lanterna que ainda estava com a luz forte em direção prefeito, e subiu no tronco da árvore.
– O que vai fazer Kate?! Eles vão nos matar!
– Não se eu puder fazer isso antes
E conforme balançava o corpo contra a árvore, um grande estalo indicou que ele suas raízes soltavam-se do chão. Os zumbis iam em sua direção, já que a luz de sua lanterna também estava se tornando fraca. Quando estavam quase com as mãos sobre ela, a árvore começou a despencar, rasgando o telhado do celeiro como se fosse uma fina folha de papel. O sol, que agora já estava alto, entrou gloriosamente pelo local, incendiando os habitantes de Somewhere Ville, enquanto o cheiro de carne morta tomava conta do local. Em poucos minutos, a cidade estava literalmente reduzida a cinzas. Kate e Kris desamarraram os pais, e correram para casa. Lá chegando pegaram apenas uns poucos pertences, e pegando o carro abandonaram para sempre Somewhere Ville. Voltando para sua cidade natal, e quando questionados sobre o motivo de terem voltado, afirmam apenas que não existe lugar como nosso lar.

************
Se você chegou ao fim dessa grande celeuma de Halloween, ficam aqui os meus mais sinceros votos de que você tenha um dia das Bruxas repleto de muitos contos de terror, festa a fantasia, abóboras doces e travessuras. Aproveito também para desejar Feliz Aniversário para a melhor amiga que eu podia desejar no mundo: Gisele, sua ciumenta! Love you so much!
O Idéias em Fuga também entra em recesso! Devido às provas semestrais dessa pseudo escritora que aqui vos fala, o Idéias só volta à ativa depois de 20 de Novembro. Portanto, divirtam-se com os outros maravilhosos blogs aí da coluna à sua direita do monitor, e sejam bonzinhos, ou eu mandarei para suas casas uma das taças do fabuloso drink de Somewhere Ville. Hahahaha, Hahahaha, Hahahahahahaha [Modo risada macabra off]
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8 comentários sobre “Somewhere Ville (Parte 2 – Final)

  1. Leandrö disse:

    seu blog vai tirar férias?
    melhor, assim dá tempo de ler os textos gigantes que vc faz!
    kkkkkkkkk
    fidida, faz uma semana de mini-textos
    feliz HELLoween
    bjs!

  2. muta disse:

    Hehehe, sinistro!

    Mto bom, só achei os morto-vivos muito fracos! Hahahha. ;o)

    Besos e boas provas!

  3. Marcia e Bella disse:

    Oi miga,
    Muito bom o texto. Parabéns. Por um instante esqueci que estava no blog da minha irmazinha boazinha… rs
    Beijos

  4. Mestre Campestre disse:

    Eu acho que o Kris foi a primeira pessoa a dizer “torpor”. ::)

    Belo desfecho Rê. E boas provas. Aceita um feliz Halloween atrasado? :p

    Baci e abracci

  5. Diana disse:

    OI garota! Andei sumida né!? Muita coisa para fazer na mudança, aparece no meu cantinho que tem novidades!
    Beijos

  6. Nana Flash disse:

    Eu adoreeeei :D
    Ainda bem q no feriado fui pra praia e agora naum pareco tanto com um cidadao de SWVille :D
    Poxa, saudades dos textos? Ocupadinha, eh? Volta logo :)
    Bjs, menina talentosa!!

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