Pequenas polêmicas

Eu sempre considerei a nossa Consolidação das Leis do Trabalho (ou CLT para os íntimos) fruto de momentos de carência da nossa sociedade puramente paternalista. O custo que as empresas tem para manter o funcionário registrado hoje em dia seriam suficientes para manter dois funcionários (o que tecnicamente contribuiria com a diminuição do desemprego) ou para, no mínimo, pagar um salário mais justo para quem trabalha subordinando a alguma empresa, o que (tecnicamente falando também) proporcionaria a muita gente a chance de ter uma vida mais digna, com um pouco mais de cultura, educação, saúde e bem estar com um bom bocado a menos de dor de cabeça com as contas vencendo.
E todo esse custo adicional, acreditem, não é decorrente do tempo que o funcionário está na empresa, e sim do tempo em que ele passa em casa aos fins de semana remunerados, feriados, férias, dias abonados e por aí vai. Aqui cabe aquela outra polêmica, de que o Brasil que diz que o Brasil é um dos países que menos trabalha no mundo, dada a quantidade de feriados. Porém, vale ressaltar que regiões como alguns estados do Sul e Sudeste mesmo com todos feriados e dias santos produz metade (ou mais) do PIB do país.
Voltando à questão do custo por funcionário, supondo que nossa CLT não fosse tão rígida e permitisse que as empresas, ao invés de pagar mais de 100% de custo a cada funcionário, tivesse a liberdade de distribuir livremente esses rendimentos aos funcionários, isso favoreceria o crescimento como um todo já que diminuiriam os custos. Não seria ótimo?
Bom, talvez não, porque pelo baixo nível de cultura financeira da grande maioria da população, logo esses rendimentos seriam gastos de forma inadequadas, e o aumento da quantidade de moeda em movimentação certamente faria aumentar a inflação (o que nem sempre é necessariamente ruim) e essa não é a meta econômica do nosso atual governo. Por outro lado estamos tão dependentes dessas “regalias” tão duramente conquistas ao longo dos anos de trabalho, crescimento do país, e ditadura, que quando por algum motivo elas nos faltam causam desespero. Vejam meu caso: como fui registrada na atual empresa há seis meses o meu décimo terceiro na verdade será metade (menos impostos) do que deveria ser. E o plano de ter algum dinheiro guardado ou aplicado para um futura emergência vai por água abaixo, sem falar que a gente sempre conta com esse dinheirinho para comprar um mimo mais caprichado para quem a gente ama. É complicado controlar idéias polêmicas que te dizem que o certo seria “X” quando na verdade o nosso comodismo afirma que é bom vivermos na situação “Y”. Polêmicas a parte, dica da financeira da tia Rê: quem recebeu o décimo terceiro e não está comprometido com dividas, apliquem em alguma aplicação de renda fixa, pois como diria minha mãe: quem guarda tem.
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6 comentários sobre “Pequenas polêmicas

  1. Marcia disse:

    Oi amiga,
    Antes de tudo, parabéns pra sua mamma, atrasado. Muitas felicidades!
    Vim aqui deixar um beijo. Confesso que não li o texto de hoje, muuuito cansaço mental. Me perdoa?
    Um beijo grande amiga, saudades..

  2. Nana Flash disse:

    Pois entaum.
    O que mais se ve hj em dia sao funcionarios cadastrados como empresas – assim, podem ser prestadores de serviço, sem precisar de carteira assinada. Se pra gente eh ruim, pros patros tambem eh – e la se vai um rolo enorme, e ninguem resolve nada.
    E eu tou juntando meu dinheirinho, jah começando minh poupancinha… pra o futuro, sabe como eh :)
    Bom texto, xero
    E bom fds

  3. muta disse:

    Olha Rê, vou ser sincero: o grande problema com os custos trabalhistas, é que eles não retornam para o povo e para a empresas como deveriam.

    Se esse dinheiro fosse bem empregado pelo governo, a Previdência estaria em dia, os juros seriam reduzidos, teríamos educação e saúde de qualidade e de graça (daí poderíamos gastar o dinheiro com outras coisas, aquecendo o mercado), a carga tributária seria menor e tudo funcionaria melhor.

    A questão não é querer acabar com direitos adquiridos, mas sim usar os recursos existentes de forma correta, o que incentivaria o crescimento.

    Mesmo com os atuais encargos trabalhistas (ps.: na europa os encargos são maiores do que aqui e os países mais desenvolvidos…)

    Besos e o texto foi excelente para reflexão!

  4. Dark disse:

    Concordo com o comentário do Muta, o maior problema é que o dinheiro obtido com os custos trabalhistas não são destinados pro seus lugares corretos, o que faz com que eles pareçam demasiados, afinal a contrapartida é pouca ou nenhuma em alguns casos.

    Ah sim, eu preciso de uns 3 décimo-terceiro pra pagar as dívidas.hahahaha

  5. Bárbara Amelize disse:

    (Vou comentar, mas meu teclado nao esta muito bento com um copo de coca cola que ele tomou esses dias.. entao, tudo sera sem acento.. rs)

    Nossa.. que bela reflexao. Mas, nao eh comodismo achar que o certo eh a situacao Y. Tenho que concordar com o Muta e o Dark. O problema nao esta nos direitos adquiridos, mas na pratica governamental de movimentacao do dinheiro dos impostos. Nao ha que se falar em diminuicao de direitos, mas em uma melhor articulacao do dinheiro publico. A pratica de um bom negocio tem apenas uma lei.. TEM QUE SER BOA PARA OS DOIS LADOS. Isto eh, precisa trazer lucros para todos os envolvidos. Em uma politica mais seria e comprometida, o retorno para as empresas e para o cidadao faria com que nem pensassemos nestas possibilidades X. Nestes termos, o erro esta onde geralmente fica… na administracao publica. E indo mais a fundo, em nos, brasileiros desmemoriados e adeptos da filosofia JEITINHO!

    Beijo, honey!!!
    Saudade.

  6. Mestre Campestre disse:

    Um assunto deveras polêmico.

    É difícil abrir mão das conquistas, mesmo quando elas entravam a algo de suma importância, no caso a economia. É estranho pensar que uma conquista trabalhista seja um obstáculo para a redução do desemprego.

    No mais concordo com a Babi,a prática de negócios deve ser boa para os dois lados, patrão e empregados.

    Bom assunto, ótimo texto

    Baci

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