Still smells like teen spirit

Sabe aqueles dias em que você senta na sua escrivaninha para um longo e cansativo dia de estudo e resolve pegar seus cd´s antigos – cheios de poeira – e colocar de plano de fundo musical para sua árdua tarefa?
Então hoje foi um dia desses em que resolvi esquecer meus “modernos” arquivos de mp3 e dar ouvidos àquilo que me fazia feliz lá pelos idos do início da década de 1990.

Era um dia de domingo muito ensolarado, lá pelos idos de 1991, creio eu. Eu estava escutando a falecida rádio rock de São Paulo, no meu também falecido primeiro walkman amarelo, no auge dos meus onze anos de idade, quando pela primeira vez escutei algo que amaria pelo resto da minha vida – pelo menos creio que amarei já que se passaram quase dezessete anos desde então e o som dessa banda ainda me arrepia e emociona.

Era algo diferente de tudo o que eu conhecia. Com onze anos já eram fã ardorosa de Beatles, Rolling Stones Ramones e toda sorte de “velharias” do rock. Porém, aquilo era contrário a tudo o que eu considerava rock de qualidade. Era sujo. Era barulhento. Era gritado. E eu adorei. Foi amor à primeira ouvida. Era Smells Like Teen Spirit da não tão conhecida banda de Seatlle Nirvana. Poucos meses depois, juntando minha curta mesada comprei o cd Nevermind – lembrem-se que no começo da década de noventa ainda nem existia o real, logo a mesada também desvalorizava muito rápido. Daí para frente minha vida mudou. Encontrei o grunge. E foi uma paixão louca e desenfreada. Comecei a comprar e colecionar tudo o que se relacionava a banda: revistas, recortes de jornais, fitas de vídeo com shows, fora claro minhas próprias fitas com os clipes que começaram a passar na TV. E quanto mais eu ouvia mais gostava, e quanto mais gostava mais começava a procurar por outros sons barulhentos e alegres. Nessa época eu aprofundei paralelamente meu gosto pelo punk.

Foi então que em 1994, um ano depois da maior desilusão da minha pré – adolescência – não ter ido ao show deles no Brasil porque tinha 13 anos e não podia entrar no show – que veio o primeiro baque da minha vida de fã (o segundo viria menos de um mês depois): no dia 5 de Abril, Kurt Cobain, líder da banda, foi encontrado em sua casa morto por uma bala na cabeça saída de sua própria arma. Por suas próprias mãos.
Hoje consigo pensar de forma mais madura sobre o ocorrido. Kurt era um cara deveras talentoso e inteligente. Mas a fama, as drogas, o casamento fracassado e a grana foram demais para ele que, em minha opinião, era uma daquelas pessoas que talvez nunca devesse ter saído do fim de mundo em que ele morava na infância para os holofotes da fama. Mas o destino não quis assim, ainda bem, pois senão hoje em dia não poderia me arrepiar ao ouvir a versão do Nirvana para The Man Who Sold The World – do David Bowie. Essa música me fez chorar na adolescência pois o álbum ao qual pertence – Unplugged in New York – foi o primeiro álbum póstumo da banda, já que Kurt morreu poucos meses depois de tê-lo gravado. Mas, o sentimento que ele impôs nessa música mostra que além de ser um cara doido e drogado, ele possuía um talento e sensibilidades que dificilmente encontrei em outros vocalistas. Como diria um amigo da faculdade: “A música não é mais a mesma, e não nascerá outro Kurt para abalar isso”.

Depois dos vinte anos comecei a escutar cada vez menos, porque me irritava ver toda uma nova onda de fãs do Nirvana que mal sabiam escrever o próprio nome quando o Kurt morreu andando por aí, sentindo-se os detentores do direito de ser fãs da banda. Mas, a gente cresce e aprende fazer como o Kurt e mandar a pirralhada à merda – com o perdão da boca suja.

Hoje escutar todos os álbuns do Nirvana – sim, eu tenho todos originais, nada em mp3- me faz feliz e me faz pular e cantar junto igual quando eu não tinha mais do que um metro e meio e muitas espinhas no rosto.

“Oh no, not me. We never lost control. You’re face to face with The Man Who Sold The World”
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12 comentários sobre “Still smells like teen spirit

  1. Lisi disse:

    menina, eu nao conheço nada de bandas! (claro q eu conheço nirvana, mas sei pouca coisa).
    Tks pela visita no meu blog! =P

    bjuuu

  2. Nana Flash disse:

    Poxa, pois comigo aconteceu com Pearl jam :) naum, naum foi com o primeiro CD da banda, pq eu tinha 6 anos em 90, rs, mas foi paixao a primeira vista, diferente de tudo que eu ouvia. Tambem faço questao de ter tudo deles original :)
    Ahh mas tb gosto de nirvana. Na verdade, gosto de Kurt. Acho que nunca mais ouvi uma voz louca, desesperada, que consegue passar euforia ou depressao soh com uma leve mudança de entonação… sinto saudades. Dia desses escrevi um texto sobre pq kurt tinha se matado, na minha visao… se achar eu publico pra vc ler :)
    Beijim!

  3. Lady Sith disse:

    Eu não consigo gostar de Nirvana. Acho que é muito “sujo” (como você mesma disse) para o meu gosto.

    Mas gostei do seu manifesto de fã. Beijo.

  4. Dark disse:

    Essa música é uma das minhas preferidas sempre, sempre, ouvir Nirvana é mais ou menos o que o nome diz no budismo a total ausência de sofrimento, paz e plenitude alcançada graças a sabedoria.

    Bem-vinda maninha

  5. Nanael Soubaim disse:

    Acredito que ele teria uma vida curta de qualquer jeito (não me pergunte porque), mas poderia ter sido melhor sem esses percalços que, mesmo não gostando do gênero de jeito nenhum, creio que ele não mereceu metade. Dentro do que ele fez, foi um gênio, tu podes se vangloriar de ter conhecido esse gênio no começo, quando só os realmente fãs, os que não foram influenciados pela mídia, gostavam de seu primor ensurdecedor. Deixe esses guris pensarem que sabem o que é o Nirvana. Kurt, depois de algum tempo nas trevas, hoje sabe.
    Outra coisa: não existe cedê antigo, nenhum tem mais de trinta anos, ainda.

  6. Lídia disse:

    Taí, uma das coisas que mais admiro em vc irmã, sua fidelidade a tudo o q gosta realmente.

  7. Carolzinha disse:

    E quem diria que fui fã deles tbm. Nada como vc, mas tinha o cd Nevermind – aquele do bebe na piscina… rsssssss Indiscutívelmente necessário!!! :o)
    Aliás, a nossa adolescencia é indiscutívelmente necessária!!! rssssss
    Bjusssss

  8. Ana Martins disse:

    Adorei seu texto, Rê! Não sou fã do Nirvana, mas algumas músicas deles são muito legais. Ele foi realmente um marco na música, além de lindo!

    Beijos.

  9. Japinha disse:

    ahhhhh isso eh da minha epoca!!
    kkkkkkkkkkkkk
    epoca do grunge!!
    pearl jam,alice in chains,L7
    dahora!

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