Indigna Indignação

Um garoto de cinco anos e os pais são incendiados vivos dentro de um carro. Os pais morrem na hora e o garoto, após ajudar a polícia a encontrar o carro numa estrada abandona de Bragança Paulista, falece por não agüentar as queimaduras presentes em 90% do corpo. Enquanto isso a única sobrevivente do crime é ameaçada de morte enquanto se recupera no hospital.

Na cidade do Rio de Janeiro, já não bastassem os ataques violentos à população desprotegida, três criminosos arrastam até a morte um garoto de seis anos, por cerca de 7 km, após roubarem o carro da sua mãe e provocam indignação e comoção nacional.

Ainda no Sudeste, na cidade de São Paulo, o digníssimo prefeito perde a compostura e expulsa de um posto de saúde um cidadão desempregado e ainda o insulta de vagabundo. O curioso é que esse cidadão está desempregado justamente devido a lei que leva o nome do excelentíssimo prefeito que coíbe a atividade de Mídia Exterior na cidade (os famosos banners e outdoors). O “vagabundo” em questão trabalhava fabricando placas.

Já no mundo virtual, certas pessoas que participam da rede de relacionamentos Orkut pregam abertamente que animais domésticos devem ser mortos a facada. Sim, isso mesmo: os meus gatos, seus cachorros, canários e passarinhos devem ser todos extintos na base da “facada”.

Partindo para a esfera econômica recebemos com sorrisos (irônicos) nos lábios que a CPMF, que deveria ser uma cobrança provisória, foi estendida por mais dez anos, e existe a possibilidade de que ela se torne permanente. É interessante notar que quando foi criada, tinha por “destino” a área da saúde. Era o Estado assinando seu atestado de incompetência ao afirmar a todos que não possui capacidade de gerir a receita advinda dos impostos e que deveria manter esse segmento. Agora, dizem, ela será destinada à manutenção da Previdência Social. O mais curioso é que hoje em dia (2007) o Estado gasta com Previdência Social e Funcionalismo Público duas vezes mais que o que gasta com Saúde e Educação juntos. Ou seja, começaremos a pagar duas vezes por aquilo que já pagamos. E ainda há espaço para uma questão: se o dinheiro arrecadado com a CPMF realmente tem destino a Previdência Social, então os trabalhadores autônomos deveriam ser poupados dessa obrigatoriedade, já que, caso eles parem de trabalhar não poderão se aposentar por tempo de serviço correto ou por idade, sendo que teoricamente não recolhem o INSS.

Agora, depois de ler tudo isso fica a pergunta final para você: de que lado você está?

Who (don’t) want to be a Millionaire?

O programa americano Who wants to be a Millionaire famoso por suas premiações exorbitantes, ganhou aqui no Brasil uma cópia chamada “Show do Milhão” comandada pelo “patrão” “Sêo” Silvio Santos. E o programa promete aos participantes alcança r o sonho dourado de ganhar até um milhão de dinheiros simplesmente respondendo algumas perguntas.

Porém, ontem me peguei pensando se realmente seria bom trocar minha vida de anônimidade por uma vida como as dos “Ricos e Famosos”. Claro que tem toda a parte do glamour, do luxo, de não ter que pegar ônibus, ter entrada VIP nos lugares mais badalados da cidade, não precisar contar moedas para comprar um sorvete, mas há certas coisas nesse mundo de fama e luxo que não são lá muito convenientes.

Por exemplo, tenho um professor na faculdade que também costuma dar aulas na FGV (Fundação Getúlio Vargas) uma das mais famosas Escolas de Administração de Empresas aqui em São Paulo. Na aula de ontem ele comentou que dá aula para a neta de um renomado e riquíssimo banqueiro aqui do Brasil. A garota chega às aulas acompanhada por dois seguranças israelitas armados, que não falam português e a acompanham, obviamente por todos os lugares na faculdade. Isso mesmo: todos! Se a garota precisa ir ao banheiro, um deles entra verifica se não há ninguém, ou convida as outras usuárias a se retirar. Depois disso sai e autoriza a entrada dela enquanto os dois montam guarda na porta. É um mundo completamente a parte. Eu não me imagino chegando na faculdade ansiosa por lavar as mãos depois de sair de um ônibus ou metrô lotados e encontrar dois soldados montando guarda na porta do banheiro. Mas, a quem estou querendo enganar. Se eu estudasse num lugar assim provavelmente chegaria na faculdade de carro. Dirigido por um chofer, claro.

Mas, há ainda situações mais corriqueiras e inusitadas. Imagine: você acorda num belo domingo de manhã, e vai tomar café. Chegando à cozinha descobre que acabou o leite. O que fazer? Colocar uma roupa um pouco mais digna que um pijama, calçar os chinelos e ir até a padaria ou mercado mais próximo sem o medo de ser assediado por fãs histéricos em busca de um autografo ou sem medo de ser seqüestrado por uma quadrilha de olho na sua fortuna. Já sendo rico e famoso, provavelmente você não enfrentaria tal tipo de problema, pois teria a sua disposição uma equipe de empregados, copeiras, faxineiras e afins que se encarregariam de cumprir essa parte das suas tarefas domésticas. Mas, onde fica a graça de poder ter o prazer de comprar um sonho fresquinho na padaria para fazer a alegria das pessoas que vivem com você, ou de encontrar aquele amigo que jogou bolinha de gude com você durante toda a infância. Aliás, será que ricos e famosos tem amigos de infância que possam encontrar assim ao acaso sem ser naquelas mega – festas promovidas pelas socialites da moda?

E fazer compras então? Imagina você não poder se dar ao luxo de perambular por lugares aqui de São Paulo como a Rua 25 de Março, Rua Direita, Santa Efigênia num “safari” por coisas interessantes e baratas? Sendo rico e famoso você é obrigado a perambular pelas botiques da Rua Oscar Freire e Shoppings como o Morumbi e Higienópolis. Cercado de seguranças. E sem a chance de ficar de bobeira na praça de alimentação tomando uma casquinha de sorvete.
Sabe a vida não é fácil tendo de trabalhar para pagar a faculdade, mas refletindo sobre as situações acima eu me sinto feliz de ser apenas mais um rosto na multidão (apesar de ter uma linha de produtos alimentícios com meu nome). Gosto de levantar de manhã para ir à padaria, de andar de mãos dadas com o homem que amo no meio da rua sem ninguém perturbando, de entrar na galeria do Rock em busca de novidades sem uma legião de fãs me seguindo, de apreciar o que São Paulo tem de belo sem ninguém impedindo minha paisagem. E querem saber? Eu queria ganhar um pouco melhor, mas eu não quero ser uma milionária.

Aviso aos navegantes

O título e batido, mas a questão é séria: pela enorme quantidade de comentários “falsos” ativei a verificação de palavras para comentários.

Algum ou alguns usuários inescropulosos estavam postando anonimamente aqui no idéias em Fuga com links que direcionavam para sites cheios de trajans e spywares, e como uma boa usuária da internet que preza pela segurança das pessoas que acessam esse espaço, me sinto na obrigação de lançar mão desse recurso.

Espero que essa medida seja necessária apenas em caráter provisório, pois sei o quão chato é ter que decifrar o conjunto de letrinhas e números, mas espero a compreensão de todos amigos e leitores.

Um forte abraço.