Who (don’t) want to be a Millionaire?

O programa americano Who wants to be a Millionaire famoso por suas premiações exorbitantes, ganhou aqui no Brasil uma cópia chamada “Show do Milhão” comandada pelo “patrão” “Sêo” Silvio Santos. E o programa promete aos participantes alcança r o sonho dourado de ganhar até um milhão de dinheiros simplesmente respondendo algumas perguntas.

Porém, ontem me peguei pensando se realmente seria bom trocar minha vida de anônimidade por uma vida como as dos “Ricos e Famosos”. Claro que tem toda a parte do glamour, do luxo, de não ter que pegar ônibus, ter entrada VIP nos lugares mais badalados da cidade, não precisar contar moedas para comprar um sorvete, mas há certas coisas nesse mundo de fama e luxo que não são lá muito convenientes.

Por exemplo, tenho um professor na faculdade que também costuma dar aulas na FGV (Fundação Getúlio Vargas) uma das mais famosas Escolas de Administração de Empresas aqui em São Paulo. Na aula de ontem ele comentou que dá aula para a neta de um renomado e riquíssimo banqueiro aqui do Brasil. A garota chega às aulas acompanhada por dois seguranças israelitas armados, que não falam português e a acompanham, obviamente por todos os lugares na faculdade. Isso mesmo: todos! Se a garota precisa ir ao banheiro, um deles entra verifica se não há ninguém, ou convida as outras usuárias a se retirar. Depois disso sai e autoriza a entrada dela enquanto os dois montam guarda na porta. É um mundo completamente a parte. Eu não me imagino chegando na faculdade ansiosa por lavar as mãos depois de sair de um ônibus ou metrô lotados e encontrar dois soldados montando guarda na porta do banheiro. Mas, a quem estou querendo enganar. Se eu estudasse num lugar assim provavelmente chegaria na faculdade de carro. Dirigido por um chofer, claro.

Mas, há ainda situações mais corriqueiras e inusitadas. Imagine: você acorda num belo domingo de manhã, e vai tomar café. Chegando à cozinha descobre que acabou o leite. O que fazer? Colocar uma roupa um pouco mais digna que um pijama, calçar os chinelos e ir até a padaria ou mercado mais próximo sem o medo de ser assediado por fãs histéricos em busca de um autografo ou sem medo de ser seqüestrado por uma quadrilha de olho na sua fortuna. Já sendo rico e famoso, provavelmente você não enfrentaria tal tipo de problema, pois teria a sua disposição uma equipe de empregados, copeiras, faxineiras e afins que se encarregariam de cumprir essa parte das suas tarefas domésticas. Mas, onde fica a graça de poder ter o prazer de comprar um sonho fresquinho na padaria para fazer a alegria das pessoas que vivem com você, ou de encontrar aquele amigo que jogou bolinha de gude com você durante toda a infância. Aliás, será que ricos e famosos tem amigos de infância que possam encontrar assim ao acaso sem ser naquelas mega – festas promovidas pelas socialites da moda?

E fazer compras então? Imagina você não poder se dar ao luxo de perambular por lugares aqui de São Paulo como a Rua 25 de Março, Rua Direita, Santa Efigênia num “safari” por coisas interessantes e baratas? Sendo rico e famoso você é obrigado a perambular pelas botiques da Rua Oscar Freire e Shoppings como o Morumbi e Higienópolis. Cercado de seguranças. E sem a chance de ficar de bobeira na praça de alimentação tomando uma casquinha de sorvete.
Sabe a vida não é fácil tendo de trabalhar para pagar a faculdade, mas refletindo sobre as situações acima eu me sinto feliz de ser apenas mais um rosto na multidão (apesar de ter uma linha de produtos alimentícios com meu nome). Gosto de levantar de manhã para ir à padaria, de andar de mãos dadas com o homem que amo no meio da rua sem ninguém perturbando, de entrar na galeria do Rock em busca de novidades sem uma legião de fãs me seguindo, de apreciar o que São Paulo tem de belo sem ninguém impedindo minha paisagem. E querem saber? Eu queria ganhar um pouco melhor, mas eu não quero ser uma milionária.

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3 comentários sobre “Who (don’t) want to be a Millionaire?

  1. Dark disse:

    Excelente texto maninha,também não queria ser milionário, mas topava ganhar mais e a gente só não quer ser milionário porque pensa em continuar morando em Sampa City, ganha na Megasena e se muda pra uma cidade menor, em que ninguém nunca te viu, que você vai ver a diferença.

    Se eu tô num banheiro e me mandam sair pra fulano usar, o pau come, ah e antes que eu esqueça o leite acabar de manhazinha só acontece com pobre.hahahahaha

  2. Kiyomi, a.k.a. Piggy disse:

    Gostei do texto! Na verdade, eu queria ganhar um pouquinho mais para assegurar a aposentadoria e as guloseimas. Mas ser milionário e ter que abrir mão até de atos cotidianos, isso não serve pra mim. Existe coisa melhor que você sair sozinha, bater perna nos mercados e shoppings e tomar um picolé numa pracinha sem os paparazzos pegarem no seu pé e ter um batalhão de gente te servindo um lencinho de papel na hora de um simples espirro?
    Beijos!

  3. Ana Martins disse:

    Adorei, Rê!

    Imagina eu não poder ir na banca de revista e poder ver tranquilamente o que tem pra vender, ir no supermercado e comprar um monte de coisa gostosa tipo sonho e chocolate, ir na farmácia e me pesar na balança? Gostaria de ganhar mais também, mas não queria abrir mão dessas coisinhas que fazem meu dia-a-dia mais legal!

    Ah, e se me mandassem sair do banheiro pra uma fulaninha de segurança israelita usar eu surtaria.

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